13 maio 2008

No comment



Resolução da Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira n.º 12/2008/M
Região Autónoma da Madeira - Assembleia Legislativa
Congratulação pelos 30 anos de governação do Dr. Alberto João Jardim da Região Autónoma da Madeira

[publicado esta semana no Diário da República]

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25 abril 2008

TAP, pelo seu 'CEO'


no Diário Económico de 24.o4.2oo8:

'problema que a TAP hoje não tem: a interferência política. Em oito anos à frente da companhia, Fernando Pinto aprendeu a defender-se desta pressão, a falar pouco e especializou-se na valorização do trabalho feito até aqui. Sempre que pode, sublinha que a TAP não custa nada ao Estado, contribui com impostos – 60 milhões em IRS e 80 milhões à Segurança Social –, além de fazer girar o 'hub' que liga Portugal a 56 destinos, com voos directos'

[...]

'a TAP tem capacidade para consolidar um 'hub' em Lisboa'



'Daqui a dez anos a TAP existirá como hoje ou há alguma possibilidade de ser envolvida num processo de consolidação? Pode ser comprada ou será a compradora?
Há exercícios de futurologia que acho sempre muito difíceis de fazer. Quando cheguei aqui, lembro-me de uma conversa com a comissária europeia Loyola del Palacio, durante a qual apresentámos um plano que defendia que a TAP, em três anos, tinha condições para recuperar da situação em que estava, saindo de um prejuízo de 120 milhões de euros que apresentara nos últimos anos. Nessa reunião, mostrámos que teoricamente era viável. A reacção não foi a esperada. Lembro-me de ela ter comentado que não acreditava naquilo. Não acreditava na viabilidade da empresa e achava que a companhia só recuperaria se fosse comprada por uma maior.



Como reagiu?
Eu disse que nós também considerávamos a consolidação, mas de forma diferente. Não pela venda da empresa, mas através de alianças internacionais. Nessa altura, como hoje, não víamos a necessidade de estar dentro de um grande grupo, mas sim dentro de um acordo comercial onde mantivéssemos a autonomia.


E assinou o acordo com a Star Alliance.
Sim. A verdade é que a viabilidade ficou demonstrada e, em três anos, a empresa já estava a dar resultados positivos. A consolidação destes resultados também está relacionada com o acordo com a Star Alliance. Aumentámos muito as nossas vendas.

[...]



Faz sentido comercial manter hoje uma companhia de bandeira? Ou faz sentido para o país?
Eu acho que faz sentido haver uma companhia de bandeira. É importante que o país tenha uma empresa que se foque nele, exclusivamente, e isso é muito importante para o cliente português. Se não tivéssemos a nossa base principal aqui, dificilmente teríamos condições de fazer o volume de voos directos que fazemos a partir de Portugal. As condições seriam piores do que as que oferecemos agora, com mais escalas e menos oferta.


Se a TAP fosse comprada, Lisboa teria menos rotas e ligações, é isso?
Se a companhia fosse comprada, a primeira coisa que aconteceria seria a junção dos 'hubs', penalizando Lisboa. Ora, nesta junção acabar-se-ia por perder algumas das vantagens actuais, nomeadamente o passageiro teria de voar muitas vezes para outro 'hub' para depois prosseguir viagem. Hoje não é assim. Com base na aliança que fizemos e nos nichos de mercado que se descobriram – e ainda não atingimos o potencial máximo, há muito para desenvolver –, sabemos que esta empresa é financeiramente sustentável com uma aliança internacional, que traz apoio sem retirar autonomia ao país e aos passageiros portugueses.

[...]



Onde foi buscar esse dinheiro?
Aumento de eficiência. A operação dos novos A330 foi muito grande, com menos custos e mais volume de passageiros. Gostaria de lembrar que, em sete anos de operação, a TAP duplicou os resultados e sempre com um número de pessoal inferior ao que tinha no passado. Conseguimos um aumento claro de eficiência. Esta é a única forma de sobreviver.


Mas este aumento de eficiência justifica uma subida tão grande nos lucros? Há quem desconfie destes números…
No fundo, é tudo uma questão de acréscimo de proveitos com um máximo de contenção nos custos. As diferenças são muito pequenas para valores muito grandes, é essa a explicação. A TAP tem proveitos de perto de dois mil milhões de euros para cerca de 1,9 mil milhões de custos totais. Qualquer pequena diferença nessa relação pode dar um resultado negativo, positivo, pequeno ou muito grande. São pequenas variações que pesam nos números finais.

Um dos objectivos é preparar a empresa para uma eventual privatização. Quando é que o Governo vai definir?
Não sei, há toda uma dependência do mercado. Da nossa parte estamos a cumprir o que está previsto.



Se o Governo quiser, a privatização é feita este ano?
É isso, mas acho difícil.

Aponta mais para 2009?
Bem aí já não sei, é uma decisão do Governo.

Vê vantagens na privatização da TAP?
A privatização é algo que vai acontecer naturalmente um dia, não tenho dúvida nenhuma, pelas necessidades de capital da empresa.


A entrevista de F. Pinto ao Diário Económico ia muito bem, até à privatização. Mas percebe-se: qualquer gestor público que seja contra uma privatização, num governo PS ou PSD, é provavelmente despedido.

