11 novembro 2007

O BES e Ronaldo, 'o futebolista português com o ar mais rufia e suburbano'

Em 19.1o.2oo7 fizémos referência ao alegado 'ar mais rufia e suburbano' de Cristiano Ronaldo referido no Eixo do Mal:



O programa da SICNotícias referia-se em particular ao facto do BES, um banco 'tradicional' português, ter escolhido para dar a cara' pelo Banco -- no entender do repórter no vídeo acima -- 'o futebolista português com o ar mais rufia e suburbano'.

Esta semana passou-me pelas mãos uma fotografia de Cristiano Ronaldo num colchão em cima de um relvado, fotografia essa que ilustra um anúncio do BES enviado aos seus clientes base.

Diz a ilustração da imagem 'Fixe esta imagem durante alguns instantes. O que é que aconteceu? Nada. Porquê? Porque o Ronaldo é como o dinheiro, parado não rende. Ponha o seu dinheiro a mexer [...]'.

E para subscrições superiores a 2500 euros, há 'oferta de um dvd do Cristiano Ronaldo', mas claro, 'limitado ao stock existente'.

Que excitante.

NOT.

Até o Expresso, outrota 'jornal e referência' publicou um vídeo intitulado ' aNa Cama com Cristiano Ronaldo':



A capa do DVD vem até no anúncio: Ronaldo, bronzeado [aliás, mildly tanned], o título 'Planeta Ronaldo: a ambição de ser o melhor' e um rodapé 'Edição especial Banco Espírito Santo', com o logo do banco.

Acho adorável como um dos princípios base da eficácia da publicidade foi seguido: adequação ao público alvo.



Caso o Eixo do Mal tenha razão, o público alvo ou é o 'rufia suburbano', ou os admiradores de rufias suburbanos. E portanto deitei o anúncio para o lixo. Não fiz porém como um colega meu, que acumula cartas do BES numa pilha, que nunca abriu, e a secretária também parece não o fazer.

Tenha 'Cristiano Ronaldo' ou não um 'look' rufia e suburbano [pelo menos o seu nome é algo não muito longínquo], a utilização de um jogador de futebol em tshirt e calções num colchão [ainda por cima num momento em que a imagem pública do jogador estava associado a alegadas prostitutas inglesas -- e essas terão feito o colchão render... mas não paradas, de facto, e sem receber gorjeta], é de mau gosto.

Não só de mau gosto, como não se viu noutro banco, nem sequer português.


E digo-o porque o BES tem uma tradição positiva face a outros bancos: está associado a uma fundação, a um museu e a uma escola de artes decorativas fundamentais para a arte portuguesa.

É triste ver esta associação a camas e futebolistas.
Ou melhor, não por serem futebolistas, mas por terem um ar duvidoso. E porque em qualquer caso -- ou pelo menos no meu -- um futebolista não é propriamente uma referência de vida...

Mas enfim, nem todos podem ser como o Wegelin, ou qualquer outro dos grandes private bankers suíços.

PS - qual é o problema daquelas unhas? Que há ali algo...

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20 maio 2007

'Ainda' sobre o caso da 'pequena Madeleine'


Pela primeira vez vi uma abordagem de jeito do caso 'da pequena madeleine'.

A RTP2, no noticiário de 19 de Maio, refere que há um site 'oficial' sobre a 'pequena madeleine'.

À data da reportagem, com 60 milhões de visitas [num espaço de umas 2 semanas] e de 73 mil e 500 libras de 'doações'.

Como refere a RTP2, 'os pais de Madeleine souberam manter o interesse na história; apareceram á imprensa; deram pequenos depoimentos; criaram a notícia'.

E como afirma Adrian Monck, da City University, 'Eles compreendem que os media precisam de actualizações regulares, informações regulares, novos ângulos, para manter as notícias frescas e actualizadas. Eles satisfizeram essas necessidades muito bem e têm sido extremamente bem aconselhados'.

A cereja no topo do bolo foi a entrevista em estúdio de um sociólogo [de seu nome Pedro Vasconcelos] que conhecido ou não [não faço ideia da reputação que possa ter no meio] foi claríssimo, objectivo e mordaz.

