
Como qulquer país relativamente rural, Portugal tem uma sociedade que vê as crianças de modo muito especial.
Ao mesmo tempo que é capaz de lhes bater e gritar [os mais próximos], é capaz de aproximar-se de uma criancinha desconhecida na rua e começar a brincar com ela, fazendo 'festinhas' e falar com ela com voz de quem fala para um ser inferior que não percebe nada ou, como se costuma dizer, 'voz de anormal'.
Quando uma criancinha desaparece ou é vítima de algo peculiar e/ou criminoso, as coisas [às vezes] aparecem na comunicação social.
Mas sempre que aparecem é a 'menina/o' não sei quantos, ou o glorioso 'o Pequeno João' ou a 'Pequena Joana' e afins. Seja como for a personalidade da crianças, etc. etc., e em oposição ao que se faria com um adulto. No 'fundo' até se percebe que haja um tratamento relativamente diferente, que de resto justifica as palavras 'criança' e 'adulto'. No entanto, toda a 'estética' à volta disso, bem patente na escolha de palavras, não deixa de ser uma delícia.
Desta vez, e depois do famoso caso da 'Pequena não sei quantas' adoptada, temos a 'Pequena não sei quantas' do Algarve [ou no caso, 'Allgarve'].
Não se leia aqui desprezo pelo caso: é obviamente angustiante pensar o que possa estar a acontecer à criança no Allgarve [ou noutro sítio qualquer onde possa estar] ou aos milhões de crianças que morrem em zonas como a maioria de África, partes da Ásia e América Latina, e claro nas zonas assoladas pelas 'guerras' do costume [mais 'invasões'] género Iraque, Afeganistão, Líbano e Palestina.
Mas é curioso e quase gozável a forma como estes assuntos são tratados em público e como as pessoas se comportam.
Neste último caso, tenho bastante pena nos pais.
Para quem as notícias veiculadas pela BBC devem ser duras. Porque sempre que aparecem, mencionam '
The resort offers a creche service but the couple decided to leave Madeleine and two-year-old twins Sean and Amelie sleeping in the apartment'.
Faz-nos pensar na palavra 'remorso': quando podíamos tomado outra decisão, sentindo agora o peso do efeito de uma acção que tomámos em liberdade e que nos deixa agora num cenário de sufoco e de impotência.
No caso, 'podiam' tê-la deixado na creche. E não deixaram. E ela desapareceu, apesar de alegadamente a verem de 30 em 30 minutos.
O grande problema deste tipo de problemas é que normalmente não tem solução, e se se resolver é por pura acção alheia.
Anteontem, 'Madeleine McCann' esteve no centro da wepage da BBC World News.
Ontem também.
Hoje está abaixo, à direita, com o título 'Church services for abducted girl'.
No centro, foi substituída pela notícia de um polícia morto em casa.
E amanhã?
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