Com tão bons resultados não faz sentido nenhum privatizar. Para obter capital basta reaver áreas lucrativas ligadas à própria gestão do aeroporto ou emitir obrigações, e não acções. Mas mesmo que se coloquem acções em bolsa, pode-se ter um float prudente e manter mais de 50% do capital no Estado. Isso sim, seria injectar capital garantindo a receita para o Estado. Recorde-se o que referiu F. Pinto:
'a TAP não custa nada ao Estado, contribui com impostos – 60 milhões em IRS e 80 milhões à Segurança Social –, além de fazer girar o 'hub' que liga Portugal a 56 destinos, com voos directos'.

E como dizia a própria TAP no seu press release de 3 de Abril, 'A TAP teve em 2007 o melhor ano da sua história, com os lucros a ascenderem a 32,8 milhões de euros, mais 350 por cento que os 7,3 milhões registados no exercício do ano anterior'.

Ora uma empresa destas não se privatiza.

Só políticos com graves problemas mentais -- adaptando os dizeres de Sousa Tavares para o tabaco -- ou, diremos nós, com lobbies / interesses e influências duvidosas.

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21 abril 2008

Futebol

Numa entrevista ao DN de Domingo ao treinador do Sporting Paulo Bento, o destaque vai para a frase 'Temos de valorizar [o] facto de só dependermos de nós'.

Suponho que o dito treinador se referisse ao trabalho da equipa, que tem de ser feito 'com tranquilidade'.



Mas podia ser aplicado -- e se calhar foi -- ao facto de os clubes poderem [e deverem] ser independentes.

Tendo em conta os milhões em torno do futebol, seja em contratações milionárias, negócios [negociatas?] de terrenos, estádios, preço elevado dos bilhetes e o maná da publicidade e merchandising, não se percebe que os clubes recebam subsídios do Estado, sobretudo num momento em que fazia mais falta esse dinheiro nos hospitais e nas escolas.

E não num bocado de relva com 11 jogadores de cada lado.

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20 abril 2008

P S D



Muito se fala do que se passa no PSD.

Para nós não há novidades, é o costume, desde os anos 70.

O PSD teve vida apenas com dois líderes: Sá Carneiro, fundador; Cavaco, reanimador.

O resto é conversa.



E Menezes uma insignificância como todos os outros líderes. O PSD perdeu Sá Carneiro e a ideologia. E Cavaco, sem ela, tinha um carisma que funcionou. Os restantes líderes, sem carisma ou ideologia, nada fizeram.

Por isso, com a saída de Menezes, não há uma crise no PSD.

A crise prática existe desde os anos 90, e a ideológica deste 80.



A solução passa por um partido de direita, com o PSD e o CDS, e quem sabe alguns do PS, que hoje é, em boa verdade, um PSD.

O PSD não precisa de mais um líder, mas de um partido.

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18 abril 2008

Pérolas sobre a Síria


No blog dos Amigos do Museu Nacional do Azulejo lê-se o seguinte:

'"sabia que" a SÍRIA:

- é um país de extraordinária variedade geográfica - desde deserto, montanhas a férteis planícies, habitado por um povo caloroso e onde, apesar da instabilidade da região em que se insere, o turista não corre o menor risco de ser roubado ou incomodado?

[...]

- que - sinal duma certa liberalização económica - , não é difícil trocar euros nalguns bancos privados, mas que também convém guardar alguns, úteis para negociar em souk's onde esta moeda é muito apreciada?

[...]
- que, polícia de toda a espécie, secreta ou não, é omnipresente, mas que são só os próprios sírios que a temem, e que aos turistas lhes basta mostrar sem hesitação os seus papéis quando assim for solicitado?

- que os assuntos de conversa com a população local a evitar - pela possibilidade de o interlocutor ser um agente a paisana - são a democracia, a liberdade de imprensa, Israel e as relações sírio-libanesas e que fora disso todos são possíveis?'


Delicioso.

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12 abril 2008

Julgamento de Mário Machado / SkinHeads

Escrever sobre estes temas é sempre complicado. Primeiro porque exigem inteligência política, filosófica, histórica e até psicológica. Segundo porque nos arriscamos a levar uma bela sova. No mínimo.

E é por estas razões -- sobretudo pela primeira -- que este texto pode não ser perfeito e porque apontamos pontos positivos e negativos à extrema direita portuguesa.



E é para mim interessante pensar e escrever sobre a extrema direita em Portugal por várias razões. Uma delas é porque o meu estilo de vida é muitas vezes associado à direita tradicional [prefiro a caça ao futebol e o cognac à cerveja, o contador indo-português ao móvel IKEA e o charuto ao cigarro, por exemplo], mas até me acho bastante liberal [não no sentido económico] em muitas coisas. Não me considero pois de esquerda ou de direita puras, e odeio o oportunismo e vazio do centro.

Escrever sobre direita é pois um desafio interessante e agradável.

O motivo é o caso Mário Machado; um exemplo sublime de léxico e inteligência política. A vénia a Mário Machado, embora discorde dele em muitos outros aspectos. Mas com o respeito que a democracia exige entre portugueses livres e conscientes.



