14 outubro 2007

Expresso


Esta semana [13.10.2oo7] o Expresso está de parabéns por alguns dos conteúdos. Destacam-se:

- uma reportagem sobre o risco de terramoto [parece que não aprendemos nada com a nossa própria história, com um terramoto que nos lançou para a cauda não só da Europa, como do mundo]: 'enquanto nós perdemos ânimo político para prevenir o sismo, as placas tectónicas vão acumulando mais energia': pp.25-25;

- uma reportagem sobre uma consequência imediata e muito grave da actual crise económica e política em Portugal: a subida dos preços dos alimentos básicos [ver LorenzettiCome], a descida do IVA apenas em alguns produtos manhosos de fastfood e portanto o encorajamento ao seu consumo, e a existência de 50% de portugueses adultos com excesso de peso: p.26;

- um artigo sobre a incapacidade do Governo PS para combater o desemprego: p.5;

- uma reportagem sobre o OE2oo8 e em particular as verbas para cada ministério, que provavelmente não irão chegar [a Cultura não recebe quase fundos [o pior de todos, com 245.5 milhões, sendo que as Finanças e Administração Pública recebem a maior fatia do bolo, 18.406 milhões, seguidos pela saúde apenas com 8645 milhões]: p.4;

- uma coluna de Miguel Sousa Tavares questionando qual a razão das queixas de Catalina Pestana quanto a actuais abusos na Casa Pia, sendo ela a principal responsável pela instituição, como Provedora, o que obviamente a torna, então, culpada: p.7;

- a subida louca de processos contra sindicalistas na vigência do actual governo: p.8;

- um artigo sobre as 'vaias, apupos e insultos' ao PM José Sócrates na Covilhã, sua terra natal, sob o título 'A democracia é uma festa' e o comentário do PM 'uns protestam e outros aplaudem': p.8;

- uma crítica ao PM José Sócrates, que acusa os seus críticos de serem comunistas [como já faziam os ditadores mais clássicos do século XX]: p.18;

- o artigo sobre Angola e o seu traço imperialista sob Eduardo dos Santos: p.34;

- a simpática referência ao leilão da Leiria e Nascimento, onde Vieira da Silva bateu os records de quadros leiloados em POrtugal [mesmo Malhoa?!]: p.48.

E isto só o 'primeiro caderno'.

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Sócrates e a sua polícia.



Continua o crescendo mediático sobre o PM José Sócrates, do PS, a quem já nenhum spin-doctor parece valer.

Nem mesmo tácticas como a referida no Eixo do Mal de 13.102oo7 segundo a qual detalhes do Orçamento de Estado apresentado na sexta-feira teriam sido 'libertados' pelo Governo ao longo da semana, para entreter e distrair os portugueses, cidadãos e eleitores, da escandaleira da Covilhã, onde mais uma vez -- e nesta vez na cidade onde o próprio Sócrates nasceu e estudou, e onde o PCP tem baixa votação -- Sócrates foi vaiado, e desta vez apelidado já de fascista.

A melhor resposta que Sócrates e os seus spin-doctors -- que claramente já sabiam da manifestação -- arranjaram, foi esta: 'o primeiro-ministro disse que'a democracia faz-se assim: há quem aplauda, há quem assobie' [Público], negativa, difusa, tanto faz. Além de fraca, esta resposta tem um risco: a de dar a ideia -- correcta ou não -- de que o PM está-se nas tintas para a opinião pública: positiva, negativa, difusa, tanto faz.

O que é certo é que a PSP esteve, à paisana, num sindicato que nem sequer participava na manifestação, e terá retirado material do dito sindicato.

Não se percebe então porque é que o processo disciplinar não teve seguimento. Ou é normal? É que se for [e parece, com a notícia 'Governo Civil de Castelo Branco diz que visita da PSP a sindicatos é procedimento de rotina'], o caso é mais grave: porque se os polícias em casa não são responsáveis, é a sua tutela. De acordo com o Público, houve 'reacções por parte do Sindicato dos Profissionais de Polícia, que considerou que a PSP está a ser "o bode expiatório da hostilidade dos sindicatos para com o primeiro-ministro'. Pois é, a polícia também tem um sindicato [e nesse pode entrar à vontade].

Não se percebe. Se a PSP é inocente, o que fazia dentro do sindicato e à paisana? Tomava chá?

Ou representava o seu próprio sindicato e também ia manifestar-se?

Pois é. Uma história mal contada. Estilo JFK, Camarate, Al Qaeda ou Casa Pia. O costume. Tentemos lembrar-nos dela nas próximas eleições. Eu vou.



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05 outubro 2007

O atrasado.


José Sócrates, Primeiro Ministro, em pleno feriado, atrasou-se para as celebrações oficiais da República Portuguesa, hoje na Praça do Município, em Lisboa.

