03 novembro 2007
29 setembro 2007
Fátima.

Já falámos aqui de Fátima, sobretudo para criticar o abuso da fé e da religião, e com sequência.
Desta vez falamos de Fátima a propósito da disparatada Igreja da Santíssima Trindade.
A estupidez da construção de novas igrejas, a torto e a direito, sem qualquer cuidado arquitectónico, muitas vezes, não pode ser aceite.
A área de intervenção é de 35.673 m2, a área Bruta de construção 38.516 m2 [igual a 3 campos de futebol], o volume de construção de 130.000 m3, as vigas principais têm comprimento de 182 metros e meio, sendo a capacidade de 200 + 400 lugares sentados 'para portugueses' e 140 + 140 lugares sentados 'para estrangeiros' e confessionários para 32 'portugueses' e 16 'estrangeiros'. Um verdadeiro MacDonalds, tirando o preço: 80 milhões de euros.
Com a celebração dos '90 anos das aparições' [que se fossem hoje, teriam como consequência provável um teste de despistagem de drogas pela nossa GNR], inaugura-se esta nova Igreja, iniciada em Março de 2oo4, e que é simbólica.
Símbolo do desprezo pelo património histórico, artístico e religioso.
Pois há igrejas fantásticas; centenárias ou milenares, espalhadas por Portugal e por esse mundo fora, que estão a cair. Seria bem mais importante que se recuperassem essas, e se abandonassem planos megalómanos, de mercantilização da religião.
Como se de um hamburguer se tratasse.
imagem: Convento do Carmo, um dos exemplos mais típicos de património degradado e nunca restaurado. O mesmo se aplica a muitas, tantas, igrejas e conventos, como se sabe, alguns tão importantes, como a capela do Castelo dos Mouros [do tempo de D.Afonso Henriques e que continua sem tecto e sem paredes na nave, mas onde ainda se notam frescos no altar] ou as famosíssimas 'capelas imperfeitas', do Mosteiro da Batalha.
Marcadores: Fátima, igreja, Igreja da Santíssima Trindade, patrimonio, religiao, Santuário, Santuário de Fátima, Vaticano
23 setembro 2007
Estabilidade?

'...while Switzerland is linguistically diverse, the component cantons exhibit a high degree of homogeneity in terms of language and religion. This, in combination with the fact that lines of language, religion and economic progress are cross-cutting, has ensured the stability of the Swiss state'
Eric KAUFFMAN National Ethnicity' and the Modern State
'...Perhaps we are entering a new stage in history in which the demographic flaws in liberalism will become more apparent, paving the way for the return of a communitarian social model. This may still leave democracy, liberalism and mixed capitalism intact. But it will challenge modernism, that great secular movement of cultural individualism which swept high art and culture after 1880 and percolated down the social scale to liberalise attitudes in the 1960s. Cultural modernism has accompanied technological modernisation in the west, while the non-western world has usually modernised its technology rather than its values. Daniel Bell prophesied that modernism's antinomian cultural outlook would prompt a "great instauration" of religion as people sought spiritual solace from the alienation of modern life. Bell has so far been proved wrong, but history may yet vindicate him as we bear witness not to spiritual revival, but to a religious reconquista based, ironically, on the nakedly this-worldly force of demography...'
Eric KAUFFMAN na Prospect de Novembro de 2oo6.
12 agosto 2007
O regresso do Califado?
80,000 islâmicos reuniram-se na Indonésia numa conferência que visa recuperar o Califado, um Estado único islâmico tal como existia, mais recentemente, em 1924, designadamente através da 'Jihad menor', uma 'guerra santa'.
Para os povos católicos como nós, isto parece estranho.
Não devia: os nossos católicos templários e hospitalários tinham uma ideia bem semelhante.
No meio destas tolices, quem se safa são os asiáticos e os russos.
18 fevereiro 2006
Algo

OS movimentos sociais [?] islâmicos são dignos de nota.
Ao lado da violência, da religião e da política mais evidentes, há um lado extraordinário: o que motiva milhares de pessoas a sair à rua? A deixarem a sua casa, o seu trabalho ou o seu entretenimento, e a fazerem cartazes, a gritar a mover-se na praça pública, com expressões de sincera emoção?
Não são actores, são meros cidadãos locais. É o povo.
É sabido que cada um vê o que quer. Aos nossos olhos, podia ser uma manifestação bestial de cidadania: pessoas que de facto se interessam pela coisa pública, pelo viver colectivo, por política.
Pessoas que se sentem ofendidas com o sucede noutros países e culturas, e que defendem o seu e a sua.
Pessoas que se mexem, por não quererem ou não terem distracções como televisões, cinemas, centros comerciais ou férias.
Será um escape? Será uma opção?
Será cidadania? Será manipulação?
Será fanatismo religioso? Será independência e maturidade política e consciência crítica?
Não sabemos.
Mas é algo.
E esse algo merece ser muito bem estudado.
Marcadores: cidadania, islâmica, Islao, manifestacao, religiao
09 fevereiro 2006
It's the religion, stupid !

Discute-se em Portugal se os homossexuais devem casar.
A palavra homosexual é um disparate, desde que não se violem os direitos humanos, acho que cada um faz o que quiser.
E o casamento é um sacramento, um acto religioso. Assim nasceu e essa é a sua natureza.
Importar um sacramento para o Direito Civil e para a sociedade em geral faz tanto sentido como abrir uma escola de alta culinária francesa num Rwanda faminto.
O verdadeiro problema não é o casamento ser de gays ou de não gays.
O verdadeiro problema é o casamento civil.
Esse é que não faz, nem nunca fez, qualquer sentido.
O problema começa e morre aí.
Nem o sexo nem o género têm a ver com isto.
Quem quiser que copie da Igreja o que quiser. Mas depois, resolva os problemas que criou.
E este não tem solução.
Casamento em Cana
c. 1495 / 1497
Óleo s/tela, 137,1 x 92,7 cm
National Gallery of Art, Washington, EUA
Marcadores: casamento, homosexualidade, religiao