Machado conta, desde logo, com o apoio indefectível de José Pinto Coelho, do PNR, um partido legal, quando a Constituição proíbe 'associações armadas nem de tipo militar; militarizadas ou paramilitares, nem organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista' (art. 46.º-3) e o prefácio até prevê o 'caminho para uma sociedade socialista'. É uma vitória fundamental de José Pinto Coelho e de Mário Machado.

A questão lexical referida envolve situações como a negação de racismo opondo o conceito racialismo.



Defendendo, por exemplo, que o orgulho branco não é um acto racista, mas um acto de orgulho nacional ou racial.

Outra vitória de Mário Machado é ter conseguido que o Bastonário da Ordem dos Advogados o tenha visitado, sem que os advogados nem a classe jurídica, nem o Presidente da República o tenham censurado o Bastonário por isso. O Bastonário terá dito que só foi visitar alguém de cuja prisão preventiva discorda. Ora haveria milhares de presos preventivos que poderiam ter sido visitados para o mesmo fim. Mas o Bastonário visitou um: Mário Machado.

Foi igualmente interessante a referência à sua situação como de prisão política, invocando o 25 de Abril [mês no qual estamos, curiosamente] e exigindo liberdade de expressão.

A extrema direita tem razão numa coisa: os portugueses, ou as pessoas em geral, têm uma opinião semelhante a eles. É um dos paradoxos da democracia e da natureza humana: ao amor possível entre as pessoas, junta-se o ódio e a inveja. E 'no fundo' as pessoas, portuguesas ou não, são racistas. Não digo que isso seja bom, ou aceitável, ou desejável. Apenas digo que isso é um facto. Achamos sempre que não deve haver racismo. Mas casaríamos com um negro/a? Não. É um facto. Acharíamos piada a ter um filho transsexual? Não, mesmo que digamos o contrário. Não é por acaso que as elites raramente têm negros ou hispânicos, mesmo em países com imensos, como os EUA ou Inglaterra. E Pinto Coelho sabe isso e, com mestria, sabe sugerir que os portugueses pensam como ele. E acredito que muitos pensem. E a maioria, mesmo que não seja racista, age de modo racista. É um facto.

O que já não creio ser aceitável é a utilização da violência. E Pinto Coelho -- que até suspeito ser meu primo bem afastado -- sabe que a maioria dos portugueses concorda comigo.

E é por isso que disse esta semana que Mário Machado soube passar de lutador armado para lutador político.
Foi mais uma vitória de Mário Machado, apoiada no léxico e na inteligência conjunta com Pinto Coelho.



Esta distinção é fundamental: torna o PNR e o grupo de Mário Machado mais atraentes para os portugueses, num momento de crise do bloco central: os portugueses estão fartos do PS e PSD e odeiam os comunistas [que acham sempre iguais e maus] e pelos bloquistas [que foram moda e não passaram disso] e ainda menos pelo CDS [idem quanto à moda, conseguida e perdida por Paulo Portas].

O problema é que a prisão de Mário Machado [ou a 'última gota de água', para as autoridades] deveu-se -- aparentemente -- ao facto de ter aparecido na SIC exibindo armas alegadamente ilegais e a defender um putativo levantamento.

E esta foi a falha. Se isso pode trazer-lhe apoiantes de estrato médio [os activistas] causa-lhe dois problemas: perde militantes de base [porque o povo tenta evitar a luta armada e quer apenas luta política] e causa confrontos com o poder judicial [que embora descredibilizado, não está tanto que o povo se vire em defesa de Machado, que aí seria mártir, mas que para já não se torna].

No entanto, apesar desta falha, é sempre um treino, e Mário Machado conta com todos os pontos ganhos com o referido acima: tem o apoio do PNR, partido político legalizado, e com o apoio inédito do Bastonário da Ordem dos Advogados. E com uma inteligência política admirável.



Embora não concorde com as ideias de Mário Machado -- desde logo a utilização da força e o culpar os estrangeiros de todos os nossos males -- respeito a sua inteligência e a forma como tem gerido este processo, verdadeira aula de ciência política, juntamente com Pinto Coelho do PNR. Creio no entanto que matar não é a melhor solução, nem sou fã de tatuagens, heavy metal, Hitler e totalmente contra a imigração, como se tudo fosse bom em portugal e mau lá fora, a mesma forma que não é tudo bom lá fora e há imensas coisas e pessoas fantásticas no meu país que é Portugal, um dos mais antigos Estados do mundo.

Mas mesmo que que não concordemos, temos de reconhecer duas coisas.

Em primeiro lugar, são inteligentes.

E em segundo lugar, são políticos a sério: perfilham uma ideologia e defendem-na de forma activa. Mesmo não concordando, reconheço isso, sobretudo quando os restantes partidos [tirando os comunistas] já não têm ideologias nem acção. Apenas abrigam os boys do costume. Esses sim, são os responsáveis pelo estado das coisas. Não os estrangeiros[*] só porque são estrangeiros. Há bons e maus estrangeiros. E bons e maus portugueses. A criancinha do telemóvel era claramente uma má portuguesa. E Gulbenkian foi um óptimo estrangeiro. A minha empregada é uma óptima portuguesa. A Ratazzi foi uma péssima estrangeira. Enfim...