Um atrasado, José Sócrates -- ou o seu pessoal, o que vai dar ao mesmo, uma vez que é ele que o escolhe e que por ele é responsável -- parece não perceber a importância da pontualidade.

E se a incompetência técnica pode ser desculpável [e Sócrates não andou propriamente em Oxford], a falta de educação não.

Não é preciso ser diplomata e especialista em protocolo / cerimonial de Estado para saber que num evento com o chefe de Estado, este é o último a chegar. Ou seja, todos os outros têm de chegar antes. E como qualquer cidadão, português e eleitor sabe, as agendas de personalidades públicas são, em dias como o de hoje, coordenadas ao segundo pelo pessoal da Casa Civil do PR e do Gabinete do PM.

Goste-se ou não da República.

O regicídio da pontualidade ficou bem mal.

E curiosamente, achei piada ao discurso de Cavaco Silva. Chamar a responsabilidade educativa aos pais das criancinhas e criticar os disparates da Ministra da Educação não lhe ficou mal.

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17 setembro 2007

José Sócrates, Primeiro-Ministro.


Antes de mais, uma nota: não conheço José Sócrates nem tenho, quanto a ele, qualquer opinião pessoal.

Admito até a hipótese de me esquecer que ele existe meses depois de deixar o cargo [mesmo que depois volte como candidato nas presidenciais de 2016 [?]].

Tenho no entanto dúvidas quanto ao seu perfil profissional.

Digo isto à margem do caso Independente. Admitamos que o caso Independente não tem importância, até porque já nem se fala dele, como se o tudo fosse nada.

Admitamos até, como me diziam há uns tempos [sem me convencer em absoluto], que o perfil académico é irrelevante. Que basta 'boas características pessoais' e estudo e trabalho, e 'saber de experiência feito'.

Quis tirar conclusões e li a 'biografia' [não lhe chamaram CV] do PM, no website da PCM.

Tirando o facto de o actual titular do cargo chamar-se José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa e ter nascido em Vilar de Maçada, concelho de Alijó, distrito de Vila Real, em 6 de Setembro de 1957, e de ser -- segundo o texto -- 'licenciado em engenharia civil' [sem dizer onde] e 'Pós-graduado em Engenharia Sanitária, na Escola Nacional de Saúde Pública' [cujo bar tem uma tarte de maçã fantástica, que recomendo], temos o seguinte perfil:

Militante do Partido Socialista desde 1981

Presidente da Federação Distrital de Castelo Branco entre 1986 e 1995

Membro do Secretariado Nacional do Partido Socialista desde 1991, e membro da Comissão Política do PS

Porta-voz do PS para a área do Ambiente a partir de 1991

Deputado à Assembleia da República de 1987 a 1995 e desde 2002 (V, VI, VII, VIII e IX Legislaturas), pelo círculo de Castelo Branco, tendo sido, na IX Legislatura, Vice-Presidente do Grupo Parlamentar do PS, membro da Comissão Parlamentar de Defesa Nacional e membro da Comissão Permanente da Assembleia da República

Membro da Assembleia Municipal da Covilhã

Ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território do XIV Governo Constitucional

Ministro Adjunto do Primeiro-Ministro do XIII Governo Constitucional

Secretário de Estado Adjunto do Ministro do Ambiente do XIII Governo Constitucional

Eleito Secretário Geral do Partido Socialista em Setembro de 2004



Vamos dissecar
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Tirados os dados pessoais e académicos sobrou o que se viu. Vamos agora retirar os cargos partidários. Sobra o seguinte:

Deputado à Assembleia da República de 1987 a 1995 e desde 2002 (V, VI, VII, VIII e IX Legislaturas), pelo círculo de Castelo Branco, tendo sido, na IX Legislatura, Vice-Presidente do Grupo Parlamentar do PS, membro da Comissão Parlamentar de Defesa Nacional e membro da Comissão Permanente da Assembleia da República

Membro da Assembleia Municipal da Covilhã

Ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território do XIV Governo Constitucional

Ministro Adjunto do Primeiro-Ministro do XIII Governo Constitucional

Secretário de Estado Adjunto do Ministro do Ambiente do XIII Governo Constitucional


Vamos agora retirar os cargos exclusivamente políticos: não sobra nada.

Coloca-se a questão: será adequado para o sector público alguém que nunca trabalhou no privado, que nunca esteve -- pelo perfil que se leu -- numa empresa, ou numa fundação, ou numa qualquer associação ou entidade?

Qual o seu 'saber de experiência feito'? Qual a sua qualidade profissional? Qual a sua qualidade cultural?

O que torna o seu CV apetecível para um empregador como o Governo, nesta sociedade global e competitiva?

Não sei. Mas vou ficar a pensar no assunto, tendo no entanto consciência que os Portugueses, ao recrutarem o seu Governo, são bem menos exigentes do que as empresas em que trabalham. Mesmo que sejam funcionários públicos...

Bem sei que o Estado paga mal, e que o salário de PM é miserável. Mas enfim...

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