06 março 2008

Venezuela e EUA

Parece que os EUA estão a criticar a Venezuela por ter tomado uma posição política e militar contra a Colômbia, longo aliado dos EUA.



Não deixa de ser irónico que a crítica venha dos EUA, que não só lançaram bombas atómicas no Japão, como invadiram o Vietname e agora estão no Iraque, entre outros historiais menos felizes e nada longínquos, sendo um deles, como se sabe mas nada se faz, a criação de um campo de concentração [para cúmulo em Cuba, ilha embargada pelos EUA].



Num mundo assim temos poucas desculpas para, se em conforto, não fazer todas as vontades aos nossos filhos...

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07 setembro 2007

Um Churchill inesperado.


'the honour of bombing Berlin has fallen almost entirely to us' [p.5]



'If our dreams for Zionism are to end in the smoke of assasin's pistols, and oour labours for its future to produce only a new set of gangsters worthy of Nazi Germany, many like myself will have to reconsider the position we have maintained so consistently and so longThese are strong words, but we must wait for these words to be translated into deeds. We must wait to see that not only the leaders, but every man, woman and child of the Jewish community, does his or her best to bring this terrorism to a speedy end' [pp.251-252]



'Marshal Stalin, your Excellencies, ladies and gentlemen, friends and war comrades gathered here, I have now come to the end of a most strenuous and ta the same time most agreeable visit to Moscow...Most of all has it been a pleasure to me and an honour to have so many long intimate talks with my friend and war comrade Marshal Stalin... with him... will march the British Commonwealth of Nations and the mighty United States of America' [p.218]

'In particular, consideration has been given to the immediate reinforcement of the Soviet Navy either with Anglo-American or Italian resources' [p.27]



'I am glad of this opportunity to make know details of the very substantial contribution made by the United Kningdom in aid of our Soviet Allies' [p.76]

'A member interrupted to ask why, if the Government would not allow a Fascist Government in Italy, they would allow one in Spain? The Prime Minister continued: The reason is that Italy attacked us. We were at war with Italy. We struck Italy down. A very clear line of distinction can be drawn between nations ho go to war with us, and nations who leave us alone... The iron from Bilbao and the North of Spain is of great value to this country both in war and peace' [pp.90-91]



'We have signed a 20-year treaty with our Ally, the Soviet Union, and this Treaty is the foundation of our policy' [p.95]

etc. etc.


Charles EADE, org. [1944] The Dawn of Liberation, War speeches by the Rt. Hon. Winston S. Churchill C.H., M.P., London: Cassell and Company Ltd.

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12 agosto 2007

O regresso do Califado?



80,000 islâmicos reuniram-se na Indonésia numa conferência que visa recuperar o Califado, um Estado único islâmico tal como existia, mais recentemente, em 1924, designadamente através da 'Jihad menor', uma 'guerra santa'.

Para os povos católicos como nós, isto parece estranho.

Não devia: os nossos católicos templários e hospitalários tinham uma ideia bem semelhante.

No meio destas tolices, quem se safa são os asiáticos e os russos.

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17 maio 2007

A Sir Christopher Meyer


pela verve, conteúdo e coragem das suas declarações sobre a relação EUA-Reino Unido e o péssimo serviço de Blair ao povo inglês e à comunidade internacional ao, cito, 'concordar com tudo o que Bush decidisse'.

Foi, de resto, Meyer quem apresentou Blair a Bush.

E confessou estar arrependido, sendo as declarações e entrevista à BBC esta noite um momento a não esquecer.

Outras declarações célebres de Sir Christopher:


'Iraq war has exposed us to terror at home' [Guardian, 5.11.2oo5]

comparação entre Thatcher e Blair:

'That is why it was terrifying to be summoned into her presence because if you did not know your stuff, she would expose you. There was never that danger with Tony Blair'

[id.]