PS - embora este blog não tenha espaço de comentários, recorda-se que o email está sempre activo e pode ser utilizado. Se pertinentes, os comentários serão tidos em conta.

[*] Note-se no entanto que o excesso de estrangeiros que não respeitem as tradições locais podem significar o fim de uma cultura. Será Londres ainda inglesa? Falaremos disso em breve. Mas não se ache que defendemos a expulsão dos estrangeiros, como sugere o PNR. Partilhamos a preocupação, mas cremos que a solução passa pela integração e não pela expulsão. Sendo que a integração supõe o cumprimento dos deveres e tradicionais nacionais. Em Roma sê Romano.

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Hospital a 'cinqueuro'

08 abril 2008

TAP, privatizações e o sector público.

Já aqui falámos várias vezes da TAP como exemplo de empresa de capitais públicos que não deve ser privatizada, dado gerar lucros fundamentais para o Estado que substituem, evidentemente, receitas que só seriam obtidas através de maior carga fiscal.

As privatizações, neste sentido, são meios de redução da qualidade dos serviços do Estado [que perde receita] e/ou do aumento dos impostos, para compensar a perda de receita resultante a privatização.

Com a privatização o Estado encaixa algum dinheiro -- extraordinário e não ordinário! -- mas deixa de ter, no longo prazo, as receitas que tinha. Os contribuintes perdem, pois ou os impostos aumentam para compensar e/ou a qualidade dos serviços públicos desce por falta de financiamento.

Isto porque uma empresa 'privatizável' é sempre uma boa empresa: se não fosse, os privados não a compravam.



A TAP continua -- como já aqui demos conta em anos anteriores -- com bons resultados.

Para o Governo [PS ou PSD, é irrelevante] isso significa preparação para a privatização.

Para nós, isso significa o contrário: ao tornar-se lucrativa, torna-se importante para o Estado ficar com ela e usar os lucros em benefício de todos os portugueses e não dos putativos compradores da empresa privatizada.

Era o que faltava que o Estado servisse de milagreiro económico, transformando as suas empresas desvalidas [más] em empresas lucrativas [boas] e classificando-as aí como 'privatizáveis' e vendendo-as, sem aproveitar os resultados dessa recuperação. Isso poderia acontecer em pequenas empresas, estilo private equity, mas não com utilities e grandes empresas como a PT, a EDP, a ANA, a TAP, a GDP, os CTT, etc, etc..



Regressando ao caso da TAP, os dados objectivos deste ano que demonstram a melhoria sustentada da sua performance [equivalendo a boa performance anterior de que falámos anteriormente] e portanto o dever manter-se a TAP nas mãos do Estado e de todos os portugueses. Este ano [2007, ano económico anterior do qual agora se apresentaram resultados] a TAP:

- aumentou os proveitos de passagens em 18.2%, sendo parte de um aumento de 88% entre 2000 e 2008;

- aumentou os proveitos de manutenção de aeronaves em 7.6%, desde 2000 51%;

- aumentou as receitas de vendas e serviços externos em 15.3% entre 2006 e 2007;

- aumentou os proveitos de carga e correio em 5%, sendo que desde 2000 estes aumentaram 44.5%;

- os proveitos operacionais aumentaram 16.1%, e desde 2000 aumentaram 78.6%;

- o EBITDA [earnings before interest, taxes, depreciation and amortization] entre 2000 e 2007 aumentou 228% e este ano 35.9%;

- passou de um resultado operacional negativo de 62 em milhões de euros em 2000 para resultados positivos de 30 milhões em 2006 e de mais 163% no ano passado, ou seja, 79 milhões;

- os resultados líquidos passaram de um negativo de 122 milhões em 2000 para 7.3 milhões positivos em 2006 e em 2007 o valor foi de 32.8 milhões, o que representa um aumento, entre 2006 e 2007, de 349%;


- mantém a sua frota própria, detendo apenas parte em leasing operacional [em 68 aviões, apenas 19 estão em leasing].


A TAP pesa 1.14% no PIB português, sendo menor o peso de empresas congéneres nos seus países de origem, como é o caso da Air France, KLM, Austrian Airlines, Lufthansa, Swiss Air, BA, Turkish, Iberia, Alitalia, LOT... Por exemplo, a Iberia pesa apenas 0.51% no PIB de Espanha e a British Airways apenas 0.61% no PIB do Reino Unido.




Às vezes sinto que os dois grande defeitos da TAP, na perspectiva dos passageiros -- os atrasos e o feudalismo de alguns serviços [e.g. sempre que pegam no microfone e não se percebe nada pela má qualidade de som, ou pronúncia, ou pausas] -- é de propósito, fazendo os portugueses querer ver-se livres da TAP.

Au contraire, basta melhorar isso e, juntando às contas, temos uma empresa genial, cuja privatização é um erro económico [que defrauda os interesses do Estado e dos portugueses a favor dos grupos económicos do costume] e político [de sobreposição de interesses de alguns aos interesses da maioria].

