27 março 2008


Exmo. Senhor Presidente da República
Exmo. Senhor Presidente da Assembleia da República
Exmo. Senhor Primeiro-Ministro
Exma. Senhora Ministra da Educação
Exma. Senhora Ministra da Cultura
Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lisboa

Desde os anos 40 do século passado que não se têm efectuado obras no Salão Nobre do Conservatório Nacional, e 62 anos de constante utilização para concertos, audições e aulas deixaram as suas marcas, encontrando-se actualmente o Salão Nobre com um dos balcões laterais suportado por varões de ferro (para não cair), um número considerável de cadeiras totalmente destruídas, tectos com buracos, cortinas rasgadas, camarins em precárias condições, etc. Enfim num adiantado estado de degradação que ameaça chegar ao ponto de não retorno.

Como se trata de um equipamento cultural indispensável não só para as actividades do Conservatório Nacional mas também como pólo dinamizador não só do Bairro Alto mas de toda a cidade de Lisboa, desde há anos que, insistentemente, se reclama, aos organismos competentes, obras!, tendo mesmo sido publicado concurso público para esse efeito (DR - 3ª Série nº 239 de 15/12/2005 – Recuperação do Salão Nobre, galeria, palco, sub-palco, salas de apoio e cobertura-1ª fase - empreitada 135/05); o qual, no entanto, viria a ser subitamente cancelado (!) , não se sabendo até à data as razões desse cancelamento.

O salão Nobre do Conservatório Nacional com os seus magníficos tectos Malhoa não poderá aguentar mais tempo sem obras de recuperação.

É preciso salvá-lo sob pena de estarmos a pactuar num crime de lesa-património.

Os cidadãos subscritores desta petição apelam assim à sensibilidade de V.Exas. para que sejam tomadas as iniciativas necessárias e urgentes que permitam salvar o que tem que ser salvo.

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22 novembro 2007

Arte portuguesa na Sotheby's


De vez em quando acontece: lá aparece uma interessante peça portuguesa num leilão da Sotheby's ou Christie's, e alguns de nós ficam com alguma tentação em comprá-la e fazê-la voltar a Portugal.

Desta vez é o caso deste curioso cofre em tartaruga e estanho, com interessantes motivos florais de lado e uma personagem feminina bem divertida à frente.

Trata-se do lote 2 ['A PORTUGUESE-COLONIAL PEWTER MOUNTED AND ENGRAVED PEWTER INLAID TORTOISESHELL CASKET'], primeira metade do século XVII, com base de licitação em £4,000 [cerca de €6000] e estimativa de £6,000 [€9000], que vai 'à praça' em dia 4.12.2oo7 às 11 horas na Sotheby's em New Bond Street, Londres.

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29 setembro 2007

Fátima.


falámos aqui de Fátima, sobretudo para criticar o abuso da fé e da religião, e com sequência.

Desta vez falamos de Fátima a propósito da disparatada Igreja da Santíssima Trindade.


A estupidez da construção de novas igrejas
, a torto e a direito, sem qualquer cuidado arquitectónico, muitas vezes, não pode ser aceite.

A área de intervenção é de 35.673 m2, a área Bruta de construção 38.516 m2 [igual a 3 campos de futebol], o volume de construção de 130.000 m3, as vigas principais têm comprimento de 182 metros e meio, sendo a capacidade de 200 + 400 lugares sentados 'para portugueses' e 140 + 140 lugares sentados 'para estrangeiros' e confessionários para 32 'portugueses' e 16 'estrangeiros'. Um verdadeiro MacDonalds, tirando o preço: 80 milhões de euros.

Com a celebração dos '90 anos das aparições' [que se fossem hoje, teriam como consequência provável um teste de despistagem de drogas pela nossa GNR], inaugura-se esta nova Igreja, iniciada em Março de 2oo4, e que é simbólica.

Símbolo do desprezo pelo património histórico, artístico e religioso.

Pois há igrejas fantásticas; centenárias ou milenares, espalhadas por Portugal e por esse mundo fora, que estão a cair. Seria bem mais importante que se recuperassem essas, e se abandonassem planos megalómanos, de mercantilização da religião.

