PS na fossa, Oposição na fossa, Portugal na fossa. Como acontece desde o fim do reinado de D. José, de resto.
'[...] As expectativas com que Sócrates assumiu o poder, após o falhado governo de Santana Lopes, fizeram-no cair a pique logo no início do mandato, em Setembro de 2005, quando os portugueses perceberam que a promessa eleitoral de não aumentar os impostos seria defraudada. Depois, apesar de alguns "casos" que envolveram a sua imagem, Sócrates conseguiu manter-se à margem do desgaste de alguns do seus ministros, sobretudo o da Saúde. Correia de Campos acabou por cair numa recente mini-remodelação. É, por isso, pouco provável que Sócrates faça outra para afastar Maria de Lurdes Rodrigues. As sondagens são menos generosas para a ministra.
A sua popularidade tem caído a pique e até Cavaco Silva veio pedir "serenidade" no sector da educação.
O comício de ontem foi esmagador. Simbólico, porque imagem de mal-estar mais vasto do que o que atinge a titular da Educação. Mesmo sem oposição preparada, só um milagre poderá fazer com uma maioria absoluta volte a cair nos braços do PS em 2009'.
Apesar do terrível tempo e de ser sábado e não propriamente dia de greve à semana, a manifestação de professores foi afinal um sucesso, excedendo em 30,000 pessoas a previsão de 70,000, chegando pois ao record de cem mil pessoas, que a Euronews apresentou como a maior manifestação de professores de sempre em Portugal.
A elevada participação, a forma e o conteúdo das declarações dos participantes, fez com que nenhum comentador político apoiasse o PS, Sócrates, o Governo, como se preferir, na acusação ridícula de que eram manifestações de comunistas [acusação disparatada, em que Sócrates ainda se associa mais ao espírito salazarista do que já lhe era atribuído, sobretudo nas vaias ao Ministro da Presidência, chamado de fascista pela população].
Se fossem comunistas, com tal adesão, já o PCP estaria em alta nas sondagens o que não é de todo o caso, até porque ou Jerónimo de Sousa anda calado, ou a comunicação social já não o deixa falar.
Destaque ainda para o Eixo do Mal, que ainda repete esta tarde, onde se fizeram análises bem interessantes da realidade política nacional. Em especial, referência à cristalina análise de Clara Ferreira Alves, que coloca os pontos já referidos no Lorenzetti sobre como o PSD está fraco e como sem oposição o PS faz o que quiser, sem qualquer controlo limite ou expectativa de viragem eleitoral [não tendo o PSD Ethos, mas muita Pathos, sobretudo bravos...].
E ainda referência à observação cómica de José Júdice quanto à entrada excepcional de 2000 polícias: para o Ministro da Administração Interna parece ser uma medida de acalmia da população face aos recentes crimes nos jornais; José Júdice sugere que é uma óptima medida para garantir que há polícias suficientes para as próximas manifestações... assim visitam mais escolas antes...
E cita Socrates: ''É disto que o País precisa, de pessoas com coragem e com vontade de aprender', dizia Sócrates, constantemente', dando o flanco a piadolas sobre a sua 'vontade de aprender' e a controversa licenciatura numa universidade privada portuguesa chamada 'independente'.
Em boa verdade, o artigo acabava com a deliciosa frase 'Ovação em vez de vaias: esta deslocação a Elvas, um dos maiores bastiões socialistas no Alentejo, o primeiro-ministro foi recebido pela população que o aguardava com uma enorme ovação, em contraste com os apupos de que tem sido alvo nos últimos tempos em deslocações a outros pontos do País'.
Desta vez, Socrates percebeu que quando se tira [salarios ou reformas ou hospitais] as pessoas protestam, e o Governo / PS cai nas sondagens.
Quando se da, sobe.
Essencialmente, o principio basilar do famoso pai natal de Gondomar. Se nao podes vence-los, junta-te a eles [vendo bem, Socrates ja foi da JSD, e ideologicamente nada parece ter mudado].
E assim o Governo distribui computadores.
Mesmo que depois nao avalie como vao ser usados.
Porque nao basta dar computadores. E preciso saber se vao ser bem usados.
