09 março 2008

Manifestações em Lisboa.



Apesar do terrível tempo e de ser sábado e não propriamente dia de greve à semana, a manifestação de professores foi afinal um sucesso, excedendo em 30,000 pessoas a previsão de 70,000, chegando pois ao record de cem mil pessoas, que a Euronews apresentou como a maior manifestação de professores de sempre em Portugal.

A elevada participação, a forma e o conteúdo das declarações dos participantes, fez com que nenhum comentador político apoiasse o PS, Sócrates, o Governo, como se preferir, na acusação ridícula de que eram manifestações de comunistas [acusação disparatada, em que Sócrates ainda se associa mais ao espírito salazarista do que já lhe era atribuído, sobretudo nas vaias ao Ministro da Presidência, chamado de fascista pela população].



Se fossem comunistas, com tal adesão, já o PCP estaria em alta nas sondagens o que não é de todo o caso, até porque ou Jerónimo de Sousa anda calado, ou a comunicação social já não o deixa falar.



Destaque ainda para o Eixo do Mal, que ainda repete esta tarde, onde se fizeram análises bem interessantes da realidade política nacional. Em especial, referência à cristalina análise de Clara Ferreira Alves, que coloca os pontos já referidos no Lorenzetti sobre como o PSD está fraco e como sem oposição o PS faz o que quiser, sem qualquer controlo limite ou expectativa de viragem eleitoral [não tendo o PSD Ethos, mas muita Pathos, sobretudo bravos...].



E ainda referência à observação cómica de José Júdice quanto à entrada excepcional de 2000 polícias: para o Ministro da Administração Interna parece ser uma medida de acalmia da população face aos recentes crimes nos jornais; José Júdice sugere que é uma óptima medida para garantir que há polícias suficientes para as próximas manifestações... assim visitam mais escolas antes...

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11 novembro 2007

O BES e Ronaldo, 'o futebolista português com o ar mais rufia e suburbano'

Em 19.1o.2oo7 fizémos referência ao alegado 'ar mais rufia e suburbano' de Cristiano Ronaldo referido no Eixo do Mal:



O programa da SICNotícias referia-se em particular ao facto do BES, um banco 'tradicional' português, ter escolhido para dar a cara' pelo Banco -- no entender do repórter no vídeo acima -- 'o futebolista português com o ar mais rufia e suburbano'.

Esta semana passou-me pelas mãos uma fotografia de Cristiano Ronaldo num colchão em cima de um relvado, fotografia essa que ilustra um anúncio do BES enviado aos seus clientes base.

Diz a ilustração da imagem 'Fixe esta imagem durante alguns instantes. O que é que aconteceu? Nada. Porquê? Porque o Ronaldo é como o dinheiro, parado não rende. Ponha o seu dinheiro a mexer [...]'.

E para subscrições superiores a 2500 euros, há 'oferta de um dvd do Cristiano Ronaldo', mas claro, 'limitado ao stock existente'.

Que excitante.

NOT.

Até o Expresso, outrota 'jornal e referência' publicou um vídeo intitulado ' aNa Cama com Cristiano Ronaldo':



A capa do DVD vem até no anúncio: Ronaldo, bronzeado [aliás, mildly tanned], o título 'Planeta Ronaldo: a ambição de ser o melhor' e um rodapé 'Edição especial Banco Espírito Santo', com o logo do banco.

Acho adorável como um dos princípios base da eficácia da publicidade foi seguido: adequação ao público alvo.



Caso o Eixo do Mal tenha razão, o público alvo ou é o 'rufia suburbano', ou os admiradores de rufias suburbanos. E portanto deitei o anúncio para o lixo. Não fiz porém como um colega meu, que acumula cartas do BES numa pilha, que nunca abriu, e a secretária também parece não o fazer.

Tenha 'Cristiano Ronaldo' ou não um 'look' rufia e suburbano [pelo menos o seu nome é algo não muito longínquo], a utilização de um jogador de futebol em tshirt e calções num colchão [ainda por cima num momento em que a imagem pública do jogador estava associado a alegadas prostitutas inglesas -- e essas terão feito o colchão render... mas não paradas, de facto, e sem receber gorjeta], é de mau gosto.

Não só de mau gosto, como não se viu noutro banco, nem sequer português.


E digo-o porque o BES tem uma tradição positiva face a outros bancos: está associado a uma fundação, a um museu e a uma escola de artes decorativas fundamentais para a arte portuguesa.

É triste ver esta associação a camas e futebolistas.
Ou melhor, não por serem futebolistas, mas por terem um ar duvidoso. E porque em qualquer caso -- ou pelo menos no meu -- um futebolista não é propriamente uma referência de vida...

Mas enfim, nem todos podem ser como o Wegelin, ou qualquer outro dos grandes private bankers suíços.

PS - qual é o problema daquelas unhas? Que há ali algo...

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19 outubro 2007

Ronaldo e o seu 'ar rufia e suburbano'.