07 maio 2008

Moção de Censura



O PCP propôs uma moção de censura.

Podemos concordar ou não.

Mas discordamos, desde logo, que o PSD e o CDS se abstenham.

O nim, nestas ocasiões, é um sim -- até rima -- ao estado das coisas e demonstra por um lado o vácuo de oposição e por outro a hipocrisia de partidos [PSD e CDS] que têm passado a vida a criticar o Governo só porque sim.



Se discordam, votassem contra. Até porque, no fundo, o PS continuaria no lugar, pois os seus mais de 100 deputados irão votar contra a moção.



Ao abster-se, o PSD e o CDS mostram não ser oposição ao Governo de Sócrates e dão espaço não só ao PS como ao PCP.

É a vida. Ou, simplesmente, a burrice.

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10 abril 2008

Tachos: distinguir o trigo do joio. Ou tirar coelhos da cartola.

No Público de hoje é divulgada uma acção de denúncia através da qual o PCP e Bloco de Esquerda demonstram como 'a nomeação de Jorge Coelho para presidir à Mota-Engil' é 'um exemplo de promiscuidade entre a política e os negócios. O PCP foi mais longe e desfiou uma longa lista de ex-governantes que foram para grandes empresas. E ficou sem resposta de todas as bancadas'.

Esta experiência é tão útil como perigosa.

É útil porque denuncia casos de possível corrupção, tráfico de influências e política suja, sem que tenha sido apresentada argumentação convincente pelos outros partidos.

É perigosa porque estimula uma característica bem portuguesa: a inveja e o tribunal popular.

Tem pois que ser gerida com cuidado.



Lê-se no Público 'outros exemplos de ex-ministros de Obras Públicas que ingressaram em grandes empresas, como Ferreira do Amaral (PSD), na Lusoponte, António Mexia (PSD) na Galp e depois na EDP. Bernardino Soares referiu também muitos casos na banca: um ex-ministro PSD (Fernando Nogueira), um ex-secretário de Estado da presidência (Paulo Teixeira Pinto, PSD) e um ex-ministro-adjunto (Armando Vara, PS) no BCP. O Banco Santander recrutou uma ex-ministra das Finanças (Manuela Ferreira Leite, PSD) e um ministro da Presidência (António Vitorino, PS). Foram também referidos "vários ministros e secretários de Estado" que foram para o Banco Espírito Santo, Banco Português de Negócios ou Banco Privado Português. Noutras áreas, o líder da bancada do PCP referiu ainda um secretário de Estado da Saúde (José Lopes Martins, PSD) para a administração do Hospital Amadora-Sintra cujo contrato negociou, um ex-ministro do Desporto e da Administração Interna (Fernando Gomes, PS) na Galp, e um ex-ministro das Finanças (Pina Moura, PS) na Iberdrola e na Prisa. Nem mesmo a Assembleia da República escapou ao rol: "Até temos um deputado, porta-voz de um partido, e logo o mais representado que é provedor das empresas de trabalho temporário e defende, claro está com toda a independência que a legislação laboral devia ser mais liberalizada", prosseguiu Bernardino Soares, referindo-se ao dirigente socialista Vitalino Canas. Para o líder da bancada comunista, “esta situação de promiscuidade mina os alicerces do Estado democrático, compromete a independência de decisão e dá justificadas razões para que o povo esteja descrente nos partidos que alternam a governação”. Esta declaração política foi recebida com silêncio. Nenhum partido quis intervir. [...]



Helena Pinto referiu o caso de Jorge Coelho na Mota-Engil, “uma das construtoras com maiores interesses nas actuais concessões de auto-estradas, algumas delas assinadas pelo próprio Jorge Coelho, e nas futuras obras públicas agora anunciadas pelo primeiro-ministro”. [...] Em defesa de Jorge Coelho, o deputado socialista José Junqueiro disse não poder aceitar que se façam “juízos de valor sobre a honestidade de pessoas que estão na vida pública”. Jorge Coelho “saiu da política há sete anos, a lei das incompatibilidades não foi ferida”'.

Como é evidente é de louvar que as acusações tenham sido fundadas com exemplos, que devem agora ser investigadas pelo Ministério Público e tratadas nos tribunais.

O que tem de provar-se é que há tráfico de influências. Não se pode condenar um deputado porque trabalha ou trabalhou para o sector privado, mas porque esse trabalho perturba o exercício da sua missão parlamentar e/ou está associada a práticas de corrupção e/ou tráfico de influências. Não é de admirar que um banco contrate um político que é economista. Mas é claro que um indivíduo sem CV na área da empresa que o contrata depois de ser ministro, levanta desconfianças... e deve ser investigado.