Curiosamente, encontrei-o ontem, bem perto, num voo da ainda nossa TAP.
O Professor Campos e Cunha foi ministro de Estado e das financas em 2oo5 [uns 4 meses], interrompendo uma bela carreira academica na UNL. E entre 1996 e 2oo2, governador do Banco de Portugal.
E hoje continua do lado da razao: Socrates e o PS so estao no Governo porque nao ha oposicao do PSD, e porque os partidos minoritarios nunca foram para os portugueses uma opcao de voto. Depois queixem-se.
'Museu Berardo' traz o playboy de subúrbio aos museus.
Como sempre, deixei a poeira assentar [neste caso não demasiado, porque não me admira que a poeira voe em breve] e visitei o 'Museu Berardo', que aloja obras do homem sobre o qual mais se fala em Portugal, seja pelo BCP, pelo Benfica, pelo Museu, ou simplesmente porque não pára de aparecer na imprensa, em estilo readymade.
O CCB, aka 'Centro Cultural Berardo', para alguns 'centro comercial', trouxe uma novo cenário para os museus em Portugal.
Acabou a ideia de sossego associada a um vigilante de museu: agora, o CCB está em estado de sítio -- os visitantes não ligam nenhuma às linhas que no chão indicam a distância a ter das obras, urram de um lado para o outro das galerias, ouvem-se crianças a chorar, ou a correr, ou a mexer nas obras. Ou a arrastar-se pelo chão, o que vendo bem, até pode ajudar a quem iria limpar o pó. Só faltavam pitbulls e um chuning.
Mas o público do CCB não ficou maluco. O que acontece é que a fauna que por lá se vê, para citar uma amiga minha, não é nada do que se vê normalmente num museu. Quem ia, deixou de ir. Quem vai, estava normalmente num qualquer subúrbio.
Berardo deve pois estar satisfeito: o objectivo de trazer o 'povo' ao museu fica cumprido, pelo menos até ao fim do ano, porque a entrada é grátis.
O museu deixou de ser um local de contemplação de arte para ser um local de turismo, onde se tira uma foto para por no screensaver do PC umas semanas, ou num álbum, ou num folder perdido no computador, ou colado ao frigorífico.
A experiència não é ver arte: é tirar umas fotos. E depois olhar para elas.
Mas o que é mesmo impressionante neste Museu Berardo é, e ainda no domínio da sociologia, que as fotos não são das obras em si, mas das pessoas que visitam o museu. Fotos dos filhos desdentados a dizer adeus ao lado de umas latas de Campbell soup, ou do pai trintão e de barba por fazer ao lado de um David Hockney.
Ou até de toda a família [chamaram-me a atenção quando ouvi o bip-bip-bip do temporizador da máquina], colocando um a camera e correndo todos para o pé de um quadro qualquer a dizer adeus ou a fazer caretas, ou a fingir que seguram um quadro, ou que são eles próprios parte do quadro.
Essencialmente, os portugueses deram função ao Museu Berardo: substituir a extinta Feira Popular.
Não digo que não; pelo menos quando passar ao lado o edifício não me faz tanta impressão. Mas também eu não ia ao Campo Grande...
O que gostei? O logotipo da Fundação Berardo, embora demasiado semelhante aos símbolos da Bentley e da Breitling.
E 3 quadros:
Jan ARP [c.1926], sem título
Pablo PICASSO [1947]Femme au Fauteil
Raymond HAINS [1970] Seita
Assinalei outras 23 obras como de boa qualidade, mas estas 3 eram as que correspondiam ao meu gosto estético.
Na próxima semana publico as conclusões que tirei da leitura dos estatutos da Fundação, que acabam por ser 'o' documento para avaliar o 'negócio' entre Berardo e o Governo, que tanto se discutiu há uns tempos, mas creio que sem grande substância e nenhumas conclusões úteis. Abaixo seguem os devidos links.
Seria importante responsabilizar o próximo presidente pelo que fizer e pelo que não fizer.
