14 agosto 2007

Ritz + Gulbenkian + Bill Gates = ?


Na semana passada cruzei-me com Bill Gates no Ritz de Lisboa, parte da Four Seasons adquirida por Bill Gates há uns tempos. Curiosamente, esta semana adquiri uma deliciosa biografia de César Ritz na qual me deparei com a seguinte passagem:

'He was there the centre of a crowd of sportsmen, among them Santos Dumont, Mr C. S. Gulbenkian, then as now one of the richest men in the world, was there, appraising with a discriminating collector's eye the lovely décor which Mewès and Ritz had brought into being [...] They came, they came! The Place Vendôme was crowded with elegant carriages, dozens of powdered footmen stood under the arcade, the reception rooms sparkled and shone with superb uniforms and jewels. And Ritz, no longer nervous, but calm and smiling, elegant in his black redingote, stood at the doorway, greeting everyone by name'.

RITZ, Marie-Louise [1938] César Ritz, Paris: Hôtel Ritz, 228-229.

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31 julho 2007

Inventário do Património Colonial


Portugal é pequeno mas foi grande, todos o sabemos.

E é a extensão 'física' e em particular o património histórico português na África, Ásica e América que a Fundação Calouste Gulbenkian -- que tem sido como que um co-ministério da cultura em Portugal -- vai inventariar, tendo para o efeito contratado o Professor José Mattoso [que convidou, entre outros, o prestigiado arqueólogo Cláudio Torres].

Este passo essencial da nossa história mereceu [podia ser pior...] uma caixa de uns 4cm no fim da página 24 do Expresso de 28.7.2oo7. Ver aqui a notícia mais alargada da RTP.

Parabéns à Gulbenkian pela iniciativa; aguardamos os resultados deste projecto, bem mais relevante do que muitas obras tão faladas e caras, sem qualquer interesse para a história do país.

Era isto que o Governo devia fazer e a utilidade das instituições -- e das pessoas que nelas estão -- vê-se pelas áreas que apostam e pelos seus resultados.

imagem: Forte de Jesus, construído por Portugal em Mombaça, Quénia, em 1593 e que bneficiou de apoio da Gulbenkian para obras de recuperação.

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27 julho 2007

5o anos de arte portuguesa


A celebrar os 5o anos da Fundação, os últimos 5o anos de arte em Portugal...

A não perder.

actividades paralelas > programa

A exposição divide-se pela sala de exposições temporárias que une o edifício da administração ao do museu e biblioteca e a sala de exposições temporárias junto ao bengaleiro dos auditórios. É especialmente interessante como análise de percurso e percepção das obras iniciais de muitos artistas ainda no activo e suas obras iniciais, bem como a divulgação de artistas portugueses de grande qualidade afastados do grande público [muitos deles bolseiros da FCG]. Inclui quadros, instalações, vídeos e objectos.

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04 fevereiro 2007

Suite Portuguesa


Vou seguir o princípio da Iris: guardar o silêncio para as mensagens mais importantes. Esta é uma delas. E a fotografia diz tudo o que eu julgo saber sobre a Margarida. A começar pela forma como se senta. E 'ponto final'. Esta só tu é que percebeste, Margarida. Duplo ponto final.

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17 outubro 2004

Renée Fleming

Mais uma vez, o Serviço de Música da Fundação Calouste Gulbenkian apresenta uma intérprete de peso: Renée Fleming.


O concerto assume especial destaque por ser a primeira vez que Fleming actua em Portugal.

O semanário EXPRESSO destaca o evento colocando Fleming na capa do suplemento cultural, sob o título 'A rainha do belcanto'. Ainda que ao ler a entrevista a Fleming se perceba a 'graça' [o nome originalmente escolhido pelos seus pais teria sido 'Reine'=Rainha, e não Renée], é bem verdade que insistimos em lançar qualificações à toa.

Quando vieram Barbara Hendricks ou Angela Gheorgiu, epítetos semelhantes se lançaram.


Assim, o reino do 'belcanto' terá umas cinco pessoas no trono. Pelo menos...

De lado o queixume, noto que não fui ao concerto pelo facto de o programa não ter, para mim, qualquer interesse: mistura tudo e todos, numa salada que dificilmente agradará a alguém, de forma integral e honesta.

Poderíamos dizer que é um apelo à diversidade e, nesse sentido, um elogio à própria música.

Porém, foi a própria intérprete a declarar ao canal de rádio Antena 2 que o programa tinha sido desenhado tendo em conta o seu vasto repertório, aliado ao facto de ser a sua primeira (e possivelmente única?) vinda a Portugal.

Confesso que tenho arrepios quando alguém se afirma bom a tudo. É uma ficção. E mesmo que o fosse, não seria necessariamente imperioso mostrar que se sabe tudo... no mesmo concerto. Um programa tem de ter pés e cabeça -- não exige meses de planeamento 'cerebral'...mas exige, pelo menos, algum equilíbrio, algum sentido.

Veja-se o programa da sua compatriota Angela Hewitt, na passada terça-feira: tanto Fauré como Bach e Mendelssohn, mas havia uma linha; a linha do piano clássico, a linha do barroco, a linha de Glenn Gould e a expertise de Hewitt.

Temo que o concerto a que não irei amanhã seja como o de Angela Gheorgiu, a que fui há uns meses, exactamente no mesmo local: uma salada indigesta, que no dia seguinte mereceu uma crítica feroz no jornal Público, onde os especialistas o consideraram lastimável. Desancaram a pobre Gheorgiu, a quem chamaram algo como uma senhora com pretensões a modelo, que deseja ser soprano...

Estas situações dispensavam-se, para manter a qualidade da casa [a FCG é a única instituição a dar cartas seguras na música dita clássica], dos programas, dos intérpretes...e dos pobres compositores. E já agora, do público.

É que todos estes elementos têm indiscutíveis qualidades. Não devíamos substituí-las com o resto.

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