O silêncio das outras bancadas parlamentares é de lamentar [faz lembrar o 'só falo na presença do meu advogado'] e a putativa defesa de José Junqueiro é falhada: o facto de Jorge Coelho, por exemplo, ter respeitado os anos que a lei impõe entre o exercício dos dois cargos nada nos diz que não houve corrupção. Diz-nos apenas que entre as funções públicas e as privadas houve um período de nojo correspondente aos anos estipulados na lei.

Mas o que está em causa não é se os políticos portugueses respeitam o período de nojo previsto na lei.

O que está em causa é:

1. casos de tráfico de influências e falta de independência;
2. se a lei das incompatibilidades é correcta e, não o sendo, deve ser alterada.

O facto de se ter estado 7 anos fora da política não nos garante que um ex-ministro que sobre à administração de uma construtora civil sem ter CV nessa área não favoreceu e não favorecerá interesses privados contra interesses públicos.

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09 março 2008

Manifestações em Lisboa.



Apesar do terrível tempo e de ser sábado e não propriamente dia de greve à semana, a manifestação de professores foi afinal um sucesso, excedendo em 30,000 pessoas a previsão de 70,000, chegando pois ao record de cem mil pessoas, que a Euronews apresentou como a maior manifestação de professores de sempre em Portugal.

A elevada participação, a forma e o conteúdo das declarações dos participantes, fez com que nenhum comentador político apoiasse o PS, Sócrates, o Governo, como se preferir, na acusação ridícula de que eram manifestações de comunistas [acusação disparatada, em que Sócrates ainda se associa mais ao espírito salazarista do que já lhe era atribuído, sobretudo nas vaias ao Ministro da Presidência, chamado de fascista pela população].



Se fossem comunistas, com tal adesão, já o PCP estaria em alta nas sondagens o que não é de todo o caso, até porque ou Jerónimo de Sousa anda calado, ou a comunicação social já não o deixa falar.



Destaque ainda para o Eixo do Mal, que ainda repete esta tarde, onde se fizeram análises bem interessantes da realidade política nacional. Em especial, referência à cristalina análise de Clara Ferreira Alves, que coloca os pontos já referidos no Lorenzetti sobre como o PSD está fraco e como sem oposição o PS faz o que quiser, sem qualquer controlo limite ou expectativa de viragem eleitoral [não tendo o PSD Ethos, mas muita Pathos, sobretudo bravos...].



E ainda referência à observação cómica de José Júdice quanto à entrada excepcional de 2000 polícias: para o Ministro da Administração Interna parece ser uma medida de acalmia da população face aos recentes crimes nos jornais; José Júdice sugere que é uma óptima medida para garantir que há polícias suficientes para as próximas manifestações... assim visitam mais escolas antes...

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02 março 2008

O Berloque


Um programa de comédia chamava ao Bloco de Esquerda o Berloque.

De facto, por ter ausência de ideologia [como de resto todos os partidos portugueses à excepção do PCP e de alguns partidos de extrema-direita direita ilegais], acaba por ser um acessório, um elemento de destruição da esquerda, ao retirar o poder de voto do PCP e do PS.

Foi por isso naturalidade e espanto que lemos o título 'Com certeza que estamos à esquerda do Partido Comunista', a uma entrevista do DN/TSF a Francisco Louçã hoje.

Naturalidade porque não lhe sobra nada mais a dizer, mostrando como quer recuperar os votos que perdeu para o PCP e que agora precisa de volta.

Espanto porque não vemos qualquer ideologia no Bloco de Esquerda. E portanto não percebemos como podem estar à esquerda dos comunistas.

Ou sequer, dos sociais-democratas.

Socialmente, são de classe média.

Politicamente são neutros.

Ideologicamente são nulos.

Juridicamente são um partido, apesar de serem no fundo um 'bloco' de partidos como o PSR, sendo Louçã o líder do PSR.

Politicamente vieram destruir a esquerda, tirando votos aos ingénuos ou desiludidos do PCP e do PS, ou a quem se diz de esquerda só por rebeldia social, e sem consciência política.

No fundo, é uma perda de tempo, uma diluição partidária da política e dos portugueses, ainda pior do que o rotativismo PS / PSD, que assim fica sem uma terceira força política de relevo.

Trouxe design interessante e algumas causas. Mas isso não faz um partido, faz uma tertúlia de artistas ou um grupo de amigos, ou no máximo uma associação civil.

