02 setembro 2007

'O melhor que os políticos fazem ao sábado de manhã'


era um titulo intrigante do DN.

E cita Socrates: ''É disto que o País precisa, de pessoas com coragem e com vontade de aprender', dizia Sócrates, constantemente', dando o flanco a piadolas sobre a sua 'vontade de aprender' e a controversa licenciatura numa universidade privada portuguesa chamada 'independente'.

Em boa verdade, o artigo acabava com a deliciosa frase 'Ovação em vez de vaias: esta deslocação a Elvas, um dos maiores bastiões socialistas no Alentejo, o primeiro-ministro foi recebido pela população que o aguardava com uma enorme ovação, em contraste com os apupos de que tem sido alvo nos últimos tempos em deslocações a outros pontos do País'.

Desta vez, Socrates percebeu que quando se tira [salarios ou reformas ou hospitais] as pessoas protestam, e o Governo / PS cai nas sondagens.

Quando se da, sobe.

Essencialmente, o principio basilar do famoso pai natal de Gondomar. Se nao podes vence-los, junta-te a eles [vendo bem, Socrates ja foi da JSD, e ideologicamente nada parece ter mudado].

E assim o Governo distribui computadores.

Mesmo que depois nao avalie como vao ser usados.

Porque nao basta dar computadores. E preciso saber se vao ser bem usados.

Genero emails e sites com pornografia ou jogos idiotas, ou chats duvidosos, ou download ilegal de musica.

Powered by Governo Portugues.

Bela aprendizagem.

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05 maio 2007

o Essencial do HipHop é o Acessório


Recentemente fui a um club de hiphop em Londres. E fiquei a pensar no assunto.

Havia uma coisa chamada rap, há uns tempos. E antes disso, na Jamaica dos 60s onde a expressão MC era mesmo mestre de cerimónias, no caso, cerimónias populares.

A coisa era de rebeldes, alguns com cérebro, que até tinham algumas letras provocantes E interessantes. E veio o funk... e o break...

Mas depois apareceu um termo chamado gangsta rap [Tupac e Notorious B.I.G. foram os grandes protagonistas, inclusive com a própria morte] e depois o hiphop. A provocação continuava, mas sem interesse.

As cerimónias tinham acabado e a revolta contra a pobreza também. Agora o bom era ser [novo] rico e abusar do poder através do sexo [as chicks passaram a ser bitches] e o sonho de igualdade deu lugar à progressão a todo o custo ['get rich or die try'in'], onde as armas são uma ajudinha. Tinha de ser ser 'mauzão'.

Mais tarde, quando só restava a provocação, esta passou a ser banal.

Era a antítese. Já ninguém tinha medo ou pelo menos achava peculiar um bando de indivíduos que diziam 'asneiras' e cuspiam para o chão [mesmo dentro de edifícios] e vestiam 3 números acima, com especial predileccção para roupa 'desportiva', a bem dizer de equipas de basket norte-americanas e coisas assim.

A certa altura a roupa não restava. As letras não falavam de política, mas de violações e assassinatos feitos por pura piada.

Sem roupa, restavam os acessórios.

O Essencial tinha desaparecido.

Agora é só Acessórios: os brinquinhos brilhantes, os bonés de lado, os ténis brancos, as calças de ginásio de subúrbio, os lencinhos brancos debaixo dos bonés, as meias em cima das calças... e claro, o peito a descoberto com umas quantas tatuagens e cordões de ouro.

Mas o 'yô yÔ', a roupa larga, os gestos inexplicáveis com dedos e braços e o 'ser javardolas é bom, e eu sou um granda dread' cansam. Para não falar das secantes palmadas no traseiro.

Será interessante ver qual o efeito de vídeos e fotografias desta 'gente' hoje nas suas vidas, quando tiverem uns 30 anos.

Como todas as modas, esta está a chegar ao fim, a menos que -- pela suas características tão 'próprias' -- seja suicida. Pelo menos cerebralmente falando...

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27 fevereiro 2007

Open up...




they were looking for me when I came to
they were looking for me when I came back
said hey you, you're looking very suspicious
I said relax man get off my back
I said relax man get off my back

I, I, I ain't opposed to seeking justice
but you're going about it all wrong
the man you're looking for does not exist
he's just a figment of the higher man's tounge

[CHORUS:]
and they say
open up we're comming inside
you can't run so you may as well hide
we got the place covered from head to toe, head to toe
open up we're comming inside
what's it feel like to know you're going to die
on the other side of the row
on the other side of the row

so they took me down to the gallows
and this boy he say to me
why do you smile when the rope's around your neck
I said I tell you boy when I get back
I said I tell you boy when I get back

I, I, I ain't opposed to seeking justice
but you're going about it all wrong
the man you're looking for does not exist
he's just a figment of the higher man's tounge
he's just a victim of the higher man's tounge

[CHORUS]

hands above your head
que le via bien
step out of line we'll and fill you with lead

how are we to know that your not a liar
don't you see whe have a job to do
and our job is the law
you fit the description of a criminal crosser
we believe that he is you and that is your flaw
that is your flaw...
that is your flaw...

and they say
open up we're comming inside
you can't run so you may as well hide
we got the place covered from head to toe, head to toe
open up we're comming inside
what's it feel like to know you're going to die
on the other side of the row
on the other side of the row




'Open Up'
DISPATCH [2oo4] Bang Bang

PS - eu sei que a capa é má. Mas o disco não.

