02 outubro 2007

A morte do pai do Chefe de Estado.



O pai do Presidente da República Cavaco Silva chamava-se Teodoro. Descobri porque se escreveu sobre isso no DN e duas vezes, e na TSF, entre outros órgãos de comunicação social.

Não percebo que a morte do senhor seja 'notícia' dado que aquilo que torna o senhor Teodoro Silva 'famoso' é o seu filho, actual 'Chefe de Estado'.

Sobretudo numa democracia, onde é suposto não haver cultos de personalidade, neste caso levada ao extremo [pelo menos do ponto de vista genealógico...].

Claramente os jornalistas não têm mais que fazer.

E os leitores / ouvintes / telespectadores nenhuma exigência quanto à qualidade dos conteúdos.

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26 junho 2007

'Notícia'?


Deixei praticamente de ver noticiários, porque além de serem 'obituários', como diz um amigo lá de casa, são compilações de fait-divers.

O mesmo acontece em outros canais 'noticiosos'. Até no e.mail.

Abro a minha conta do g.mail e, em cima dos mails, aparece a 'notícia':

Yahoo! News: Entertainment News - Paris Hilton released from LA jail (AP) - 3 hours ago

A piada nem é ser sobre 'Paris Hilton'.

Ou sobre o facto de estar 'presa'.

Mas a delícia de estar sob a categoria 'Entertainment news'.

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08 maio 2007

Tele....novela.


Há bastante tempo que me habituei a ver o telejornal em podcast. A Internet dá imenso jeito porque assim vêm-se em notícias em qualquer lado e hora, e passando à frente os anúncios ou notícias menos interessantes [ou menos notícia].

Hoje foi o caso. Mas bastante peculiar.

Às 20h estava no meu footing [Father's words...] com uma amiga e quando voltei a casa lá fui ver o telejornal em podcast.

Não surpreendeu começar com a notícia da 'Madeleine', que já todos conhecemos. A única coisa inovadora foi o locutor colocar como hipótese ter sido assassinada pelos pais, que surgiram como grandes vítimas.

Mas surpresa das surpresas foi ver que nunca mais acabava. Suponho que não tenha sido culpa das mulheres [Londres está ao rubro com Sir Patrick Moore, que diz que as mulheres são as responsáveis pelo telelixo, imagine-se!].

O podcast tinha 31 minutos e 26 segundos.

Madeleine durou 25 minutos e 13 segundos...

Até o Presidente da República apareceu a comentar o caso da menina desaparecida no 'Allgarve'. E de seguida, um apelo sisudo de 'Cristiano Ronaldo', um jogador de futebol.

Até que 'li' algumas notícias, no rodapé. Enquanto se falava de 'Madeleine', eu ia lendo umas coisas no rodapé. Como por exemplo que um quadro de Lievens que pertencia à colecção Getty bateu os records holandeses no leilão realizado na Sotheby's local, e virá para Londres.

Finalmente, aos 25 minutos e 13 segundos mudou-se de assunto. Merece atenção, mas 25 minutos já era enfatuante [e deve ter sido para quem viu em directo]. Deixou-se o 'Allgarve' e a menina inglesa.

E fiquei a saber que pela primeira vez em 20 anos os portugueses perderam poder de compra, visto a inflação ter ultrapassado os aumentos salarias [ou, se quisermos, porque os salários não acompanharam a inflação...]. Isto sim, é notícia. E continuou-se, alegremente, falando agora do novo nome [desconhecido...] do novo director da DGCI. Etc., etc..

Meu rico Podcast, que me deixa fazer fast forward. Mesmo que seja para ver 6 minutos de notícias num total de 30.

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06 maio 2007

'A Pequena' qualquer coisa.


Como qulquer país relativamente rural, Portugal tem uma sociedade que vê as crianças de modo muito especial.

Ao mesmo tempo que é capaz de lhes bater e gritar [os mais próximos], é capaz de aproximar-se de uma criancinha desconhecida na rua e começar a brincar com ela, fazendo 'festinhas' e falar com ela com voz de quem fala para um ser inferior que não percebe nada ou, como se costuma dizer, 'voz de anormal'.

Quando uma criancinha desaparece ou é vítima de algo peculiar e/ou criminoso, as coisas [às vezes] aparecem na comunicação social.

Mas sempre que aparecem é a 'menina/o' não sei quantos, ou o glorioso 'o Pequeno João' ou a 'Pequena Joana' e afins. Seja como for a personalidade da crianças, etc. etc., e em oposição ao que se faria com um adulto. No 'fundo' até se percebe que haja um tratamento relativamente diferente, que de resto justifica as palavras 'criança' e 'adulto'. No entanto, toda a 'estética' à volta disso, bem patente na escolha de palavras, não deixa de ser uma delícia.

Desta vez, e depois do famoso caso da 'Pequena não sei quantas' adoptada, temos a 'Pequena não sei quantas' do Algarve [ou no caso, 'Allgarve'].

Não se leia aqui desprezo pelo caso: é obviamente angustiante pensar o que possa estar a acontecer à criança no Allgarve [ou noutro sítio qualquer onde possa estar] ou aos milhões de crianças que morrem em zonas como a maioria de África, partes da Ásia e América Latina, e claro nas zonas assoladas pelas 'guerras' do costume [mais 'invasões'] género Iraque, Afeganistão, Líbano e Palestina.