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07 abril 2008

'Jardim diz que Sócrates está refém do ministro das Finanças'

Lê-se hoje no Público.

É verdade que usa as finanças e o défice como desculpa para tudo, contrariando a visão de membros do seu próprio partido e ex-PR como Jorge Sampaio, que outrora exclamaram 'há vida para além do défice'.

É verdade que apesar disso, estranhamente, decide gastar o maior dinheiro possível [em infraestruturas como aeroporto, TGV, ponte sobre o Tejo, etc] tendo prometido não aumentar os impostos.

Mas da mesma maneira que o actual Governo da República abusa do argumento orçamental, o Governo da Madeira tem sido 'refém' dos subsídios, não gerando excedentes que garantam a sua autosuficiência.

E argumentar com desejos de independência e mais autonomia de nada serve, pois a Madeira não sobreviveria economicamente, sobretudo se tivesse de devolver o que já recebeu.

Alberto João Jardim disse pois uma meia verdade, mas falta-lhe coerência. Quem tem telhados de vidro [e neste caso pouco limpo]...

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06 abril 2008

Casamento.

O PS, talvez para distrair os portugueses das questões fundamentais -- e que motivam as manifestações já rotineiras e vaias ao Primeiro-Ministro onde quer que vá -- resolveu alterar o regime jurídico do casamento enquanto contrato civil.

Confirme-se, desde logo, que Lorenzetti não é contra o PS: é contra a incompetência, o disparate e a incoerência. Lorenzetti não é por outro partido: é apartidário e não se revê na política de partidos como estão. Lorenzetti não é católico: não tem qualquer religião.



Como alguém referiu ontem, o casamento foi importado da igreja [onde é sacramento e não contrato] para o direito civil, para os códigos civis, onde quem os criou achou que podia regular tudo, numa espécie de fanfarronice ou imperialismo jurídico.

Entretanto, tem sido 'suavizado' enquanto contrato face ao sacramento: hoje em dia, tirando a culpa, como propõe o PS, o casamento fica praticamente igual à união de facto... Retirar a culpa ao casamento, enquanto contrato civil, é matar o contrato. É dizer que os contratos não servem para nada, porque uma das partes pode quebrá-lo só porque sim, quando na verdade os contratos servem precisamente para garantir a estabilidade. Ora não haver culpa e 'rescisão' à vontade não é um contrato. É exactamente o contrário.



Estas incoerências da proposta do PS não são apenas do PS. Ou da proposta. As incoerências existem porque o casamento é um sacramento, e porque criar um civil não faz sentido nenhum: a igreja é a igreja, e o Estado é o Estado. E quem casa é a igreja.

Mas enfim, as pessoas gostam da festa, e casam-se. e o Estado foi na história, seja porque a populaça queria a festa -- mas não a Igreja -- seja porque o Estado quis regular tudo.

Porque a história do património é uma desculpa idiota. Quem quer gerir o seu património faz testamentos, doações, empréstimos, etc.. O casamento não deve ser usado para isso.



E a sua existência no Código Civil não faz sentido nenhum.

A proposta do PS tem pois um mérito: revela aos portugueses como o regime jurídico do casamento não tem sentido, tal como já alguns tinham percebido quando se 'criou' o divórcio e, bem mais recentemente, a união de facto, para não dizer 'casamentos gay'.

Bem andaria o PS se eliminasse, simplesmente, o casamento civil, uma excrescência do Direito.

As alterações que agora propõe revelam claramente que não faz sentido outro casamento que o sacramental, seja católico, seja a união através de outras religiões.

Tudo o resto são aberrações jurídicas e ataques à liberdade religiosa.

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05 abril 2008

04 abril 2008

Como transformar Portugal numa grande potência mundial, em 12 passos


1º Passo: Trocamos a Madeira pela Galiza, com a condição dos

espanhóis levarem o Alberto João.



Os espanhóis vão na onda (a Galiza só lhes dá chatices) e aceitam.

Nós ficamos com os galegos (que nos adoram) e com o dinheiro gerado
pela Zara (é só a 3ª maior empresa de vestuário.

A indústria têxtil portuguesa é revitalizada, enquanto a Espanha fica encurralada entre
os Bascos e o Alberto João.


2º Passo: Desesperados, depois de verem que fizeram um mau negócio,
os espanhóis tentam devolver a Madeira (e Alberto João).



A malta, obviamente, não aceita.

Em verdadeira aflição os espanhóis oferecem também o País Basco.

Mas a malta mantém-se firme e não aceita.



3º Passo: A Catalunha aproveita a confusão para pedir a independência.


Cada vez mais desesperados, os espanhóis oferecem-nos a Madeira, o

País Basco e a Catalunha. A contrapartida é termos que ficar com o
Alberto João e os Etarras.



A malta arma-se em difícil, regateia mas acaba por aceitar.



4º Passo: Damos a independência ao País Basco, com a contrapartida
deles ficarem com o Alberto João.

A malta da ETA pensa que pode bem com ele e aceita sem hesitar. Sem o

Alberto João a Madeira torna-se um paraíso. A Catalunha não causa
problemas (no fundo, no fundo, são mansos).



5º Passo: Afinal a ETA não aguenta com o Alberto João, que entretanto
semeia o terror e assume o poder.