Ficam uns extractos da análise 'sharp' e com uma qualidade que raramente se vê na comunicação social:

'Tudo o que ataca ou parece atacar a infância é algo que toma as pessoas às vezes de um frenesi irracional'
'um descontrolo absoluto sobre a sua existência'
'De repente qualquer criança pode ser raptada'

'Eles por um lado são ingleses; compare com outros casos, se fosse uma família portuguesa de baixa classe, no seu contexto normal e quotidiano de existência, isto não teria este impacto'

'Criancinhas que são perfeitas para estarem num anúncio da Chicco, ou seja do que for, tudo isto mobiliza a consciência das pessoas'

'No que isso tem de bom, porque obviamente está aqui uma preocupação genuína comos direitos das crianças, e a sua protecção, mas também no que tem de mau, que é uma espécie de incapacidade de sensatez, de calma e de ponderação sobre estes efeitos'

'Tendo uma ideia de um passado quase idílico, em que as crianças podiam andar à vontade e fazer tudo'

'é preciso ter cuidado: havia muito mais violência sobre as crianças'

'Também há aqui o construir socialmente da infância como uma idade pura, de pureza, de pura despreocupação e como algo que quando é atingido parece que somos atingidos na última réstia de pureza que temos'

'A questão central aqui é que a polícia tem de aprender a lidar com esta atenção mediática'

'manipulando-a, porque obviamente o interesse absoluto da polícia, acho eu, é encontrar a criança'

'não é o de informar, isso os jornalistas devem fazê-lo'


Chapeau.

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27 fevereiro 2007

novo spot publicitário... novo spot do fio.


Está na 'moda'.

Usa-se mesmo não sendo confortável nem higiénico. Usa-se sendo gorda ou magra, gira ou horrível.

FIO DENTAL... sem ser nos dentes!

FIO DENTAL...

Liberta a Bitch que há em todas as mulheres que o compram ou aceitam.

E claro, está na moda...

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Irritante, Irritada, Irritável


Deve ser a descrição de uma pessoa que trabalha num call center.

Fica a imaginação dos nossos amigos profitrolls:

- Está?

- Está, estou a falar com o senhor Nuno?

- Sim...

- Sr. Nuno, aqui é da TMN, estamos a ligar para apresentar a promoção TMN
1.382 minutos, que oferece...

- Desculpe, interrompo, mas com quem estou a falar?

- O sr está a falar com Natália Bagulho da TMN. Eu estou a ligar para...

- Natália, desculpe-me, mas para minha segurança gostaria de conferir alguns dados antes de continuar com a nossa conversa, pode ser?

- ...Sssssim, pode...

- A Natália trabalha em que área da TMN?

- Telemarketing Pró-Activo.

- E tem número de funcionária da TMN?

- Desculpe, mas não creio que essa informação seja necessária.

- Então terei que desligar, pois não estou seguro de estar realmente a falar com uma funcionária da TMN.

- Mas eu posso garantir...

- Além disso, sempre que tento falar com a TMN sou obrigado a fornecer os meus dados a uma data de interlocutores.

- Tudo bem, o meu número de funcionária é TMN-6696969-TPA.

- Só um momento enquanto verifico.

- ...??? (Dois minutos mais tarde) - Só mais um momento, por favor.

- ...??? (Cinco minutos mais) - Estou sim?

- Só mais um momento, por favor, estamos muito lentos hoje cá por casa.

- Mas, senhor... (Um minuto depois)

- Pronto, Natália, obrigado por ter aguardado. Qual é mesmo o assunto?

- Aqui é da TMN, estamos a ligar para oferecer a promoção TMN 1382 minutos, pela qual o Sr. fala 1.300 minutos e ganha 82 minutos de bónus, além de poder enviar 372 SMS totalmente grátis. O senhor estaria interessado, Sr.
Nuno?

- Natália, vou ter que transferir a sua ligação para a minha mulher porque é ela quem decide sobre alteração de planos de telemóveis. Por favor, não desligue, pois a sua chamada é muito importante para mim.. (Pouso o telemóvel em frente ao leitor de CD's, coloco um CD a tocar em repeat mode e vou beber um cafézinho...)

Válido não só para a TMN, pode experimentar com a TV CABO, Clix, PT, Cabovisão, etc....

