Não contra um jardim público, mas contra Alberto João Jardim e o seu governo regional que já deve ir nos 30 anos no poder.
Foi o PCP que, depois da moção proposta no continente, avançou para as ilhas.
Pior que Sócrates, Jardim nem apareceu no Parlamento, nem os representantes regionais, e os deputados regionais da oposição gozaram com o facto, saudando no início do seu discurso o 'Governo ausente'.
A moção, é claro, foi recusada pela maioria do PSD na Madeira, tal como a moção a Sócrates foi recusada pela maioria PS nA Assembleia da República [nem se percebe como podem votar em causa própria].
Mas ficou a intenção e sobretudo a reacção do Governo Regional.
Resolução da Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira n.º 12/2008/M Região Autónoma da Madeira - Assembleia Legislativa Congratulação pelos 30 anos de governação do Dr. Alberto João Jardim da Região Autónoma da Madeira
estava a ser menos mau, mas na Madeira estragou tudo.
É verdade.
Todos sabem quanto Lorenzetti achava Cavaco fraco, e não apenas pela sua origem de Boliqueime, ou de ter rodado o carro para o congresso e voltado líder do PSD e futuro Primeiro-Ministro [PM], ou por se achar ter sido um bom PM numa altura em que, com os fundos europeus, qualquer PM seria bom PM, ou pelo famoso momento do bolo rei.
Como PR, Cavaco nem ia muito mal. Ia até melhor que Sampaio, cujo intervencionismo -- sobretudo o golpe de Estado em que tirou Santana Lopes sem justificação plausível -- foi fatal.
Cavaco tem sido aquilo que se espera de um PR: não faz nada, diz bem de tudo e todos ou não comenta. É quase invisível, sobretudo com um governo PS cujo líder é ex-JSD e faz aquilo que o PSD de Cavaco faria no Governo.
A diferença é que já não contam com grandes fundos europeus. Mas mesmo assim ainda planeiam mais betão e autoestradas... Antes era Ferreira do Amaral, hoje é Jorge Coelho. Tudo bons rapazes, e a caravana passa.
Mas a visita à Madeira foi de escândalo e demonstra o estranho poder e a reverência absurda pelo governador do ilhéu.
Pactuar com o regime da Madeira é desrespeitar a democracia e a boa educação, que não tolerariam os comportamentos conhecidos de 'Alberto João'. Sobretudo o último, de chamar 'bando de loucos' aos membros do Parlamento Regional e fascista ao PND e referir-se aos 'tipos do partido socialista' e , não indo, como deveria, o PR ao Parlamento regional, mas encontrando-se com o governador do ilhéu que, fumando charuto, nos chama de cubanos e colonialistas, e aos jornalistas, chamou de 'bastardos' e, finalmente, de 'fdp'.
É verdade que usa as finanças e o défice como desculpa para tudo, contrariando a visão de membros do seu próprio partido e ex-PR como Jorge Sampaio, que outrora exclamaram 'há vida para além do défice'.
É verdade que apesar disso, estranhamente, decide gastar o maior dinheiro possível [em infraestruturas como aeroporto, TGV, ponte sobre o Tejo, etc] tendo prometido não aumentar os impostos.
Mas da mesma maneira que o actual Governo da República abusa do argumento orçamental, o Governo da Madeira tem sido 'refém' dos subsídios, não gerando excedentes que garantam a sua autosuficiência.
E argumentar com desejos de independência e mais autonomia de nada serve, pois a Madeira não sobreviveria economicamente, sobretudo se tivesse de devolver o que já recebeu.
Alberto João Jardim disse pois uma meia verdade, mas falta-lhe coerência. Quem tem telhados de vidro [e neste caso pouco limpo]...