E a propaganda [a sujaganda, como dissemos noutro post], totalmente inútil, ruidosa, poluente e cara [e pois uma das razões do financiamento duvidoso e corrupção de partidos e governos] deve ser posta de lado.
E não falar de Segurança e Cultura, ao lado do tema essencial da Reabilitação Urbana é não falar de Lisboa e dos problemas que é preciso resolver.
Felizmente não houve momentos destes, bem presentes nas últimas eleições:
Mas todos parecem concordar que numa cidade de 84km2, 53 freguesias e cerca de meio milhão de residentes [a descer desde 1960, altura em que eram mais de 800 mil], doze candidatos é demais.
Sendo essa uma realidade relativamente inalterável, é preciso analisar o que se tem.
O PS foi buscar um ministro, sem que se perceba como pode o maior partido português não ter alkguém disponível e preparado para o cargo, sem ter de tirar um ministro [e substituí-lo por Rui Pereira, que mal teve tempo de aquecer o lugar para o qual tinha sido nomeado no Tribunal Constitucional]. Não se percebe qual é o programa além de retirar o aeroporto da Portela e de colocar lá um jardim [jardim que alguns candidatos já disseram ser a maior mentira do século, e cuja verdade seriam os projectos imobiliários manhosos do costume]. E a vitória para o PS seria o expandir da famosa frase 'uma maioria, um governo, um presidente' para 'uma maioria, um governo, um presidente, uma capital'. O próximo passo é o Porto?
O PSD foi buscar um 'independente', ex-chefe da polícia, o juiz Negrão, que além da confusão EPUL/EPAL, IPPAR, etc., não tem qualquer carisma e pelo que se percebe, e a acompanhar COsta, a ausência de um programa coerente, e apenas o argumento de 'estabilidade' e de 'ordem' na Câmara. Porém, como se tem visto em casos como o de Oeiras e Isaltino Morais, os cidadãos querem resultados e não querem saber se isso é com ordem ou desordem. O que desde que não ultrapasse os limites, até pode ser razoável -- pode haver alguma desordem se o resultado for positivo [desde que a desordem não seja alguém fugido à justiça ou claramente corrupto] pois o facto de ter um ar arrumadinho [veja-se Marques Mendes] nada indica sobre a obtenção de bons resultados.
O PCP aposta em Ruben de Carvalho, cuja falta de carisma assombra os resultados, sobretudo quando tem ao lado Sá Fernandes e Roseta, que lhe 'roubarão' alguns votos [e muitos mais 'roubarão' ao PS]. Foi importante ter relembrado que o activo da CML é imensamente superior ao seu passivo e que portanto, em termos contabilísticos, a CML não está falida, como alguns querem fazer crer, no habitual discurso 'luso-fatalista', onde a mania dos défices parece justificar as medidas mais horrendas e o abafar de direitos constitucionais. É também sua a proposta -- velha mas muito útil -- de metro no aeroporto e de uma autoridade metropolitana de transportes que regule a estrutura e qualidade dos transportes públicos na cidade e no acesso a ela.
O PPM apresenta Câmara Pereira que apesar dos disparates que por vezes diz, e de um discurso pouco articulado [o que talvez o torne o candidato 'duh' AKA tecla3], tem dois pontos muito positivos -- reconhece [algo semelhante ao PCP] que o programa é o mesmo de sempre, e opõe-se [com todo o apoio de Lorenzetti e, pelo que vi das últimas sondagens, da maioria dos Lisboetas] a nova construção, até que seja recuperada a já existente. Esta devoção ao património é um grande trunfo do PPM. Negrão, por exemplo, já afirmou -- no debate da RTP -- que não iria parar a construção.
Roseta surge como um reavivar do espírito de uma 'campanha Alegre' vivida nas últimas presidenciais, e tem sido sem dúvida a candidata mais inteligente destas eleições, como se tornou claro no debate a 12 na RTP. A aplicação da 'acupunctura urbana' foi ar fresco e um método necessário em Lisboa, que tem de renovar o seu património já, sob o risco de perdê-lo.