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22 março 2006

Marketing 5*


Há marketing bom e marketing mau.

Recebi a mensagem abaixo, que é uma delícia: short, sharp, to the point, one (really) fits all.

Read and learn.



Dear Ladies and Gentlemen,

As discerning travelers, you appreciate the consummate level of service, the relaxed, casual elegance, and the exquisite amenities you find at The Ritz-Carlton.

We are pleased to include you in our email communication service. On occasion we will send a brief note highlighting our exceptional properties, with valuable information regarding hotel openings and enticing opportunities to enhance your travel experiences.

Since your privacy is important to us, it is only our intention to send email to those who truly wish to receive it. If you prefer to be removed from our list, please click the link below.

Whether for business, leisure or special occasion, The Ritz-Carlton offers a variety of resorts and destination hotels in the world's best locations. We proudly feature spa, golf and, of course, our award-winning restaurants.

Thank you for your valuable time. We look forward to welcoming you at The Ritz-Carlton in the very near future.

Sincerely,



Simon F. Cooper
President and Chief Operating Officer
The Ritz-Carlton Hotel Company, L.L.C.

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12 janeiro 2006

PT


PT é muitas vezes utilizado como sigla para Portugal.

É igualmente sigla de um conhecido grupo empresarial Português: a Portugal Telecom.

Grupo que lançou uma campanha publicitária, de 30 de Dzeembro e até 22 de Janeiro de 2oo6, que tem causado algum frisson.

Aqui no Lorenzetti causou aquela sensação do 'olha mais uns'.

Como diria alguém, 'já não há pachorra'.

Continuam a debater-se estas questões, mas nada acontece. É um país inconsequente, sem que daqui devam retirar-se conclusões políticas transviantes...

Para ficarmos desde já entendidos,' a Bandeira Nacional, símbolo da soberania da República, da independência, unidade e integridade de Portugal, é a adoptada pela República instaurada pela Revolução de 5 de Outubro de 1910. O Hino Nacional é A Portuguesa. A língua oficial é o Português [Art. 11 da Constituição].

E 'quem publicamente, por palavras, gestos ou divulgação de escrito, ou por meio de comunicação com o público, ultrajar a República, a bandeira ou o hino nacionais, as armas ou emblemas da soberania portuguesa, ou faltar ao respeito que lhes é devido, é punido com pena de prisão até 2 anos ou com pena de multa até 240 dias. Se os factos descritos no número anterior forem praticados contra as Regiões Autónomas, as bandeiras ou hinos regionais, ou os emblemas da respectiva autonomia, o agente é punido com pena de prisão até um ano ou com pena de multa até 120 dias' [art. 332 do Código Penal].

A bandeira nacional é um assunto complexo, como a imagem demonstra [!] e é um dos símbolos nacionais, devendo ser utilizada em momentos solenes de carácter nacional e oficial. Não em campanhas publicitárias nem no topo de barracas. Seja o produto um telefone ou um rolo de papel higiénico.

Isto parece-me pacífico à esquerda e à direita do espectro político.

Creio ser consensual. A Nação é una, indivisível, e os cidadãos respeitam-na porque estão dentro dela e garantem a sua dinâmica e revêm-se nela, percebendo a sua utilidade afectiva e funcional.

A bandeira nacional, 'como símbolo da Pátria, representa a soberania da Nação e a independência, a unidade e a integridade de Portugal, devendo ser respeitada por todos os cidadãos, sob pena de sujeição à cominação prevista na lei penal' [Art.1/1 do DL 150/87, em plena democracia...].

E a bandeira nacional 'será usada, em todo o território nacional, de harmonia com o previsto' no DL 150/87.

Prescindir dos símbolos nacionais [o mesmo se aplica ao Hino] a publicidade não é falta de ousadia, é bom senso.

Usá-los é falta de imaginação e de criatividade: é um verdadeiro ready-made; é mau serviço publicitário e um abuso evidente e desnecessário dos símbolos nacionais.

Continuamos sem perceber qual a mente destorcida que teve uma ideia [ou, precisamente, não tem ideias...] tão infeliz e pobre.

É um mau dia para a publicidade em Portugal e para Portugal no mundo. Mesmo que não se considerasse [e considera-se, pelo menos por aqui] um acto fora da lei.

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