Como se de um hamburguer se tratasse.


imagem: Convento do Carmo, um dos exemplos mais típicos de património degradado e nunca restaurado. O mesmo se aplica a muitas, tantas, igrejas e conventos, como se sabe, alguns tão importantes, como a capela do Castelo dos Mouros [do tempo de D.Afonso Henriques e que continua sem tecto e sem paredes na nave, mas onde ainda se notam frescos no altar] ou as famosíssimas 'capelas imperfeitas', do Mosteiro da Batalha.

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21 setembro 2007

Educação.


'Children are not to be taught by rules, which will always slip out of their memories. What you think necessary for them to do, settle in them by an indispensable practice, as often as the occasion returns; and if it be possible, make occasions'

'I think I may say that of all the men we meet with, nine parts of ten are what they are, Good or Evil, useful or not, by their education. 'Tis that which makes the great difference in mankind: the little, and almost insensible impressions in our tender infancies, have very important and lasting consequences'

John LOCKE [1693] Some thoughts concerning education

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03 agosto 2007

Portugal em Sevilha?

Contra as nossas férias e outros compromissos, e até o equilíbrio de conteúdos deste blog, esta está a ser uma semana de protestos como este.

Ao contrário de quem vive disso e até os provoca, fazêmo-lo com pesar. Não só pelo 'desequilíbrio de conteúdos' mas, sobretudo, por o país precisar deles.



'O Governo Português anunciou que irá encerrar o Consulado Geral de Portugal em Sevilha. Esse encerramento implica a perda de um Edifício Histórico Português, que foi construído para albergar o Pavilhão de Portugal na Exposição Universal de Sevilha de 1929 e cuja propriedade será devolvida ao Ayuntamiento de Sevilha.

Este Edifício Histórico está localizado no centro da cidade de Sevilha, ao lado do Hotel Alfonso XIII, um dos melhores de Espanha e é cobiçado por grandes interesses espanhóis e internacionais. Nós que o temos na mão, por direito, decidimos abandoná-lo.

Será que o Governo entende que temos demasiadas referências culturais portuguesas em Espanha?

Será que, decididamente, preferimos acabar com todos os símbolos nacionais? Como este que a Espanha nos cedeu gratuitamente há quase um século, no centro de uma das suas mais importantes e bonitas cidades?

Um Consulado não se mede só pelos serviços que presta. Conta por ser uma presença de um País numa cidade amiga. Uma cidade onde trabalham Portugueses, onde estudam Portugueses, onde se ensina o Português a centenas de estudantes espanhóis. Uma cidade Amiga. Por isso e por estar num Edifício Histórico Português, pode ser também uma Referência da Cultura Portuguesa, a melhor Marca de Portugal. Em Espanha.

Todo o Português que vai a Sevilha se orgulha de ver o seu País, a sua Imagem, o seu Símbolo no centro da Cidade-Monumento.

O Governo Português vai acabar com ele. E sem ganhar nada com isso. Provavelmente veremos em breve no seu interior uma delegação do Guggenheim ou do Rainha Sofia. É que os Espanhóis tratam bem o que têm.

Denuncie esta situação aos seus amigos. E se conhecer o Presidente da República, ou o Primeiro-Ministro envie-lhes também. Para que não digam que o Povo não os avisou. Não envie é para Amigos Espanhóis. Por vergonha.

Grupo Promotor do Círculo de Portugal em Sevilha'

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31 julho 2007

Inventário do Património Colonial


Portugal é pequeno mas foi grande, todos o sabemos.

E é a extensão 'física' e em particular o património histórico português na África, Ásica e América que a Fundação Calouste Gulbenkian -- que tem sido como que um co-ministério da cultura em Portugal -- vai inventariar, tendo para o efeito contratado o Professor José Mattoso [que convidou, entre outros, o prestigiado arqueólogo Cláudio Torres].

Este passo essencial da nossa história mereceu [podia ser pior...] uma caixa de uns 4cm no fim da página 24 do Expresso de 28.7.2oo7. Ver aqui a notícia mais alargada da RTP.

Parabéns à Gulbenkian pela iniciativa; aguardamos os resultados deste projecto, bem mais relevante do que muitas obras tão faladas e caras, sem qualquer interesse para a história do país.

Era isto que o Governo devia fazer e a utilidade das instituições -- e das pessoas que nelas estão -- vê-se pelas áreas que apostam e pelos seus resultados.

imagem: Forte de Jesus, construído por Portugal em Mombaça, Quénia, em 1593 e que bneficiou de apoio da Gulbenkian para obras de recuperação.