Mas é curioso e quase gozável a forma como estes assuntos são tratados em público e como as pessoas se comportam.

Neste último caso, tenho bastante pena nos pais.

Para quem as notícias veiculadas pela BBC devem ser duras. Porque sempre que aparecem, mencionam 'The resort offers a creche service but the couple decided to leave Madeleine and two-year-old twins Sean and Amelie sleeping in the apartment'.

Faz-nos pensar na palavra 'remorso': quando podíamos tomado outra decisão, sentindo agora o peso do efeito de uma acção que tomámos em liberdade e que nos deixa agora num cenário de sufoco e de impotência.

No caso, 'podiam' tê-la deixado na creche. E não deixaram. E ela desapareceu, apesar de alegadamente a verem de 30 em 30 minutos.

O grande problema deste tipo de problemas é que normalmente não tem solução, e se se resolver é por pura acção alheia.

Anteontem, 'Madeleine McCann' esteve no centro da wepage da BBC World News.

Ontem também.

Hoje está abaixo, à direita, com o título 'Church services for abducted girl'.

No centro, foi substituída pela notícia de um polícia morto em casa.

E amanhã?

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27 fevereiro 2007

Paulinho levou um tiro da GNR e morreu


Hoje, sábado 15.4.2oo6, o tema de capa do DN electrónico é este.

Ainda acham elitista que eu leia o Art Newspaper...

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Expressamente I


Lorenzetti dedicou uma hora do seu dia à leitura do Expresso AKA Espesso, 'o jornal de referência' em Portugal.

E isto dá para vários posts.

Começamos por um rápido. O delicioso título [com honras de capa]:

'55 mortos na estrada fatal para 'Dino''.

Lorenzetti pensava que Dino, o cão-dinossauro dos Flintstones, tinha morrido num acidente automóvel.

Dino era afinal o nome de uma personagem de uma telenovela da TVI, chamada 'Morangos com Açúcar'.

Whatever.

Ou talvez não:

isto ajuda Lorenzetti a perceber parte de um e.mail que recebeu esta semana:

'Morreu o Dino. Manda este e.maila 20 pessoas e para a semana morre o Zé Milho'.

Agora só falta descobrir quem é o Milho. Acho que não era dos Flintstones.

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10 outubro 2004

Recordar é viver

COMUNICADO

21 de Janeiro de 2004



DECLARAÇÃO DA AACS

SOBRE O SENSACIONALISMO NA INFORMAÇÃO ACERCA DE INVESTIGAÇÕES JUDICIAIS EM CURSO



Prosseguindo a monitorização do protagonismo dos "media" na divulgação de factos relacionados com investigações judiciais em curso, a Alta Autoridade para a Comunicação Social, mantendo um sentido analítico que recusa qualquer tipo de crítica sistemática e generalizada ao trabalho dos órgãos de comunicação social e, portanto, repudia possíveis tentativas de ataque ao quadro legal da liberdade de expressão, pensa contudo dever neste momento alertar para o seguinte:

1. A cobertura mediática dos acontecimentos relacionados com as referidas investigações, independentemente das considerações já anteriormente formuladas pela AACS, tem-se pontualmente desviado de critérios eticamente exigíveis ao cair em atitudes de claro sensacionalismo, o que prejudica a qualidade e o rigor da informação prestada, pode afectar direitos de pessoas envolvidas e contende com o próprio Código Deontológico do Jornalista;

2. O sensacionalismo caracteriza-se por uma actuação de deliberada excitação dos sentimentos mais primários da população (bisbilhotice, voyeurismo, medo, inveja, vingança, hipocrisia) através da disponibilização alarmista de informação que, baseando-se em situações marginais e irrelevantes no entanto atinentes a casos de grande importância social, dão a impressão ilusória de esclarecer a opinião pública quando na realidade a estão a obscurecer. Sob a falsa aparência de enriquecer em detalhe o conhecimento do público a informação sensacionalista infringe a isenção e o rigor a que todos os órgãos e jornalistas estão vinculados, prestando um mau serviço à comunidade.

3. São por exemplo tipicamente sensacionalistas procedimentos como os de explorar até à exaustão, por vezes em directo e com desagradável insistência, o interesse de agentes judiciais em promoverem os seus pontos de vista particulares ligados a processos, sem quaisquer ganhos reais de conhecimento, ou a dissertação e a especulação infindáveis acerca da intimidade física de arguidos, o que viola o seu direito à intimidade e ofende os públicos sensíveis;

4. A comunicação social visa dar conta às pessoas de informação importante para o seu melhor conhecimento do mundo que as rodeia, de molde a que elas possam tomar, na sua vida quotidiana (familiar, profissional, social, política, cultural) as decisões e as opções mais adequadas aos seus interesses e aos das pessoas a seu cargo. A informação sensacionalista, que é afinal uma pseudo-informação, não preenche aqueles requisitos, antes se insere na busca desregrada de ganhos comerciais apoiada em pura coscuvilhice. Isto não é aceitável num Estado de Direito e deve ser denunciado com a maior energia.





Esta declaração foi aprovada por maioria com votos de Sebastião Lima Rego (Proponente), Armando Torres Paulo, Artur Portela, Manuela Matos e José Manuel Mendes, com abstenções de João Amaral e Maria de Lurdes Monteiro.





Alta Autoridade para a Comunicação Social,

em

24 de Janeiro de 2004



O Presidente,



Armando Torres Paulo

Juiz Conselheiro

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