Como disse Louçã numa outra entrevista ao DN [16.8.2007], o'Bloco quer destruir o actual mapa político português'.

É caso para dizer: acreditam mesmo na televisão?

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14 outubro 2007

Expresso


Esta semana [13.10.2oo7] o Expresso está de parabéns por alguns dos conteúdos. Destacam-se:

- uma reportagem sobre o risco de terramoto [parece que não aprendemos nada com a nossa própria história, com um terramoto que nos lançou para a cauda não só da Europa, como do mundo]: 'enquanto nós perdemos ânimo político para prevenir o sismo, as placas tectónicas vão acumulando mais energia': pp.25-25;

- uma reportagem sobre uma consequência imediata e muito grave da actual crise económica e política em Portugal: a subida dos preços dos alimentos básicos [ver LorenzettiCome], a descida do IVA apenas em alguns produtos manhosos de fastfood e portanto o encorajamento ao seu consumo, e a existência de 50% de portugueses adultos com excesso de peso: p.26;

- um artigo sobre a incapacidade do Governo PS para combater o desemprego: p.5;

- uma reportagem sobre o OE2oo8 e em particular as verbas para cada ministério, que provavelmente não irão chegar [a Cultura não recebe quase fundos [o pior de todos, com 245.5 milhões, sendo que as Finanças e Administração Pública recebem a maior fatia do bolo, 18.406 milhões, seguidos pela saúde apenas com 8645 milhões]: p.4;

- uma coluna de Miguel Sousa Tavares questionando qual a razão das queixas de Catalina Pestana quanto a actuais abusos na Casa Pia, sendo ela a principal responsável pela instituição, como Provedora, o que obviamente a torna, então, culpada: p.7;

- a subida louca de processos contra sindicalistas na vigência do actual governo: p.8;

- um artigo sobre as 'vaias, apupos e insultos' ao PM José Sócrates na Covilhã, sua terra natal, sob o título 'A democracia é uma festa' e o comentário do PM 'uns protestam e outros aplaudem': p.8;

- uma crítica ao PM José Sócrates, que acusa os seus críticos de serem comunistas [como já faziam os ditadores mais clássicos do século XX]: p.18;

- o artigo sobre Angola e o seu traço imperialista sob Eduardo dos Santos: p.34;

- a simpática referência ao leilão da Leiria e Nascimento, onde Vieira da Silva bateu os records de quadros leiloados em POrtugal [mesmo Malhoa?!]: p.48.

E isto só o 'primeiro caderno'.

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30 setembro 2007

Então e o actual Primeiro Ministro?



'relevante, e preocupante, o facto de os políticos no activo virem cada vez mais das juventudes dos partidos, infelizmente nunca tendo feito outra coisa na vida além de política partidária'


Francisco SARSFIELD CABRAL
in Diário de Notícias, 8.3.2005





Sir Max Beerbohm
D.G. Rossetti Precociously Manifesting ... that Queer Indifference to Politics ... , 1916-17

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23 setembro 2007

P S D .

Lemos hoje no DN que 'Santana admite liderar bancada social-democrata
"Ou se faz oposição a sério na AR ou não vale a pena estar lá"
'.

Santana Lopes, outrora gozado / invejado pelos seus pares e eleitores pelas alegadas noitadas e algaraviadas, ridicularizado pela classe cultural pelo seu fraco desempenho intelectual, entretanto expulso de um dos mais altos cargos do Estado por Jorge Sampaio, então Presidente da República, é hoje um homem normal, um político normal, e um candidato admissível à liderança do PSD.

Marques Mendes revelou-se insonso, e Menezes ressabiado. E ambos pouco preparados até mal educados. Já não bastava a falta de conteúdo das campanhas de ambos para a liderança do PSD, a forma como se exprimem é vergonhosa.

Em política não há reformas nem impossíveis, já se sabe.

E tendo em conta do estado lastimável do PSD, Santana -- também ele lastimado -- parece saudável.

E apto, até, para segurar um partido que já nem Santana é tão mau para liderar.

Escrevo isto não por amizade ao PSD, mas pela necessidade de estabilidade política em Portugal.

Sendo que estabilidade não é partido único. Como está a acontecer: um Governo, uma maioria, um presidente e um presidente de Câmara.

PCP, Bloco de Esquerda e restantes [mesmo com o ressuscitar de Paulo Portas], nada parecem estar a fazer [à excepção do PCP, que tem subido nas sondagens, mas ainda muito longe de fazer concorrência de votos ao PS.