O País Basco pede insistentemente para se tornar território português.

A malta, fingindo grande sacrifício, aceita (apesar de estar lá o

Alberto João).




6º Passo: Proibimos o Carnaval no País Basco, o que leva o Alberto

João a emigrar para o Brasil.


7º Passo: Pouco tempo depois da chegada do Alberto João, o Governo
brasileiro pede para voltar a ser território português.

A malta aceita e manda o Alberto João retornar à Madeira.



8º Passo: Com os jogadores brasileiros mais os portugueses (e apesar
do Alberto João), Portugal torna-se campeão do mundo de futebol!


9º Passo: Alberto João enfraquecido pelos festejos do Carnaval na

Madeira e Brasil, não aguenta a emoção, e morre na miséria, esquecido
por todos.


10º Passo: Os espanhóis, desmoralizados, e económica e
territorialmente enfraquecidos, não oferecem resistência quando

mandamos os poucos que restam para as Canárias.


11º Passo: Unificamos finalmente a Península Ibérica sob a bandeira
portuguesa.



12º Passo: A dimensão extraordinária adquirida por um país que une a

Península e o Brasil, torna-nos verdadeiros senhores do Atlântico, de
uma costa à outra e de norte a sul.

Colocamos portagens no mar, principalmente para os barcos americanos,
que são sujeitos a uma pesada sobretaxa por termos de trocar os



dólares em euros, constituindo assim um verdadeiro bloqueio naval que
os leva à asfixia.

Os americanos tentam aterrorizar-nos com o Bin Laden, mas a malta
ameaça enviar-lhes o Alberto João (que eles não sabem que já morreu).



Perante tal prova de força, os americanos capitulam e nós tornamo-nos
na primeira potência mundial...

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09 março 2008

Estupidez.



'A liberdade é algo que o País deve a Mário Soares, a Salgado Zenha, a Manuel Alegre... Não deve a Álvaro Cunhal' foi a pérola, o melhor que o Ministro dos Assuntos Parlamentares do PS, Augusto Santos Silva, soube dizer.

À sua frente, professores em Chaves, chamando o seu governo de fascista.

Se é certo que o governo não é fascista -- embora o perfil teimoso e cego de Sócrates não se encaixe muito longe da atitude -- é ridículo esquecer o papel de Álvaro Cunhal só porque ele não é do PS.

É um branqueamento da história tão escandaloso como o branqueamento de dinheiro.



Não sendo comunista, não tenho qualquer problema, no entanto, em reconhecer que Cunhal foi uma peça fundamental para a democracia em Portugal, como reconheceram milhares de pessoas no seu funeral.

Nesta perspectiva Augusto Santos Silva, Ministro do PS, ofendeu a memória dos mortos o que, como se sabe, é feio e [em democracia também] é crime.

O ministro do PS ofendeu, sobretudo, o bom senso. Ao dizer o que disse, no calor da situação, com jornalistas e manifestantes à frente, teve sorte em não levar uma sova. Colegas seus estiveram menos longe disso sem sequer ter falado [recordemos Francisco Assis, que até ficou sem óculos, e Sousa Franco, que morreu].



A diferença é que Assis não falou, e que Sousa Franco era de facto um homem de valor. Augusto Santos Silva deixa a desejar. Disse, sob pressão, o que provavelmente pensa. E o que pensa, percebeu-se, não tem sentido nenhum, não cola com a realidade.

Não se percebe como este perfil [igual a tantos seus colegas e antecessores, mesmo de outros partidos] pode encaixar no governo de uma nação: foi uma atitude pueril, estúpida, desonesta e mal educada.

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PS na fossa, Oposição na fossa, Portugal na fossa. Como acontece desde o fim do reinado de D. José, de resto.

'[...] As expectativas com que Sócrates assumiu o poder, após o falhado governo de Santana Lopes, fizeram-no cair a pique logo no início do mandato, em Setembro de 2005, quando os portugueses perceberam que a promessa eleitoral de não aumentar os impostos seria defraudada. Depois, apesar de alguns "casos" que envolveram a sua imagem, Sócrates conseguiu manter-se à margem do desgaste de alguns do seus ministros, sobretudo o da Saúde. Correia de Campos acabou por cair numa recente mini-remodelação. É, por isso, pouco provável que Sócrates faça outra para afastar Maria de Lurdes Rodrigues. As sondagens são menos generosas para a ministra.

A sua popularidade tem caído a pique e até Cavaco Silva veio pedir "serenidade" no sector da educação.

O comício de ontem foi esmagador. Simbólico, porque imagem de mal-estar mais vasto do que o que atinge a titular da Educação. Mesmo sem oposição preparada, só um milagre poderá fazer com uma maioria absoluta volte a cair nos braços do PS em 2009'.

Do DN de 9.2.3008, Paula Sá: A ponte ruiu e com ela a maioria absoluta

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Manifestações em Lisboa.



Apesar do terrível tempo e de ser sábado e não propriamente dia de greve à semana, a manifestação de professores foi afinal um sucesso, excedendo em 30,000 pessoas a previsão de 70,000, chegando pois ao record de cem mil pessoas, que a Euronews apresentou como a maior manifestação de professores de sempre em Portugal.