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19 julho 2007

Portugal: a cultura do pato bravo.


'Os vestígios e as estruturas' [ver abaixo] como esta, estão em risco. Neste caso concreto, a capela do MNAA, pouco mais de um ano volvido da fotografia, parecem existir infiltrações e parcial desabamento do tecto da capela, que teve de ser encerrada e não foi incluída na apresentação das renovações levadas a cabo este ano no MNAA [e mesmo assim sem grande apoio público, sendo grande parte das obras financiada pela própria construtora civil conhecida da directora do MNAA].

Enquanto isso, constroem-se estádios e planeiam-se aeroportos.




Candida HÖFFER, 09.09. - 28.10.2006

Museu Nacional de Arte Antiga Lisboa I 2005, 2005
Ed.: 3/6
C-Print
252,4 x 205 cm

Em 2005 o CCB convidou a fotógrafa alemã Candida Höfer a visitar Portugal, para fotografar interiores de monumentos e edifícios públicos e privados portugueses.

As visitas decorreram entre Outubro de 2005 e Julho de 2006, e o resultado foi a série Portugal, que inclui cerca de 70 fotografias inéditas de grande formato com imagens dos interiores do Panteão Nacional, Mosteiro dos Jerónimos, Convento de Mafra, Sociedade de Geografia, Biblioteca Nacional, Palácio de Belém, Biblioteca e Palácio Nacional da Ajuda, Fundação de Serralves, Casa da Música, Coliseu do Porto e Biblioteca da Universidade de Coimbra, entre outros.

Candida Höfer elegeu o espaço como tema central da sua obra, 'espaços onde, apesar de ausente, o Homem marca presença constante através dos vestígios que deixou e estruturas que criou', como se lê no catálogo do CCB.

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28 junho 2007

Jantar anual dos amigos do MNAA


Foi na data do costume, mas num sítio nada do costume: em vez do simpático jardim do museu, o átrio da nova entrada e os 'passos perdidos' que não sabia, mas vim a saber, que é usado para designar o átrio da biblioteca e sala de conferências.

A faixa etária continua nuns desagradáveis 50 ou 60 e era importante manter os que estão, mas adicionar caras novas, em aspecto, espírito e financiamento para o museu.

Os temas de conversa [na minha mesa] foram este ano fracos e típicos de evento social cinza: desde esclerose múltipla até viagens, passando pelas ainda mais habituais conversas sobre meteorologia.

A razão pela qual fui ao jantar é simples: manter [ou recriar] a vida no museu, apoiar o seu financiamento e manutenção, como elemento essencial do património de Lisboa, Portugal e Europa, e sobretudo como colecção extraordinária de arte de grande qualidade, irrepetível e sem igual em Portugal e na maioria dos pontos do globo.

Lamentei por isso a observação que ouvi, de um senhor que ao ser-lhe servido um vinho num copo errado resmungou 'não paguei para isto'.

Se é certo que o valor que o senhor terá pago não é baixo, a causa também não o é: porque no jantar do MNAA não se paga um preço contra a prestação de um serviço -- faz-se uma doação para manter o museu.

O resto, como o jantar, os 'goodies', as bebidas, ou outra coisa qualquer, é meramente acessório e, em regra, oferecido por patrocinadores.

O que este senhor não consegue ver é aquilo que me faz ir a um jantar a pessoas aborrecidas como ele. Mesmo que ele tivesse [e tinha] razão quanto à porcaria do copo.

imagem: capa da Economist com quadro 'O Inferno', da coleccção do MNAA.

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12 junho 2006

Turismo descontrolado


A notar:

O artigo 'Travel vandals: the Grand Tour has gone sour Cultural travel, once the privilege of the elite few, is now the right of the masses—but sites cannot cope with the crowds'.

Mais uma vez coloca-se a questão da irreversibilidade: dessa coisa trágica que é, para gozar uma coisa, ter de destruí-la.

No turismo [não distinguimos o cultural do desportivo, porque parece ser uma distinção algo idiota]de massas há riscos enormes em termos de preservação de peças e locais.

Como é evidente, há que limitá-lo; sob pena de perder peças e locais que, mais tarde, não estarão disponíveis a ninguém.

Ou queremos alinhar nos extremismos de 'ou é para todos ou destrói-se!' ????.

Não... quem o defender ou é parvo ou é criminoso.


Robert WOOD [1753] Ruins of Palmyra

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