09 maio 2008

'Livres para casar'


é o título que acompanha a imagem de capa do DN de hoje.

E refere-se não a uma alteração relevante em qualquer lei, mas ao divórcio de João Pinto, jogador de futebol.

Além desta há outra grande imagem, no topo, quase a tapar o título 'Diário de Notícias': um grande apito dourado, e fotos de presidentes de clubes de futebol.

Este tipo de critério de selecção jornalística, num jornal histórico e generalista [não o Record, a Bola ou o Jogo], revela bem a perda de qualidades tanto dos seus editores como dos leitores.

Aliado ao suplemento de televisão do DN, pleno de catraias meio despidas e 'notícias' cor de rosa, típicas das chamadas revistas de cabeleireiro...

Há quem lhe chame, pomposa e falsamente, democratização.

Em boa verdade é degradação.

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07 maio 2008


'um culto apaixonado pela natureza, uma tranquilla confiança na vida, um sorriso perante tudo e todos, são certamente caracteristicas, que distinguem a alma do japonez moderno' [p.20]

'A irritabilidade do paiz, manifestada por convulsões disturbantes, trazidas por uma longa série de phenomenos naturaes, correpsonde a irritabilidade do homem. O japonez, tam comedido, tam sereno, é sujeito a irritabilidades subitas' [p.22]

'os japoneses e as japonezas desconhecem totalmente o namoro, os jogos de olhares, os sorisos insinuantes, toda essa complicada diplomacia sexual em que os povos do Occidente se mostram mestres' [p.92]

Wenceslau DE MORAES [1925] Relance da Alma Japonesa, Lisboa: Livraria Bertrand


imagem: Bilhete postal de Wenceslau de Morais a F. A. Chedas Sant'Anna, 24 Dez. 1910, Arquivo de Cultura Portuguesa Contemporânea, Biblioteca Nacional, BNP Esp. N6/101

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29 fevereiro 2008

Um governo mal educado


A incompetência desculpa-se, com limites.

A falta de educação não. Sobretudo em coisas básicas, que nunca poderiam faltar aos governantes de um país.

O caso é ainda mais grave quando existem assessores de protocolo.

Simone de Oliveira deu uma entrevista esta semana à RTP1. Na mesma, denunciou um caso -- quantos mais existem -- de falta de educação atroz, que neste caso demonstra incompetência suprema.

O novo ministro da Cultura, que tendo em conta o ambiente político português, já nem sei como se chama, faltou ao espectáculo de celebração dos 50 anos da carreira de Simone de Oliveira.





Pior: estando presente o Presidente da República [Cavaco] e um anterior Presidente da República [Eanes] e suas mulheres;

Ainda Pior: tendo telefonado um assessor do ministro a dizer que não poderia ir ao espectáculo... mas no dia seguinte.

Não só não foi, como apenas disse que não iria... no dia seguinte ao espectáculo ter tido lugar.

Já tivemos um Secretário da Cultura que dizia gostar dos violinos de Chopin [Santana].

Agora temos um ministro que não sabe -- ou pelo menos não demonstra -- qualquer educação ou sequer capacidade de gestão de agenda de Estado.

É particularmente confrangedor ver cavalos lusitanos liderados por burros que não só não andam, como não aguentam o peso.

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20 fevereiro 2008

Sobre a Crise Portuguesa

SEDES
TOMADA DE POSIÇÃO - FEVEREIRO 2008


1) UM DIFUSO MAL ESTAR
Sente-se hoje na sociedade portuguesa um mal estar difuso, que alastra e mina a confiança essencial à coesão nacional.

Nem todas as causas desse sentimento são exclusivamente portuguesas, na medida em que reflectem tendências culturais do espaço civilizacional em que nos inserimos. Mas uma boa parte são questões internas à nossa sociedade e às nossas circunstâncias. Não podemos, por isso, ceder à resignação sem recusarmos a liberdade com que assumimos a responsabilidade pelo nosso destino.

Assumindo o dever cívico decorrente de uma ética da responsabilidade, a SEDES entende ser oportuno chamar a atenção para os sinais de degradação da qualidade da vida cívica que, não constituindo um fenómeno inteiramente novo, estão por detrás do referido mal estar.


2) DEGRADAÇÃO DA CONFIANÇA NO SISTEMA POLÍTICO

Ao nível político, tem-se acentuado a degradação da confiança dos cidadãos nos representantes partidários, praticamente generalizada a todo o espectro político.

É uma situação preocupante para quem acredita que a democracia representativa é o regime que melhor assegura o bem comum de sociedades desenvolvidas. O seu eventual fracasso, com o estreitamento do papel da mediação partidária, criará um vácuo propício ao acirrar das emoções mais primárias em detrimento da razão e à consequente emergência de derivas populistas, caciquistas, personalistas, etc.