A elevada participação, a forma e o conteúdo das declarações dos participantes, fez com que nenhum comentador político apoiasse o PS, Sócrates, o Governo, como se preferir, na acusação ridícula de que eram manifestações de comunistas [acusação disparatada, em que Sócrates ainda se associa mais ao espírito salazarista do que já lhe era atribuído, sobretudo nas vaias ao Ministro da Presidência, chamado de fascista pela população].



Se fossem comunistas, com tal adesão, já o PCP estaria em alta nas sondagens o que não é de todo o caso, até porque ou Jerónimo de Sousa anda calado, ou a comunicação social já não o deixa falar.



Destaque ainda para o Eixo do Mal, que ainda repete esta tarde, onde se fizeram análises bem interessantes da realidade política nacional. Em especial, referência à cristalina análise de Clara Ferreira Alves, que coloca os pontos já referidos no Lorenzetti sobre como o PSD está fraco e como sem oposição o PS faz o que quiser, sem qualquer controlo limite ou expectativa de viragem eleitoral [não tendo o PSD Ethos, mas muita Pathos, sobretudo bravos...].



E ainda referência à observação cómica de José Júdice quanto à entrada excepcional de 2000 polícias: para o Ministro da Administração Interna parece ser uma medida de acalmia da população face aos recentes crimes nos jornais; José Júdice sugere que é uma óptima medida para garantir que há polícias suficientes para as próximas manifestações... assim visitam mais escolas antes...

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08 março 2008

'Marcha da Indignação'

Podemos chamar-lhes talvez mais apropriadamente os PSP-files ou, para simplificar, tiramos o P, e fica PS-files.

Lê-se no Público que 'A PSP visitou anteontem várias escolas do país perguntando quantos professores iriam aderir à manifestação de amanhã. ... a PSP sustentou que quis apenas “garantir a segurança dos manifestantes” e, pouco tempo depois, o próprio Rui Pereira anunciava a abertura de um processo de averiguações'.



Diz a TSF que 'O Comando Distrital da PSP de Santarém assegurou que não deu qualquer ordem referente a uma recolha de dados junto das escolas referente à manifestação de professores que vai decorrer no sábado em Lisboa e citam o porta-voz da PSP de Santarém/Ourém, 'onde dois agentes da PSP visitaram uma escola para saber quanto professores iriam à manifestação.'Achamos muito estranho que alguém tenha feito esse tipo de disparate...qualquer ordem teria de passar pelo Comando e nós não demos qualquer ordem...o Comando de Polícia não deu esta ordem como naturalmente não poderia dar. Estas situações não são admissíveis e nunca poderia ter havido este tipo de ordem', explicou'.

Isto é adorável.



Supomos então que se não houve ordem, não houve mal-entendido...

E supomos então que vários polícias se lembraram, de repente, de ir a escolas, à paisana, interrogar professores sobre a manifestação de sábado.

Supomos ainda que isto só pode ser um fenómeno paranormal [ou, como diria Herman, 'fenómenos para anormais'].

Como por exemplo uma nave espacial que raptou polícias e os convenceu a ir às escolas, dado não haver nenhuma ordem do Comando nesse sentido, e dado ter sido mais de um polícia a sentir o impulso irresistível de ir a escolas, e à paisana.

E tendo ido à paisana e sem ordens, supomos que tenha sido um pequeno passeio, uma visita pessoal, um hobbie fora da actividade policial.



Este caso é tão mais estranho que a desculpa da 'segurança pública' não vinga: os portugueses não se lembram de polícias a fazer isto noutros casos de outras manifestações ou greves depois do 25 de Abril. Só mesmo na manifestação de professores anterior, também com o actual Governo...

Diz o Sol: 'As posições estão extremadas, até no PS...Mais de 70 mil pessoas de todos os quadrantes políticos são esperadas hoje em Lisboa'.

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Sábado


Estae sábado ocorre a manifestação de professores entre a Rotunda / Marquês de Pombal e o Terreiro do Paço / Praça do Comércio.

A grande questão, cremos, não é a presença de professores [assegurada] mas de pais, alunos; enfim, de portugueses descontentes com a actual situação política, social e económica de Portugal e com os tiques autoritários recentes.

O tempo não parece ajudar e não será certamente como em 5 de Outubro de 1910 [foto]. Mas estamos curiosos.

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06 março 2008

Ministra da Educação na RTP



Numa posição invulgarmente agressiva, Judite de Sousa entrevistou a Ministra de Educação do PS, Lourdes Rodrigues.

A Ministra esforçou-se, mas não convenceu.



E Judite de Sousa demonstrou não se ter preparado: politicamente agressiva, mas claramente ignorante relativamente ao conteúdo das reformas da carreira docente.



