05 maio 2007

o Essencial do HipHop é o Acessório


Recentemente fui a um club de hiphop em Londres. E fiquei a pensar no assunto.

Havia uma coisa chamada rap, há uns tempos. E antes disso, na Jamaica dos 60s onde a expressão MC era mesmo mestre de cerimónias, no caso, cerimónias populares.

A coisa era de rebeldes, alguns com cérebro, que até tinham algumas letras provocantes E interessantes. E veio o funk... e o break...

Mas depois apareceu um termo chamado gangsta rap [Tupac e Notorious B.I.G. foram os grandes protagonistas, inclusive com a própria morte] e depois o hiphop. A provocação continuava, mas sem interesse.

As cerimónias tinham acabado e a revolta contra a pobreza também. Agora o bom era ser [novo] rico e abusar do poder através do sexo [as chicks passaram a ser bitches] e o sonho de igualdade deu lugar à progressão a todo o custo ['get rich or die try'in'], onde as armas são uma ajudinha. Tinha de ser ser 'mauzão'.

Mais tarde, quando só restava a provocação, esta passou a ser banal.

Era a antítese. Já ninguém tinha medo ou pelo menos achava peculiar um bando de indivíduos que diziam 'asneiras' e cuspiam para o chão [mesmo dentro de edifícios] e vestiam 3 números acima, com especial predileccção para roupa 'desportiva', a bem dizer de equipas de basket norte-americanas e coisas assim.

A certa altura a roupa não restava. As letras não falavam de política, mas de violações e assassinatos feitos por pura piada.

Sem roupa, restavam os acessórios.

O Essencial tinha desaparecido.

Agora é só Acessórios: os brinquinhos brilhantes, os bonés de lado, os ténis brancos, as calças de ginásio de subúrbio, os lencinhos brancos debaixo dos bonés, as meias em cima das calças... e claro, o peito a descoberto com umas quantas tatuagens e cordões de ouro.

Mas o 'yô yÔ', a roupa larga, os gestos inexplicáveis com dedos e braços e o 'ser javardolas é bom, e eu sou um granda dread' cansam. Para não falar das secantes palmadas no traseiro.

Será interessante ver qual o efeito de vídeos e fotografias desta 'gente' hoje nas suas vidas, quando tiverem uns 30 anos.

Como todas as modas, esta está a chegar ao fim, a menos que -- pela suas características tão 'próprias' -- seja suicida. Pelo menos cerebralmente falando...

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27 fevereiro 2007


'What now? Let me tell you what now.

I'ma call a couple of real hard, pipe-hittin' niggas to go to work on homes here with a pair of pliers and a blowtorch.

You hear me talkin' hillbilly boy? I ain't through with you by damn sight.

I'ma get medieval on your ass...

Two things:

One, don't ever tell no one about this.
This thing here is between me, you and mister "soon to be living the rest of his short-ass life in agonizing pain" rapist here.

Two, you leave town tonight, and when you're gone, you STAY gone or you'll BE gone.
You lost all your L.A. privileges'


Pulp Fiction

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