Garcia Pereira candidata-se como sempre, com a já [in]famosa frase 'são sempre os mesmos que falam, estão-me a cortar o tempo' e é de louvar o seu plano estratégico para um porto a sério em Lisboa, e para a reestruturação dos acessos ferroviários à cidade e [em colaboração com o Governo evidentemente] ao país.
O MPT apresentou propostas muito simpáticas e parece ter-se preparado bem -- ou pelo menos reduziu o discurso àquilo que preparou, o que não deixa de ser mais feliz que a maioria dos candidatos]. A ideia de transferir parte das receitas das portagens de acesso a Lisboa para a CML são positivas [e uma 'congestion charge' mais justa, pois é cobrada 'como acesso' e não como 'assinatura']. Provou que não é necessário mais um aeroporto, pois os slots da Portela [disponíveis no site da ANA] estão quase todos disponíveis. Referiu ainda a igualmente verdadeira, inconveniente realidade da inexistência de inventariação do património camarário. Como é possível governar uma cidade sem saber o que tem a sua câmara? E como é possível avaliar a dívida e negociar empréstimos e afins sem saber a posição financeira real da cidade enquanto devedor?
O CDS esteve no seu pior e a ausência de ideias, associada a um caciquismo mal educado e desagradável, nada expectável de quem se afirma conservador, era dispensável. Continua sem se perceber se o candidato é Telmo Correia ou Paulo Portas Reloaded.
O Bloco de Esquerda mantém a política do 'não' e a contestação parece não estar sustentada por nada de substancial. Se é certo muito do reclamar, é também evidente, e como frisou a sofrível moderadora do debate na RTP, já ninguém quer diagnósticos, porque os fez enquanto cidadão, querem-se soluções. E não basta boa vontade.
O PNR teve piada pelo estilo, embora o conteúdo seja discutível [sobretudo o ódio aos gays e afins] e aquilo que todos sabem ser a ideologia por trás do partido em causa. È igualmente impressionante o ódio que parece sair dos olhos e do discurso do candidato [hate speech?]. É interessante o facto de ser antisistema, e subtis alguns dos seus argumentos, mas o problema é que a alternativa que apresenta não servir a todos e implicar a exclusão de parte da sociedade ['gays e afins']. É no entanto correcto que exiete um lobby gay e que a CML não deve apoiar manifestações gay. Mas não porque sejam antinatura ou outra das razões apresentadas pelo PNR. Tão simplesmente porque a sexualidade nada deve ter a ver com a câmara, e porque os gays não são, nem devem ser, uma causa pública, mas uma opção privada de quem quiser e com os seus fundos.
Manuel Monteiro continua no PND como one man show, e parece um mix PNR / MRPP. PNR pela ideologia, MRPP pelo estilo. Pelo que bastará ler o que se escreveu acima. É bom ter ideologia, e Monteiro têm-na, mas falta o resto. Mudar de óculos não foi suficiente.
Não sei quem vai 'ganhar' nestas eleições. Mas todos sabemos que a cidade vai perder tudo o que tem se não se recuperar o seu património histórico. Que é tudo aquilo que lhe resta.
imagem: Noticia estadistica de Lisboa [Material cartográfico : ou breve notícia das cousas mais notaveis que Lisboa contem e planta da cidade de Lisboa.... - Lisboa : Oficina de Stª. Cathª., 1834. - Not. em 5 tábuas, metidas em caixa de cartão, na Biblioteca Nacional.
Com o dramatismo do costume, o advogado e membro do 'Bloco de Esquerda' José Sá Fernandes dizia 'a Câmara caiu'. Era o Jornal 2, na RTP2.
As notícias sucediam-se. Todos os vereadores pediram a demissão, tirando dois do PSD que têm o mandato suspenso por estarem envolvidos em processos judiciais, e em circunstâncias pouco agradáveis. E o Presidente Carmona [não o Marechal, mas o substituto de Santana Lopes] parece ir no mesmo caminho. Esperemos que o seu desaparecimento da cena política autárquica não seja também um desaparecimento da vida judicial...
A Câmara de Lisboa tem agora três mulheres possíveis, o que não deixa de ser curioso num pais ainda machista: Ferreira Leite, Nogueira Pinto e Roseta.
