12 agosto 2007

O regresso do Califado?



80,000 islâmicos reuniram-se na Indonésia numa conferência que visa recuperar o Califado, um Estado único islâmico tal como existia, mais recentemente, em 1924, designadamente através da 'Jihad menor', uma 'guerra santa'.

Para os povos católicos como nós, isto parece estranho.

Não devia: os nossos católicos templários e hospitalários tinham uma ideia bem semelhante.

No meio destas tolices, quem se safa são os asiáticos e os russos.

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18 fevereiro 2006

Algo


OS movimentos sociais [?] islâmicos são dignos de nota.

Ao lado da violência, da religião e da política mais evidentes, há um lado extraordinário: o que motiva milhares de pessoas a sair à rua? A deixarem a sua casa, o seu trabalho ou o seu entretenimento, e a fazerem cartazes, a gritar a mover-se na praça pública, com expressões de sincera emoção?

Não são actores, são meros cidadãos locais. É o povo.

É sabido que cada um vê o que quer. Aos nossos olhos, podia ser uma manifestação bestial de cidadania: pessoas que de facto se interessam pela coisa pública, pelo viver colectivo, por política.

Pessoas que se sentem ofendidas com o sucede noutros países e culturas, e que defendem o seu e a sua.

Pessoas que se mexem, por não quererem ou não terem distracções como televisões, cinemas, centros comerciais ou férias.

Será um escape? Será uma opção?

Será cidadania? Será manipulação?

Será fanatismo religioso? Será independência e maturidade política e consciência crítica?

Não sabemos.

Mas é algo.

E esse algo merece ser muito bem estudado.

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14 fevereiro 2006

Questão 'cart00n Maomé'


Espera-se que quando este post for publicado já tenha acalmado a histeria dos cartoons dinamarqueses que ilustram Maomé.

Este caso parece insólito, mas não é.

Num jornal de clara orientação política num país que não é conhecido pelos extremismos [e que na sociedade internacional é, mesmo, digamos, um Estado discreto], foi publicado um cartoon que viola as regras religiosas -- e de Estado, no caso -- da cultura muçulmana.

Percebe-se que haja uma reacção muçulmana. Afinal um católico também não acharia muita piada a um cartoon islâmico retratando os apóstolos numa orgia, por exemplo.

O que é discutível é:

1. Tomar como agressor não o criador e o editor do cartoon, mas o país onde tal sucedeu;

2. Violar as regras de direito internacional [e de 'boa educação'...] incendiando uma missão diplomática, entre outros eventos menos simpáticos por todo o mundo.

No primeiro caso, isto apenas revela o fosso cultural, político e religioso entre o mundo muçulmano e o mundo dito Ocidental. Que vai ao ponto de considerar que todo um Estado [lei-se a Dinamarca] é responsável por um cartoon de um jornal que nem sequer tem distribuição mundial.

No segundo caso, o recurso à violência, causando danos materiais e humanos, e criando instabilidade e uma crise diplomática.

Isto porque o cartoon não criou uma crise diplomática.

Tal apenas sucederia se o cartoon tivesse sido publicado num jornal oficial, ou de alguma forma com um intento político internacional, o que não parece que tenha sido o caso.

Percebe-se bem a revolta dos crentes em Maomé. E nem se entende que deva contra alegar-se com a liberdade de imprensa. Antes dessa estão os direitos humanos e a religião é um deles.

O que não se percebe são os meios para canalizar essa revolta.

Entendam-se, meus Senhores.


DELACROIX [1849-50], óleo s/tela, Art Institute of Chicago

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