Destacam-se 3 aspectos:

1. quando Judite de Sousa confronta a Ministra com um cenário de uma escola com 100 professores dos quais 8 são muito bons e 3 não são classificados como muito bons, pois a quota é de 5. A Ministra responde que a quota força a uma escolha, pois nem todos os professores podem ser muito bons. Não deixa de ser de estranhar: Judite de Sousa referiu 8 professores muito bons numa escola com 100... a ministra respondeu como se Judite de Sousa tivesse dito 100 e não 8... Esta quota, só por si, demonstra como o processo de avaliação dos professores é errado;

2. a insistência da ministra em dividir o país entre quem está a favor da avaliação dos professores e quem está contra. Não é verdade. O que está em causa não é dizer que não deve haver avaliação. O que está em causa é que o processo de avaliação proposto pela Ministra e pelo PS não faz sentido nenhum;

3. a possibilidade de um professor de uma disciplina avaliar outro de outra disciplina da qual nada sabe. A ministra refere que nesse caso o professor avaliador pode delegar competências noutro professor da disciplina do professor a avaliar. MAs porque não há de a avaliação ser sempre pelo professor titular da área do professor avaliado?

A conclusão é só uma: sábado terá muitos professores, mas também muitos pais e filhos, muitos cidadãos descontentes com um governo que expulsou Correia de Campos e que insiste em manter a ex-professora do actual Primeiro Ministro que, como se sabe, tem um percurso académico bem polémico.

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03 março 2008

A falta de Educação


Desta vez não escrevemos sobre a falta de educação em geral, mas a falta que nos faz a falta da actual Ministra da Educação.

Mesmo que se tratasse de óptima pessoa -- como foi o caso de Leonor Beleza, utilizada como exemplo por Marcelo na TVI -- teria de sair do Governo, não por si, mas pela crise instalada.

Tratar-se-ia, não mais, de percepção: 'podes ser bom, mas se não tens legitimidade, terás de sair'.

Assim acontece com a Ministra da Educação do PS Lourdes Rodrigues. Ou, para quem a achar incompetente, pior: além de não ter legitimação, não tem competência para o cargo.

Em qualquer dos casos, o caminho é só um.

Porém, José Sócrates parece querer mantê-la, numa teimosia quase infantil, provavelmente a demonstrar mais um distúrbio de personalidade do que persistência política. É que nem o Ministro da Saúde -- que foi despedido de forma pouco educada por Sócrates, como se sabe -- ficou no cargo.

Não se percebe portanto que Lourdes Rodrigues fique.

Entre o estratégia e a esperteza saloia há uma linha ténue que Sócrates e o seu PS parecem ter ultrapassado.

E seria triste ver o PS a cair simplesmente por uma Lourdes Rodrigues.

Sobretudo, num momento em que o PSD não surge como alternativa de governo.

Suponho que seja esse o 'raciocínio' de Sócrates e do seu PS: continuam no Governo não porque Portugal goste deles, mas porque não vê alternativa no PSD de Menezes.

Porém, esquecem-se de um pequeno detalhe: é precisamente nestes impasses que o povo vai para um de dois lados -- ou aguenta o PS mais uns tempos mesmo com Lourdes Rodrigues (coisa em que Sócrates e o seu PS parecem apostar) ou degenera num golpe de Estado, revolução civil, insurgimento, motim, ou algo que o valha (coisa sugerida pelo oficial Garcia Leandro e pelo comunicado da SEDES). Motim que só o aumento em 50% do preço do pão já justificava, para alguns (como exemplificava M.ª José Nogueira Pinto na SIC Notícias).

Se isso acontecer não tenho pena de Sócrates ou do PS e do que lhes acontecer.

Mas Portugal deixa-me preocupado.

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02 março 2008

O Berloque


Um programa de comédia chamava ao Bloco de Esquerda o Berloque.

De facto, por ter ausência de ideologia [como de resto todos os partidos portugueses à excepção do PCP e de alguns partidos de extrema-direita direita ilegais], acaba por ser um acessório, um elemento de destruição da esquerda, ao retirar o poder de voto do PCP e do PS.

Foi por isso naturalidade e espanto que lemos o título 'Com certeza que estamos à esquerda do Partido Comunista', a uma entrevista do DN/TSF a Francisco Louçã hoje.

Naturalidade porque não lhe sobra nada mais a dizer, mostrando como quer recuperar os votos que perdeu para o PCP e que agora precisa de volta.

Espanto porque não vemos qualquer ideologia no Bloco de Esquerda. E portanto não percebemos como podem estar à esquerda dos comunistas.

Ou sequer, dos sociais-democratas.

Socialmente, são de classe média.

Politicamente são neutros.

Ideologicamente são nulos.

Juridicamente são um partido, apesar de serem no fundo um 'bloco' de partidos como o PSR, sendo Louçã o líder do PSR.

Politicamente vieram destruir a esquerda, tirando votos aos ingénuos ou desiludidos do PCP e do PS, ou a quem se diz de esquerda só por rebeldia social, e sem consciência política.

No fundo, é uma perda de tempo, uma diluição partidária da política e dos portugueses, ainda pior do que o rotativismo PS / PSD, que assim fica sem uma terceira força política de relevo.

Trouxe design interessante e algumas causas. Mas isso não faz um partido, faz uma tertúlia de artistas ou um grupo de amigos, ou no máximo uma associação civil.

Como disse Louçã numa outra entrevista ao DN [16.8.2007], o'Bloco quer destruir o actual mapa político português'.

É caso para dizer: acreditam mesmo na televisão?

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