E claro, um Santana Lopes que reaparece como um strobe do Stones.
E quem sabe, Carrilho volta a aparecer com a modelo-mulher [não confundir com mulher-modelo] e com o filho, que protagonizou anúncios de campanha, como se recordarão...
Mais uma vez, vamos ter eleições em Lisboa. E mais uma vez irão votar poucas das pessoas que de facto vivem em Lisboa [porque a maioria dos que vivem na cidade, trabalham nela, apesar de não residirem nela]. Falámos disso anteriormente.
Para quando o direito de voto alargado a todos os que trabalham na cidade, algo perfeitamente justificável, pois trata-se da principal cidade do país, onde quem vive na cidade não tem direito de voto, pelo simples facto de não dormir nela?
Isso parece-me bem mais importante do que discutir o carro de Santana Lopes, ou os episódios de campanha em que Carrilho não aperta a mão a Carmona e Carmona lhe chama 'grande ordinário'.
Porque o resto são politiquices.
E na verdade Lisboa precisa de votos úteis de cidadãos úteis. Não só os que dormem na cidade, mas os que nela trabalham todo o dia ou noite e portanto a vivem.
E de votos e candidatos que tragam boa gestão financeira mas sobretudo sensibilidade urbanística. renovação urbana, boa arquitectura, ocupação de edifícios, actividade cultural, redução do crime.
É assim tão difícil? Não parece. Pelo menos se não se perdessem em discussões [discussõezinhas?] camarárias irrelevantes entre partidos ou dentro de partidos.
Porque é que não vai haver uma Presidente de França.
Será?
Ségoléne Royal teria todas as condições para ganhar. É um rosto novo, não é feia [o que certamente deve dar muita conversa de cabeleireiro e muito vídeo no X Tube] e, claro, seria uma hipotética Primeira Presidente e logo uma candidata natural para as mulheres de esquerda e de direita moderada ou, pelo menos, não machista.
Mas julgo que não vai ser assim. O palpite de Lorenzetti é que Ségoléne não vai ganhar porque foi mal apoiada, sendo a consequência disso muitas gaffes discursivas.
Falta a Ségoléne aquilo que Le Pen tem de positivo: talento [ou peno menos bom apoio de backoffice] discursivo. Deu muitas ‘gaffes’.
Tal como os que não falam se safam, porque não falando não dizem asneiras (mesmo que as pensem e que não tenham nada de valor), Ségoléne a chumbar é por faltas.
O povo gosta de candidatos certinhos. É conservador no sentido em que gosta de candidatos previsíveis, mesmo que seja para o mal. É provavelmente por isso que candidatos como Fátima Felgueiras ou Isaltino Morais ganham eleições.
Ségoléne falou muito e quando falou deu gaffes.
E não tem uma experiência política que a apoie. Ninguém dirá ‘desta vez foi azar’. Porque não há ‘vezes anteriores’, pelo menos conhecidas do eleitorado. A menos que o centro se concentre em Royal por por duas razões: a escolha de um PM transversal, como Strauss-Kahn; a viragem à esquerda, depois de 12 anos de Presidentes de direita e tendo em conta as dúvidas de alguns sobre o futuro da segurança social com Sarkozy vs. o apoio do povo francês às prestações sociais.
Sarkozy terá os votos da esquerda que não gosta ou não acredita em Ségoléne.
Sarkozy terá os votos do centro ou dos indecisos, que não confiam na dama das gaffes.
Sarkozy terá os votos da direita não porque seja um bom candidato, mas porque é o único [numa diferença de uns 7 pontos, disse-me ontem uma... francesa!] à direita próximo de Ségoléne nas sondagens.
Le Pen, nas últimas eleições, teve 17.79 pontos na segunda volta. Os seus consultores de imagem e discursos rendem. Os de Ségoléne não. E ela só precisava de uns 5 pontos. Não de 17.
Mais uma vez, com Timor Leste. De acordo com a imprensa portuguesa citando a Comissão Nacional Eleitoral de Timor, o número de votos em Baucau foi três vezes superior aos eleitores.