Importa, por isso, perseverar na defesa da democracia representativa e das suas instituições. E desde logo, dos partidos políticos, pilares do eficaz funcionamento de uma democracia representativa. Mas há três condições para que estes possam cumprir adequadamente o seu papel.

Têm, por um lado, de ser capazes de mobilizar os talentos da sociedade para uma elite de serviço; por outro lado, a sua presença não pode ser dominadora a ponto de asfixiar a sociedade e o Estado, coarctando a necessária e vivificante diversidade e o dinamismo criativo; finalmente, não devem ser um objectivo em si mesmos...

É por isso preocupante ver o afunilamento da qualidade dos partidos, seja pela dificuldade em atrair e reter os cidadãos mais qualificados, seja por critérios de selecção, cada vez mais favoráveis à gestão de interesses do que à promoção da qualidade cívica. E é também preocupante assistir à tentacular expansão da influência partidária – quer na ocupação do Estado, quer na articulação com interesses da economia privada – muito para além do que deve ser o seu espaço natural.

Estas tendências são factores de empobrecimento do regime político e da qualidade da vida cívica. O que, em última instância, não deixará de se reflectir na qualidade de vida dos portugueses.


3) VALORES, JUSTIÇA E COMUNICAÇÃO SOCIAL

Outro factor de degradação da qualidade da vida política é o resultado da combinação de alguma comunicação social sensacionalista com uma justiça ineficaz. E a sensação de que a justiça também funciona por vezes subordinada a agendas políticas.

Com ou sem intencionalidade, essa combinação alimenta um estado de suspeição generalizada sobre a classe política, sem contudo conduzir a quaisquer condenações relevantes. É o pior dos mundos: sendo fácil e impune lançar suspeitas infundadas, muitas pessoas sérias e competentes afastam-se da política, empobrecendo-a; a banalização da suspeita e a incapacidade de condenar os culpados (e ilibar inocentes) favorece os mal-intencionados, diluídos na confusão. Resulta a desacreditação do sistema político e a adversa e perversa selecção dos seus agentes.

Nalguma comunicação social prolifera um jornalismo de insinuação, onde prima o sensacionalismo. Misturando-se verdades e suspeitas, coisas importantes e minudências, destroem-se impunemente reputações laboriosamente construídas, ao mesmo tempo que, banalizando o mal, se favorecem as pessoas sem escrúpulos.

Por seu lado, o Estado tem uma presença asfixiante sobre toda a sociedade, a ponto de não ser exagero considerar que é cada vez mais estreito o espaço deixado verdadeiramente livre para a iniciativa privada. Além disso, demite-se muitas vezes do seu dever de isenta regulação, para desenvolver duvidosas articulações com interesses privados, que deixam em muitos um perigoso rasto de desconfiança.

Num ambiente de relativismo moral, é frequentemente promovida a confusão entre o que a lei não proíbe explicitamente e o que é eticamente aceitável, tentando tornar a lei no único regulador aceitável dos comportamentos sociais. Esquece-se, deliberadamente, que uma tal acepção enredaria a sociedade numa burocratizante teia legislativa e num palco de permanente litigância judicial, que acabaria por coarctar seriamente a sua funcionalidade. Não será, pois, por acaso que é precisamente na penumbra do que a lei não prevê explicitamente que proliferam comportamentos contrários ao interesse da sociedade e ao bem comum. E que é justamente nessa penumbra sem valores que medra a corrupção, um cancro que corrói a sociedade e que a justiça não alcança.


4) CRIMINALIDADE, INSEGURANÇA E EXAGEROS

A criminalidade violenta progride e cresce o sentimento de insegurança entre os cidadãos. Se é certo que Portugal ainda é um país relativamente seguro, apesar da facilidade de circulação no espaço europeu facilitar a importação da criminalidade organizada. Mas a crescente ousadia dos criminosos transmite o sentimento de que a impune experimentação vai consolidando saber e experiência na escala da violência.

Ora, para além de alguns fogachos mediáticos, não se vê uma acção consistente, da prevenção, da investigação e da justiça, para transmitir a desejada tranquilidade.

Mas enquanto subsiste uma cultura predominantemente laxista no cumprimento da lei, em áreas menos relevantes para as necessidades do bom funcionamento da sociedade emerge, por vezes, uma espécie de fundamentalismo utra-zeloso, sem sentido de proporcionalidade ou bom-senso.

Para se ter uma noção objectiva da desproporção entre os riscos que a sociedade enfrenta e o empenho do Estado para os enfrentar, calculem-se as vítimas da última década originadas por problemas relacionados com bolas de Berlim, colheres de pau, ou similares e os decorrentes da criminalidade violenta ou da circulação rodoviária e confronte-se com o zelo que o Estado visivelmente lhes dedicou.