O PSD é como que um testamento político de Sá Carneiro, ao qual não apareceu nenhum herdeiro, apenas candidatos.

Seja Santana ou outro qualquer, alguém tem de salvar o PSD. A bem dizer, aquilo a que outrora se chamou a oposição.

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04 setembro 2007

De que partido sao?



Nao sabemos. Os ingleses tem a vantagem de colocar sempre o partido do politico que fala na TV ou num jornal: em regra, sendo deputado, colocam a expressao MP, seguida de C ou L, seja Conservative ou Labour [sim, tambem ha liberais democratas, que me merecem estima].

E nos EUA tambem: D for democrats, R for Republicans.

Seria interessante fazer isso em Portugal. Mais do que em epoca de eleicoes, parece-me importante saber quem e quem durante os mandatos. Se o Presidente da Camara de Faro fala na TV, ou na Radio, ou a um jornal, interessa-me saber qual o seu partido.

Ha quem lhe chame transparencia.

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31 julho 2007

Charruada no Parlamento.


Diz o Público que 'em declarações à Lusa, o deputado social-democrata Pedro Duarte lamentou que Maria de Lurdes Rodrigues não se desloque ao Parlamento já amanhã ou na próxima semana, considerando que o adiamento dos esclarecimentos visa "empurrar o assunto para o esquecimento". "Os três meses que a ministra demorou a tomar uma decisão não foram inocentes", acusou.

Em causa está o processo disciplinar instaurado ao professor Fernando Charrua, por decisão da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN), onde estava requisitado, na sequência de um comentário sobre o primeiro-ministro.

O processo foi arquivado segunda-feira pela ministra da Educação, não tendo sido aplicada qualquer sanção disciplinar ao professor, que agora exige uma indemnização e a reintegração na DREN, onde deixou de trabalhar por ter sido cessada a sua requisição de serviço, poucos dias depois da abertura do inquérito.

No Parlamento, Maria de Lurdes Rodrigues deverá ainda dar explicações sobre as crianças contratadas a uma agência de publicidade para uma demonstração do uso de quadros interactivos, no âmbito da apresentação pública, na passada segunda-feira, do Plano Tecnológico da Educação. Segundo defende o PSD no requerimento apresentado, tratou-se de uma "encenação" que "leva ao extremo a lógica propagandística" do Governo e "levanta inúmeras dúvidas éticas, políticas e legais"'.


Sobre este último assunto, disse a TSF 'A apresentação da escola que o Governo quer para o futuro foi feita perante alunos que não foram recrutados nas escolas mas sim na agência de casting da NBP. Uma situação que a ministra da Educação considerou normal'. E o Público que 'para além da sala improvisada no Centro Cultural de Belém havia algo mais encenado. Os “alunos” eram crianças que tinham sido recrutadas por uma agência de casting: a NBP, num trabalho que rendeu 30 euros a cada um, de acordo com o relato feito por um dos miúdos à RTP'.

Assim se combate o desperdício, o défice, bla-bla, da-di-dah... ah, e se evitam as vaias.

Acabo de ver a transmissão diferida pelo Canal Parlamento [sim, ainda existe] e a desarticulação de Maria de Lourdes Rodrigues, Ministra da educação, foi evidente.

É certo que como sempre no parlamento, houve deputados na habitual chicana, no caciquismo partidário sem qualquer interesse. Foi especialmente o caso do PSD e do PS.

As boas contribuições vieram do PCP e logo de seguida do CDS.

Em particular, as questões relevantes:

- se a decisão foi disciplinar e não política, porque levou o processo tanto tempo e porque foi o processo arquivado, uma vez que havia matéria provada?

- se o argumento não era disciplinar e sim de liberdade de expressão [como referiu a própria ministra no despacho de arquivamento] como foi possível abrir o processo?

- se a DREN agiu bem, porque chamou a Ministra a si [avocou] o processo, para proferir despacho de arquivamento?

- se a DREN agiu mal, porque é que a sua coordenadora não foi ela própria e o denunciante alvos de processo disciplinar [esses por perseguição política] e devidamente demitidos?

- se a promoção do denunciante coincidiu no tempo com a denúncia e o processo, poder-se-á falar de mera coincidência e não de pagamento pela denúncia?

- se se trata de 'participação' e não de 'delação', qual o fundamento disciplinar?

- se a única acusação é de insulto ao primeiro ministro, porque é que a Ministra recusa tratar-se de uma delação e de um processo político?

