17 setembro 2007

3o anos da morte de Maria Callas




Nunca tive paciência para efemérides, mas não hesito em recolher a sua vantagem: exibição daquilo que por vezes só aparece nas efemérides. É o caso de Maria Callas, que parece esquecida entre efemérides, num mundo onde há quem prefira o estilo [nós não] Andreas Bocellis e Pavarottis.



É como comparar um pitbull a um galgo: ambos são cães, o pitbull é forte, mas falta-lhe muita souplesse... E fico-me por aqui. Vou aproveitar os programas e filmes sobre 'A Callas', que andam a passar por aí.



imagem: Callas com Pasolini, esse grande maluco.

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06 setembro 2007

A morte de Pavarotti.



Acabo de acordar e abrir o meu email. O News Alert 0:50 a.m. ET Thursday, September 6, 2007 do Washington POst diz-me que 'Italian Tenor Pavarotti Is Dead: Luciano Pavarotti, whose vibrant high C's and ebullient showmanship made him one the most beloved tenors, has died, his manager says. He was 71'.

Com uma artigo e vídeo, a Bloomberg noticia igualmente a morte de Luciano Pavarotti. E assim deve acontecer em toda a comunicação social hoje. E provavelmente alguns loucos irão entupir os sistemas de e.mail com apresentações Powerpoint de gosto estético duvidoso, sobre 'il Maestro'.

Nunca achei piada à voz, à representação ou ao estilo de Pavarotti.

No entanto, como afirma a Bloomberg, foi o cantor lírico mais popular desde Caruso.



Além de ter -- na minha opinião pessoal -- uma voz bem mais interessante [para dizer o mínimo], Caruso teve inclusive uma função quase pioneira na ópera do final do século XIX, e depois do século XX [Pavarotti interpretou, curiosamente, a ária 'Caruso' num filme sobre Caruso].



Pavarotti no entanto, teve uma função de divulgação [evito a palavra 'democratização'] da ópera, ou, se quisermos, na sua dimensão menos positiva [porque associada muitas vezes a perda de qualidade] de massificação da ópera [dimensão menos positiva que teve o seu cúmulo no merchandising, que chegou a incluir perfumes de Pavarotti, coisa a que a música dita clássica tinha vindo a resistir face a outros géneros musicais].

Por ter feito chegar a ópera a pessoas cuja origem social era uma barreira [com consequências importantes para a legitimação social de subsídios e outros apoios do Estado e do mercado à música clássica e ópera em especial], Pavarotti merece um aplauso.

Requesciat in pace.



último vídeo: um que me parece bem adequado ao 'momento', pelo conteúdo, pela sistemática e pela memória - Pavarotti a interpretar a ária final [Nessun dorma] da ópera Turandot, de Puccini, a que mais associo, na minha memória, à voz de Pavarotti.

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17 outubro 2004

Renée Fleming

Mais uma vez, o Serviço de Música da Fundação Calouste Gulbenkian apresenta uma intérprete de peso: Renée Fleming.


O concerto assume especial destaque por ser a primeira vez que Fleming actua em Portugal.

O semanário EXPRESSO destaca o evento colocando Fleming na capa do suplemento cultural, sob o título 'A rainha do belcanto'. Ainda que ao ler a entrevista a Fleming se perceba a 'graça' [o nome originalmente escolhido pelos seus pais teria sido 'Reine'=Rainha, e não Renée], é bem verdade que insistimos em lançar qualificações à toa.

Quando vieram Barbara Hendricks ou Angela Gheorgiu, epítetos semelhantes se lançaram.


Assim, o reino do 'belcanto' terá umas cinco pessoas no trono. Pelo menos...

De lado o queixume, noto que não fui ao concerto pelo facto de o programa não ter, para mim, qualquer interesse: mistura tudo e todos, numa salada que dificilmente agradará a alguém, de forma integral e honesta.

Poderíamos dizer que é um apelo à diversidade e, nesse sentido, um elogio à própria música.

Porém, foi a própria intérprete a declarar ao canal de rádio Antena 2 que o programa tinha sido desenhado tendo em conta o seu vasto repertório, aliado ao facto de ser a sua primeira (e possivelmente única?) vinda a Portugal.

Confesso que tenho arrepios quando alguém se afirma bom a tudo. É uma ficção. E mesmo que o fosse, não seria necessariamente imperioso mostrar que se sabe tudo... no mesmo concerto. Um programa tem de ter pés e cabeça -- não exige meses de planeamento 'cerebral'...mas exige, pelo menos, algum equilíbrio, algum sentido.

Veja-se o programa da sua compatriota Angela Hewitt, na passada terça-feira: tanto Fauré como Bach e Mendelssohn, mas havia uma linha; a linha do piano clássico, a linha do barroco, a linha de Glenn Gould e a expertise de Hewitt.

Temo que o concerto a que não irei amanhã seja como o de Angela Gheorgiu, a que fui há uns meses, exactamente no mesmo local: uma salada indigesta, que no dia seguinte mereceu uma crítica feroz no jornal Público, onde os especialistas o consideraram lastimável. Desancaram a pobre Gheorgiu, a quem chamaram algo como uma senhora com pretensões a modelo, que deseja ser soprano...

Estas situações dispensavam-se, para manter a qualidade da casa [a FCG é a única instituição a dar cartas seguras na música dita clássica], dos programas, dos intérpretes...e dos pobres compositores. E já agora, do público.

É que todos estes elementos têm indiscutíveis qualidades. Não devíamos substituí-las com o resto.

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