09 março 2008

Manifestações em Lisboa.



Apesar do terrível tempo e de ser sábado e não propriamente dia de greve à semana, a manifestação de professores foi afinal um sucesso, excedendo em 30,000 pessoas a previsão de 70,000, chegando pois ao record de cem mil pessoas, que a Euronews apresentou como a maior manifestação de professores de sempre em Portugal.

A elevada participação, a forma e o conteúdo das declarações dos participantes, fez com que nenhum comentador político apoiasse o PS, Sócrates, o Governo, como se preferir, na acusação ridícula de que eram manifestações de comunistas [acusação disparatada, em que Sócrates ainda se associa mais ao espírito salazarista do que já lhe era atribuído, sobretudo nas vaias ao Ministro da Presidência, chamado de fascista pela população].



Se fossem comunistas, com tal adesão, já o PCP estaria em alta nas sondagens o que não é de todo o caso, até porque ou Jerónimo de Sousa anda calado, ou a comunicação social já não o deixa falar.



Destaque ainda para o Eixo do Mal, que ainda repete esta tarde, onde se fizeram análises bem interessantes da realidade política nacional. Em especial, referência à cristalina análise de Clara Ferreira Alves, que coloca os pontos já referidos no Lorenzetti sobre como o PSD está fraco e como sem oposição o PS faz o que quiser, sem qualquer controlo limite ou expectativa de viragem eleitoral [não tendo o PSD Ethos, mas muita Pathos, sobretudo bravos...].



E ainda referência à observação cómica de José Júdice quanto à entrada excepcional de 2000 polícias: para o Ministro da Administração Interna parece ser uma medida de acalmia da população face aos recentes crimes nos jornais; José Júdice sugere que é uma óptima medida para garantir que há polícias suficientes para as próximas manifestações... assim visitam mais escolas antes...

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25 fevereiro 2008

A espera e o barrote


Um jornalista ou comentador desportivo chamado Rui Santos foi aguardado por 4 indivíduos, 3 dos quais terão tentado agredi-lo com uma barra de ferro quando este se encontrava junto ao seu carro no parque de estacionamento da SIC.

Não percebo nada de futebol e não fço ideia quem é este senhor, mas seja quem for não é aceitável que numa democracia se façam esperas e que haja espancamentos.

Isto reforça a tese do défice democrático em Portugal -- que não se faz apenas por decreto nem Constituição -- e também da chamada crise civil iminente.

Há quem se mova em Portugal como se de uma quinta de tratasse, e como de um caseiro se tratasse. E não é necessariamente people in high places: basta ser um qualquer gang do submundo. Uma espécie de Moe armado 8não o do bar do Homer, mas o da escola do Calvin). E Portugal está cheio deles.

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07 setembro 2007

O povo na televisão ?



A democratização da TV portuguesa começou com programas como o 'Praça Pública', da SIC, em que se discutiam problemas tão prosaicos como importantes para os portugueses, como o buraco da rua XPTO.

Hoje temos programas onde todos telefonam e berram à vontade. Género catarse.

Podia ser melhor; podia ser uma verdadeira [idílica? utópica?] maresia de opiniões, argumentos, discussão produtiva e inteligente com troca de experiências e aumento de resultados.

Mas não.

É, essencialmente, um saco de boxe, onde um jornalista desgraçado apanha com telefonemas de boys [ou forever-wannabe boys] de partidos, e/ou de maluquinhos, e/ou de pessoas que ainda não perceberam que Portugal é uma democracia constitucional, onde a polícia não pode espancar pessoas, onde os professores até são pessoas, onde os funcionários públicos não são todos ineficientes e malandros, onde os sindicatos não são oportunistas, onde nem todos os empresários são honestos, onde nem todos os políticos são tachistas e corruptos.




O espectador-tipo que telefona para esses programas é, no mínimo, um português reaccionário ou uma dona de casa ressabiada. Um pseudoempresário que acha que o recibo verde é bom e igual para todos, sejam trabalhadores independentes ou não. Onde os esquerdistas comem todos criancinhas ao pequeno almoço e onde o PNR é bom porque diz aquilo que 'os portugueses pensam mas não dizem'. Um reformado que acha que a pena perpétua é coisa fraca e que a pena de morte é que é boa.

Preocupa-me o ódio e o tom básico e simplista com que falam os telespectadores, que parece resultar de um qualquer trauma que ultrapassa a questão do analfabrutismo nacional e ser sintomático no submundo deste país, que é o meu.

Ódio à função pública, aos políticos, aos sindicatos, aos emigrantes. Ódio à vida em geral.

Será que isto nunca mais acaba?

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