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Tosca



Não é nenhum momento operático. É mais ambient funk e delicate dub, num swing muito nu-jazzy. Nunca gostei de definições.

É o grupo que Lorenzetti está a descobrir esta semana e que recomenda: 'a low world according to chocolate elvis in a town called vienna'.

TOSCA é um projecto da fantástica G-Stoned, uma discográfica que reúne pequenos génios como Peter Kruder e Richard Dorfmeister [a fantástica dupla Kruder&Dorfmeister, que 1993 deu o boost à G-Stoned...].

No caso concreto, TOSCA resulta da dupla Richard Dorfmeister + Rupert Huber.

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Nobody can relax at concerts, the musicians or the people either.

You can't do anything but sit down, you can't move around, you can't have a drink.

A musician has to be able to let loose everything in him to reach the people.

If the musician can't relax, how is he going to make the people feel what he feels?

The whole scene of jazz is feeling'.


Miles Davis
Entrevista à Playboy
Setembro de 1962

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Música, Igrejas e 'Elites'


Entre outras coisas, diz Miguel no Blog do Piano que 'O que antes se limitava ao órgão fora substituído pela guitarra, bateria, baixo e piano. Tenros néscios. Aos poucos, os arquétipos estéticos e musicais alteraram-se e comecei a deixar o entusiasmo adormecer. Soltou-se uma toada funk e as congestões foram imediatas. A aconchegar o sono descontrolado estão as recomendações que os dirigentes dos coros debitam com devoção e credulidade. Nunca o apelo à sinceridade se tornou tão chato, tão irritante, tão intrusivo (um dia explanarei este tema). Ir à igreja possibilita a inquietação mas não aquela - a minha - inquietação. Tenho saudades do dirigente que apenas introduzia canções. Saudades do peso congregacional dos hinos. Saudades do uníssono brutal. Saudades do órgão. Acredito no órgão.'
Estas observações fizeram-me recordar uma recente e acesa discussão com um amigo meu, com a presença de um terceiro algo embasbacado.

Esse meu amigo é um católico fervoroso [adoro ter a ocasião de usar estas expressões].

É fervoroso também na música [aí já temos mais em comum].

No entanto não é um sujeito convencional.

Tem aquelas deliciosas contradições humanas, que nos tornam dignos de interesse. Gosta, por exemplo, dos poemas cantados de Manuel Alegre, apesar de ser, politicamente, de direita bem vincada.

E foi com ele que comprei discos dos Garbage, numa altura em que era mais dado ao jazz e à 'clássica'. Entretanto enveredei pela electrónica...

Ele [chamemos-lhe Wally] ficou escandalizado quando percebeu que me desagrada bastante ter-se esquecido a música clássica nas igrejas portuguesas, o local por excelência para ouvir Bach, Carlos Seixas, Charpentier, Morales, Häendel, Monteverdi, entre tantos, tantos clássicos.

Não digo -- nunca disse e espero não ser louco para pensá-lo -- que só de deve interpretar temas clássicos de forma clássica.

O que digo é que esses também existem. Não é só a guitarra e os coros juvenis da paróquia, por muito que isso seja importante para os próprios.

E há que equilibrar a balança.

Wally chamou-me elitista. Discordei.

Porque não fui eu que tirei essa música das igrejas e a pus em salas de concerto caras.

Foi a igreja. Foram pessoas como o Wally, que dirigem grupos corais de paróquias por este país fora.

Esqueceram séculos e séculos de música quase perfeita a favor de guitarradas que têm o seu lugar, mas não deviam ocupar todo o espaço.

Muito gostaria de ouvir novamente os clássicos nas igrejas.

Não vejo nisso elitismo. Pelo contrário, é democratização, aumento do acesso à música que alguns, estupidamente, chamaram 'erudita'.

Alguns que a tiraram do seu local natural, as igrejas.

Esses sim, são elitistas. E pior, ignorantes obscurantistas.

Wally, não te confundas com eles. Afinal, és meu amigo. E não foi por acaso que te tornaste um.

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'Guillaume Dufay was the composer charged with writing music for the Duomo's consecration ceremony on 25 March 1436' (I)['Nuper Rosarum Flores' [A Rosa Desabrocha].


'No only do the mensurations in the four sections have a proportional relationship of 6:4:3:2 [like the cathedral and its dome], but the number of tactus in each of the sections is the same as the number of braccia [the Florentine unit of measure] contained in the modular scheme based on twenty-eight braccia squares... What is more, there are twenty-eight breves in each of the two-voice and four-voice subsections of the motet, which means that the 'module' of the motet is the same as that of the catedral'. (II)

(I) David MAYERNICK [2003] Timeless Cities, An Architect's Reflection on Renaissance Italy, Boulder, CO: Westview Press
(II) WARREN [1973] Brunelleschi's Dome

Imagem: Catedral de Florença

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13 fevereiro 2006

Disco Sound


'Disco is the best floor show in town. It's very democratic, boys with boys, girls with girls, girls with boys, blacks and whites, capitalists and Marxists, Chinese and everything else, all in one big mix'

Truman Capote, London Review of Books, 6.1.2ooo

E assim foi na festinha 70's revival do & no Paradise Garage, Lx.

Shake that ass...

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