E nesta matéria a responsabilidade pelo desproporcionado zelo utilizado recai, antes de mais, nos legisladores portugueses que transcrevem para o direito português, mecânica e por vezes levianamente, as directivas de Bruxelas.


5) APELO DA SEDES

O mal-estar e a degradação da confiança, a espiral descendente em que o regime parece ter mergulhado, têm como consequência inevitável o seu bloqueamento. E se essa espiral descendente continuar, emergirá, mais cedo ou mais tarde, uma crise social de contornos difíceis de prever.

A sociedade civil pode e deve participar no desbloqueamento da eficácia do regime – para o que será necessário que este se lhe abra mais do que tem feito até aqui –, mas ele só pode partir dos seus dois pólos de poder: os partidos, com a sua emanação fundamental que é o Parlamento, e o Presidente da República.

As últimas eleições para a Câmara de Lisboa mostraram a existência de uma significativa dissociação entre os eleitores e os partidos. E uma sondagem recente deu conta de que os políticos – grupo a que se associa quase por metonímia “os partidos” – são a classe em que os portugueses menos confiam.

Este estado de coisas deve preocupar todos aqueles que se empenham verdadeiramente na coisa pública e que não podem continuar indiferentes perante a crescente dissociação entre o conceito de “res pública” e o de intervenção política!

A regeneração é necessária e tem de começar nos próprios partidos políticos, fulcro de um regime democrático representativo. Abrir-se à sociedade, promover princípios éticos de decência na vida política e na sociedade em geral, desenvolver processos de selecção que permitam atrair competências e afastar oportunismos, são parte essencial da necessária regeneração.

Os partidos estão na base da formação das políticas públicas que determinam a organização da sociedade portuguesa. Na Assembleia ou no Governo exercem um mandato ratificado pelos cidadãos, e têm a obrigação de prestar contas de forma permanente sobre o modo como o exercem.

Em geral o Estado, a esfera formal onde se forma a decisão e se gerem os negócios do país, tem de abrir urgentemente canais para escutar a sociedade civil e os cidadãos em geral. Deve fazê-lo de forma clara, transparente e, sobretudo, escrutinável. Os portugueses têm de poder entender as razões que presidem à formação das políticas públicas que lhes dizem respeito.

A SEDES está naturalmente disponível para alimentar esses canais e frequentar as esferas de reflexão e diálogo que forem efectiva e produtivamente activadas.


Sedes, 21 de Fevereiro de 2008

O Conselho Coordenador
(Vitor Bento (Presidente), M. Alves Monteiro, Luís Barata, L. Campos e Cunha, J. Ferreira do Amaral, Henrique Neto, F. Ribeiro Mendes, Paulo Sande, Amílcar Theias)

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03 novembro 2007


'It is this belief in the existence of an independent supra-individual collective spirit which seems to me to have blocked the emergence of a true cultural history'

E.H. GOMBRICH [1979] Ideals and Idols, Oxford: Phaidon, p.5o

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21 setembro 2007

Educação.


'Children are not to be taught by rules, which will always slip out of their memories. What you think necessary for them to do, settle in them by an indispensable practice, as often as the occasion returns; and if it be possible, make occasions'

'I think I may say that of all the men we meet with, nine parts of ten are what they are, Good or Evil, useful or not, by their education. 'Tis that which makes the great difference in mankind: the little, and almost insensible impressions in our tender infancies, have very important and lasting consequences'

John LOCKE [1693] Some thoughts concerning education

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02 setembro 2004

Do Programa de Governo - a 'CULTURA'

ALGUNS PRINCÍPIOS


O XVI Governo Constitucional prosseguirá, no domínio da Cultura, uma política de continuidade relativamente ao Governo anterior

[...]

Só mulheres e homens cultos, capazes de compreensão e conhecimento crítico da realidade, podem exercer, de uma forma responsável, os seus direitos e assumir, plenamente, a sua cidadania.

[...]

o referido papel identitário e estruturante da Cultura só pode ser integralmente realizado pelo acesso do maior número possível de cidadãos aos bens e actividades culturais.

[...]

O crescimento económico e uma maior justiça social só podem conduzir a um desenvolvimento integral e duradouro se forem acompanhados por igual desenvolvimento cultural.


ALGUMAS MEDIDAS


O Governo promoverá uma política de respeito pelos Arquivos, através de uma sistemática criação de arquivos privados de interesse nacional.

[...]

articular a política do Ministério da Cultura com a política dos Ministérios do Turismo e do Ambiente e Ordenamento do Território, através da criação de oferta de Turismo Cultural.

[...]

proceder ao levantamento rigoroso das necessidades de intervenção no património construído e concluir o inventário do património móvel nacional

Programa do Governo para a Cultura

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