Christopher MEYER [2oo5] DC Confidential, Weidenfeld & Nicolson

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29 abril 2007

O Príncipe Harry de Windsor e o Iraque


Na semana passada discutiu-se de modo enfatuante a [não] ida do Príncipe Harry de Windsor para o Iraque, integrado nas forças militares britânicas que por lá andam a acompanhar as tropas norte-americanas.

Suspeito que na semana que agora se inicia se já discutir o tema, mas agora de modo algo nauseabundo.

Tudo começou com a hipótese de envio do Princípe para o Iraque, ida que estaria confirmada e que depois terá sido contrariada pelo actual governo inglês, ele próprio a definhar. Esta presença seria uma demonstração de como os ingleses são todos iguais e os membros da Casa de Windsor igualmente leais às responsabilidades e missões militares britânicas no exterior.

O Príncipe declarou publicamente o seu interesse em ir para o Iraque 'com a sua equipa', até porque não via como razoável não ir, indo todos os seus 'colegas de armas'.

O Governo inglês manteve a posição de não integrar o Príncipe nas forças militares que seguirão para o Iraque, considerando que se trata de um alvo de risco, declarando que já estarão a ser distribuídas fotografias no Príncipe na região onde seria colocado, para que seja alvo a abater e troféu de guerra e a cereja no topo do bolo argumentativo governamental é que Harry seria um perigo para os seus colegas. Ou, colocado de outro modo, que aumentaria a exposição dos seus colegas a ataques, encontrando-se neste momento a área em questão na pior situação de sempre, com o mais elevado número de ingleses mortos em combate no Iraque.

O Príncipe diz que se não for enviado para o Iraque abandona o serviço militar.

Parece ser uma excelente estratégia.

Não para ir para o Iraque. mas precisamente para não ir, deixando de vez de ser militar e passando a ser a eterna vítima no governo inglês na 'questão' do Iraque.

Chapeau.

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12 abril 2007

Eça, sobre o Afeganistão


‘Os inglezes estão experimentando, no seu atribulado imperio da India, a verdade d’esse humoristico logar commum do seculo XVIII: «A Historia é uma velhota que se repete sem cessar».

O Fado ou a Providencia, ou a Entidade qualquer que lá de cima dirigiu os episodios da campanha do Afghanistan em 1847, está fazendo simplesmente uma copia servil, revelando assim uma imaginação exhausta.

Em 1847 os inglezes, e «por uma Razão d’Estado, uma necessidade de fronteiras scientificas, a segurança do imperio, uma barreira ao dominio russo da Asia...» e outras cousas vagas que os politicos da India rosnam sombriamente, retorcendo os bigodes – invadem o Afghanistan, e ahi vão aniquilando tribus seculares, desmantelando villas, assolando searas e vinhas: apossam-se, por fim, da santa cidade de Cabul; sacodem so serralho o velho emir apavorado; collocam lá outro de raça mais submissa, que já trazem preparado nas bagagens, com escravas e tapetes; e, logo que os correspondentes dos jornaes têm telegraphado a victoria, o exercito, acampado à beira dos arroios e nos vergeis de Cabul, desperta o correame, e fuma o cachimbo da paz... Assim é exactamente em 1880. [...]

E de tanto sangue, tanta agonia, tanto luto, o que resta por fim? [...]

No entanto a Inglaterra gosa por algum tempo a «grande victoria do Afghanistan» -- com a certeza de ter de recomeçar, d’aqui a dez annos ou quinze annos, porque nem pode conquistar e annexar um vasto reino, que é grande como a França, nem póde consentir, collados á sua ilharga, uns poucos de milhões de homens fanaticos, batalhadores e hostis. A «politica», portanto é debilital-os periodicamente, com uma invasão arruinadora. São as fortes necessidades d’um grande imperio. [...]’

Eça de Queiroz [1928] Cartas de Inglaterra, Porto: Livraria Chardron, de Lello&Irmão, Editores, pp.5-9

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