Estae sábado ocorre a manifestação de professores entre a Rotunda / Marquês de Pombal e o Terreiro do Paço / Praça do Comércio.
A grande questão, cremos, não é a presença de professores [assegurada] mas de pais, alunos; enfim, de portugueses descontentes com a actual situação política, social e económica de Portugal e com os tiques autoritários recentes.
O tempo não parece ajudar e não será certamente como em 5 de Outubro de 1910 [foto]. Mas estamos curiosos.
A falta de educação não. Sobretudo em coisas básicas, que nunca poderiam faltar aos governantes de um país.
O caso é ainda mais grave quando existem assessores de protocolo.
Simone de Oliveira deu uma entrevista esta semana à RTP1. Na mesma, denunciou um caso -- quantos mais existem -- de falta de educação atroz, que neste caso demonstra incompetência suprema.
O novo ministro da Cultura, que tendo em conta o ambiente político português, já nem sei como se chama, faltou ao espectáculo de celebração dos 50 anos da carreira de Simone de Oliveira.
Pior: estando presente o Presidente da República [Cavaco] e um anterior Presidente da República [Eanes] e suas mulheres;
Ainda Pior: tendo telefonado um assessor do ministro a dizer que não poderia ir ao espectáculo... mas no dia seguinte.
Não só não foi, como apenas disse que não iria... no dia seguinte ao espectáculo ter tido lugar.
Já tivemos um Secretário da Cultura que dizia gostar dos violinos de Chopin [Santana].
Agora temos um ministro que não sabe -- ou pelo menos não demonstra -- qualquer educação ou sequer capacidade de gestão de agenda de Estado.
É particularmente confrangedor ver cavalos lusitanos liderados por burros que não só não andam, como não aguentam o peso.
Foi hoje divulgado pela imprensa uma sondagem segundo a qual 'Três em cada quatro pessoas inquiridas entendem que a administração pública funciona "pior" ou "muito pior" do que o sector privado'.
É claro que isto não significa que 'a administração pública funciona "pior" ou "muito pior" do que o sector privado'.
Significa apenas que as pessoas inquiridas 'acham' que 'a administração pública funciona "pior" ou "muito pior" do que o sector privado'.
Em todo o caso, é interessante pensar no recente caso dos rankings das escolas, segundo a qual os alunos das privadas surgem como detentores dos melhores resultados nos exames nacionais.
É claro: tal não significa que as escolas privadas sejam melhores do que as públicas, i.e. que o ensino nos privados seja melhor que o público, ou que o público seja pior que o privado.
O que é certo é que o tipo de gente [sejamos claros] que frequenta um colégio e o tipo de gente que vai para a escola secundária ou o ciclo lá do bairro é bem diferente.
A diferença é, sobretudo, de estrato social e de conforto das instalações.
Seria mais interessante [para não dizer útil e realista] realizar o ranking ponderando o background socio-económico dos estudantes e a qualidade das instalações dos colégios e escolas analisadas.
Digam o que disserem, com o politicamente correcto do costume, o background é 95%.
E esquece-se, por exemplo, que os estudantes do privado podem ser expulsos e atirados para o público. E não o contrário.
José Sócrates, Primeiro Ministro, em pleno feriado, atrasou-se para as celebrações oficiais da República Portuguesa, hoje na Praça do Município, em Lisboa.
Um atrasado, José Sócrates -- ou o seu pessoal, o que vai dar ao mesmo, uma vez que é ele que o escolhe e que por ele é responsável -- parece não perceber a importância da pontualidade.
E se a incompetência técnica pode ser desculpável [e Sócrates não andou propriamente em Oxford], a falta de educação não.
Não é preciso ser diplomata e especialista em protocolo / cerimonial de Estado para saber que num evento com o chefe de Estado, este é o último a chegar. Ou seja, todos os outros têm de chegar antes. E como qualquer cidadão, português e eleitor sabe, as agendas de personalidades públicas são, em dias como o de hoje, coordenadas ao segundo pelo pessoal da Casa Civil do PR e do Gabinete do PM.
Goste-se ou não da República.
O regicídio da pontualidade ficou bem mal.
E curiosamente, achei piada ao discurso de Cavaco Silva. Chamar a responsabilidade educativa aos pais das criancinhas e criticar os disparates da Ministra da Educação não lhe ficou mal.
'Children are not to be taught by rules, which will always slip out of their memories. What you think necessary for them to do, settle in them by an indispensable practice, as often as the occasion returns; and if it be possible, make occasions'
'I think I may say that of all the men we meet with, nine parts of ten are what they are, Good or Evil, useful or not, by their education. 'Tis that which makes the great difference in mankind: the little, and almost insensible impressions in our tender infancies, have very important and lasting consequences'
John LOCKE [1693] Some thoughts concerning education