Portugal parece ainda não se ter habituado à democracia, cujos 32 anos já justificariam uma melhor convivência com ela.

imagem: Ford Madox BROWN [1863] Mauvais sujet, comprado pela Tate Gallery em 1917

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21 julho 2007

'Política Nacional', ou sonsão sem Dalila.



Como sorri agora, ao ler a citação que Pacheco Pereira faz de Santana Lopes, no rescaldo das 'intercalares' para Lisboa: 'Santana Lopes tem toda a razão: 'Candidatos em relação aos quais não se conhecem programas, propostas, ideias e diferenças é a mesma coisa que manequins numa passerelle'. E fala com autoridade porque conhece bem essa passerelle'.

Mas vamos ao pós-intercalares. O CDS foi conhecido, recentemente, como partido do táxi.

Nessa perspectiva, o PND seria o partido da cabine telefónica, mas sem qualquer fleuma britânica.

Esta semana Manuel Monteiro sai do PND [deixa portanto de haver PND, partido unipessoal?], deixando espaço político ao PNR.

O CDS, na sua pior fase de sempre, tem o sonso Portas e deixou o insonso Castro, e perdeu o vereador que tinha na Câmara de Lisboa.

O PSD tem um líder também insonso, que sonsamente pede eleições internas antecipadas, sem que apareçam outros candidatos, que estão a deixar a palha queimar.

O PS continua na mesma, como partido de centro-direita e imagem de centro-esquerda. Com um governo, uma maioria, um presidente e um presidente de câmara.

Num país onde se comentam tiques autoritários, em crise económica, em presidência do Conselho Europeu [que nos faz esquecer as tropelias da política interna], não ter oposição -- ou não ligar à que resta -- é mau. Muito mau.

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07 março 2007

PCP e a tese da cassete


Todos sabemos que o PCP reúne históricos que levaram com o cassetete policial e mais jovens que levam com o cassetete do 'political prejudice', acusados de viver em torno de cassetes.

Não sei se a teoria da cassete é verdadeira ou não [ainda tal teoria seja algo favorável ao chamado relativismo dominante, combatido precisamente pelos neo-liberais], mas parece-me especialmente importante que se seja honesto e rigoroso naquilo que se diz.

Sobretudo quando se é jornalista, ao que acresce então -- a menos que se escreva a título de comentário ou pessoal -- o dever de imparcialidade.

No DN de hoje li uma 'notícia' com o título 'PCP diz que teses de Cunhal com 60 anos estão actuais'.

Fiquei curioso. Dada a 'teoria da cassete', quis perceber qual o conteúdo da cassete.

No entanto, refere o autor do artigo, citando Jerónimo de Sousa, actual líder do PCP, que 'Nos textos do camarada Álvaro Cunhal agora publicados, todos escritos há mais de seis décadas relevam questões que continuam a ter uma actualidade incontornavel e são uma referência para os comunistas do nosso tempo'.

Li a notícia mais do que uma vez, mas o erro persistia.

O que o jornalista não percebeu, ou não quis perceber [e o mesmo se aplica ao revisor e ao editor que admitiu a publicação], é que não havia ali ideias nenhumas, mas factos.

Ao dizer 'relevam questões que continuam a ter uma actualidade incontornavel ' é evidente que a referência é aos problemas, e não às soluções.

E se as soluções são políticas -- à esquerda, direita, centro ou outra coisa qualquer -- os problemas são de facto.

Portanto não se falava certamente das 'teses de Cunhal', mas apenas de 'questões que continuam a ter uma actualidade incontornavel '.

Uma amiga minha, que não é, de todo, do PCP, e nem sequer de esquerda ou de direita suave, dizia-me ao almoço que Jerónimo era uma espécie de Lula português. Lula era torneiro mecânico e Jerónimo de Sousa, creio, era operário fabril.

É curioso que um ex-operário fabril seja mais rigoroso que um jornalista no activo.

Às vezes, até que prefiro quando os jornalistas cometem erros ortográficos. Esses ao menos beneficiam da desculpa do mistype e não de raciocínio obtuso ou parcial.

Que no caso, nem ajuda os anticomunistas.

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10 dezembro 2004

Ah pois é. Falam, falam, falam...



'relevante, e preocupante, o facto de os políticos no activo virem cada vez mais das juventudes dos partidos, infelizmente nunca tendo feito outra coisa na vida além de política partidária'


Francisco SARSFIELD CABRAL
in Diário de Notícias, 8.3.2005



Sir Max Beerbohm
D.G. Rossetti Precociously Manifesting ... that Queer Indifference to Politics ... , 1916-17

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