E de acordo com o Público de hoje, 'Ontem, as autoridades admitiam “irregularidades muito graves” em 59 das 113 secções de voto de Díli, havendo também “situações muito complicadas” nos distritos de Aileu, Ainaro e Bobonaro'.
Como se já não tivesse sido extraordinário o facto de o rosto da CNE ser do clero [Padre Martinho Gusmão] e ter [!] indicado o seu sentido de voto no dia 4 de Abril, antes das eleições.
E também a disponibilidade do Presidente ['Xanana' Gusmão] para ser Primeiro-ministro, tendo sido precisamente aquele que o demitiu...
Se Portugal quiser ficar bem nas estatísticas pode deixar de se comparar à Irlanda e usar Timor como modelo...
Houve quem tomasse como 'fortes' as observações de Lorenzetti a Cavaco Silva.
Como sempre, nada daquilo que aqui se diz é pessoal, tal como não é intransmissível...
Cavaco Silva pode ser óptima pessoa, pode até não ser arrogante, mas sim gentil e encantador, óptimo pai de família. Esse é um facto privado que em nada nos interessa.
O problema não está no personagem; está no eleitorado.
O eleitorado ignorante [mais de 50% dos maiores de 65 anos em Portugal é analfabeto absoluto, não apenas funcional] comprou o sabonete que o marketing PSD-PP vendeu, com um sucesso que merece felicitações.
Não se entenda com isto que há aqui qualquer complexo quanto ao sufrágio universal: ele é a pedra de toque da democracia.
Porém, não podemos ignorar a ignorância.
Ela existe. Desde logo nos eleitores. E agora na Presidência.
Não temos nada contra Cavaco Silva. Temos pena que não tenha tido uma formação cultural e humanística adequada, da qual dependeria o seu perfil para Presidente e, porventura, a sua completude enquanto ser humano.
E lamentamos a ignorância que grassa em Portugal, sem que com isto nos coloquemos num palácio de marfim.
The last Presidential election in Portugal [last January 22nd] proved once more that Portugal, as many other European States [for the least] lacks a new generation of strong political leaders.
One might say that this has always happened and that electors are simply more demanding.
In any case, the Portuguese King D. Sebastião de Portugal, which disapeared in a military campaign within the Portuguese conquests which took place in northern Africa in the 16th century is still a present image [a metaphor, obviously], for the almost divine salvation of the Portuguese Nation: his return in a white horse, covered by mist and mistery.
As it is made obvious, H.H. D Sebastião de Portugal will not return and one even ignores if H.H. would be the answer for all our problems.
In any case, one must find new leaders and it was mentioned here some weeks ago, the two main candidates for the Presidency have already assumed relevant positions as leaders of Government and, in one case [Mr. Soares], as a President for two mandates.
We do value experience, but we also value expertise.
Representation is the upmost feature of a President and it is thus demanded a strong fibre in moral terms and image towards the world [which clearly includes sound preparation for social venues and relationships and the sense of compromise].
Is Mr. Silva up to it?
In nowadays Europe, everything seems possible. Let us try and trick the probabilities by investing in Education and Culture. Please prioritise. Resources and time are limited and one wants sharp results. Our wanted result is better quality of life for all. Are you in?
A petite grande question da sobreposição Sócrates / Alegre [ou, como referem alguns, PMinistro / segungo candidato mais votado na Presidenciais] merece melhor análise.
Com efeito, ninguém nega a sobreposição: o Primeiro-Ministro [ou líder do PS, como queiram] fez declarações sobre os resultados das eleições presidenciais antes de os candidatos, eles próprioas, as fazerem.
Pior: entrou a meio do discurso de um candidato que [por sinal?] era o segundo candidato mais votado e [também por sinal?] é do PS e que [já são sinais a mais] se cadidatou à margem do apoio do PS e [que confusão de sinais] tem posições mais radicais quanto ao actual Governo de Portugal do que o alegado candidato da direita.
José Sócrates diz que não quis sobrepor-se, que não sabia que o candidato Manuel Alegre ia a meio do seu discurso.
Para não saber, é porque o seu staff é muito mau.
Qum assessora o Primeiro-Ministro / líder do PS?
Das duas uma: ou os assessores estavam a dormir [e devem tirar-se daí todas as consequências -- leia-se demiti-los e responsabilizá-los tanto quanto possível] ou a interrupção foi deliberada.
Qual a pior para a democracia?
Provavelmente uma terceira hipótese, que é a mais realista: vai ficar tudo na mesma.
A antecipar as discussões de Domingo, há três questões práticas a colocar quanto ao futuro Presidente da República:
I. Irá residir para Belém?
II. Irá desempenhar o cargo com dignidade, designadamente em matéria de política externa?
III. O que irá mudar na política interna?
Há duas correntes de 'opinião' quanto à residência em casas oficiais:
1. É chique, é aproveitar! 2. É saloio, que disparate!
Por aqui não achamos chique nem saloio, achamos que faz parte do cargo que, caso contrário, não incluiria uma residência oficial.
Não residir na residência oficial é pois incumprir os deveres do cargo.
Está tudo dito.
E em termos de política externa? Será que o próximo Chefe de Estado desempenhará com dignidade o cargo, representando de forma sóbria uma Nação com quase mil anos de história? Conhecemos várias histórias de vários candidatos e isso ajuda ao nosso sentido de voto quanto a este aspecto. Podemos usar aquele critério simples e eficaz quando se trata de um cargo de forte componente diplomática e social: não votemos em alguém que nos embaraçasse caso o convidássemos para jantar em nossa casa. E perguntemo-nos, caros co-eleitores: convidaríamos qualquer um dos cinco candidatos a jantar nas nossas casas? Claro que não. Da mesma forma, não nos sentiríamos bem em ser representados por tal indivíduo no exterior. É a nossa imagem que está em jogo. E à mulher de César não basta sê-lo... E ao Chefe de Estado, passe a expressão, a nossa 'mulher' e a 'mulher' da nossa Pátria, não basta ser mulher de Portugal (César)... Tem de parecê-lo e comportar-se com dignidade. Pois uma Nação fundamental na civilização ocidental, como é a nossa, tem de dar o exemplo, ser exemplar. E não motivo de chacota e desilusão. Cuidemos pois de eleger um representante digno. E para isso, bem sabemos, de nada serve um doutoramento. A verdadeira educação social está em casa, na academia está a formação profissional.
E o que irá mudar na política interna? Provavelmente nada, dada a ausência de poderes do Presidente neste aspecto, salvo a famosa bomba atómica, as mensagens ao Parlamento e o poder de influência em termos de opinião pública e através da comunicação social. Como 'provedor' dos Portugueses, e porque estamos em democracia, o Presidente não vai, pois, alterar o expectro político.
O critério de voto, por estes lados, é pois simples: um homem capaz de gerar consensos, não belicoso, com uam educação que lhe permita representar Portugal de forma digna.
No seu íntimo, os Portugueses sabem quem [não] tem estas características.
A responsabilidade pelo que suceder é vossa, não é dele.
Não sabia o título a dar a este post; tudo parece populista e baixo, tão vil como a forma que envolveu o fim de um cidadão exemplar.
Curvo-me perante o académico, político e intelectual António de Sousa Franco.
Mas, sobretudo, medito agora com alguma frieza sobre as circunstâncias que envolveram o seu desaparecimento.
Foi a única vez que ouvi e concordei com José Saramago, autor que -- mea culpa -- nunca li.
Pois foi o único a reflectir aquilo que eu chamaria a última lição -- infelizmente involuntária e algo póstuma -- do Professor Sousa Franco.
Uma lição que culmina num aviso sobre questões de fundo: onde estamos social e politicamente? Como foi possível a barbárie, o caciquismo da low politics, associada a uma candidatura a cargos em instituições comunitárias? O que passaria pela cabeça de quem (todos incluídos, sem excepção) estava no local? E de quem não estava (alguma autoridade pública)? E de quem já não está, mas ainda permanece algures (os dois protagonistas locais)?
Meditemos sobre a política que temos, conquanto esta reflecte a moral que nos falta, por acção ou omissão, e aquilo que somos enquanto pessoas. Que, por mero acaso, vivem no mesmo país.