09 maio 2008
23 setembro 2007
Revistas.

Recebi o primeiro número 2oo2. Era o 'Quarter 1', o volume 12 e o seu número 1.
A revista chamava-se Regional Review -- tão simples como isto -- e era mesmo uma revista [não aquelas que parecem livros disfarçados].
Poderia até sê-lo, pois era editada pelo Federal Reserve Bank of Boston: seria de esperar algo maçudo.
Não era. O seu peso era pluma e o tratamento dos temas [esses sim, alguns pesados] era pluma também.
O design era uma lufada de ar fresco, como se pode ver aqui.
Entre 2oo2 e 2oo3, apenas 8 números [embora já existisse nos anos 90 e tenha acabado apenas em 2oo5, no segundo 'quarter'/semestre] , animou a minha caixa de correio, sem que eu tivesse de pagar alguma coisa por isso. E sendo de qualidade, tanto em conteúdo, como em design e em material. Tenho neste momento ao lado o vol. 14, no.1, de 2oo3-2oo4. O tema de capa era 'Possession Obssession: Why People Collect?'. Já se está a ver que caiu nas graças de Lorenzetti. Outros temas eram 'impact of deflation', 'high-tech metropolis', 'food preparation'.
Interessava-me mesmo. Alguns artigos mudaram a minha percepção do mundo económico: o artigo sobre o mercado do café, por exemplo: '...Coffee prices have plummeted to 30-year lows, hitting a historic bottom of under 39 cents a pound last October. The price drop, 82 percent from just four years earlier, forced the National Federation of Coffee Growers of Colombia to pull the plug on one of the world’s most successful marketing icons. Coffee is not a trivial matter in the developing world. Coffee is the second-largest export earner for developing countries, and is the main source of foreign exchange for several nations, accounting for over half of export earnings in countries like Burundi and Uganda. ... the circumstances affecting producers have gone largely unnoticed in the United States, the world’s largest coffee consumer...In fact, changes in supermarket prices have been obscured by the much more dramatic expansion in the variety and sophistication of the coffee menu available to ordinary consumers... coffee has become an “affordable luxury.”'...] ou o adorável artigo sobre branqueamento de capitais ou o 'A [Mild] Defense of Luxury'.
No início adorei o design; mais tarde o conteúdo. O design era apelativo pelo papel glossy, brilhante, pela escolha das cores, que apesar de muitas, combinavam na perfeição, pelo corte sharp, pelo contraste, pelas fabulosas ilustrações e desenhos, pela qualidade da fotografia, pelo lettering sempre inovador e nada aborrecido. O conteúdo pela variedade [tanto se falava de lixo, como de maçãs, ou de câmbios, ou de design, ou de arrendamento], pela seriedade, pela descontracção no tratamento dos temas, pela simpatia da Carrie Minehan a abrir cada número, e os textos da Carrie Conaway, da Jane Katz, etc., etc..
Felizmente, quem não a folheou em papel, pode agora lê-la online. Menos mal.
Era gira como a Wallpaper, mas mais pequena, grátis, e com mais qualidade de conteúdo sério, mesmo se fora de moda. Quase que a complementava, em parte, na dimensão 'regional'. Hoje, combino tudo na Monocle, revista que junta os meus maiores interesses:
Affairs
Business
Culture
Design
Edits
A Monocle é, para o bem e para o mal, mais 'livro'. É ainda mais espessa que a Wallpaper. Mas continuo a sentir a falta da minha pequena Regional Review e as cartas do Maine, New England, onde o Outono consegue ser mais belo que a Primavera, e onde o Inverno consegue ser mais belo que o Verão.
Marcadores: café, design, Federal Reserve Bank of Boston, fotografia, mercados, Regional Review, revista, revistas
19 julho 2007
Portugal: a cultura do pato bravo.

'Os vestígios e as estruturas' [ver abaixo] como esta, estão em risco. Neste caso concreto, a capela do MNAA, pouco mais de um ano volvido da fotografia, parecem existir infiltrações e parcial desabamento do tecto da capela, que teve de ser encerrada e não foi incluída na apresentação das renovações levadas a cabo este ano no MNAA [e mesmo assim sem grande apoio público, sendo grande parte das obras financiada pela própria construtora civil conhecida da directora do MNAA].
Enquanto isso, constroem-se estádios e planeiam-se aeroportos.
Candida HÖFFER, 09.09. - 28.10.2006
Museu Nacional de Arte Antiga Lisboa I 2005, 2005
Ed.: 3/6
C-Print
252,4 x 205 cm
Em 2005 o CCB convidou a fotógrafa alemã Candida Höfer a visitar Portugal, para fotografar interiores de monumentos e edifícios públicos e privados portugueses.
As visitas decorreram entre Outubro de 2005 e Julho de 2006, e o resultado foi a série Portugal, que inclui cerca de 70 fotografias inéditas de grande formato com imagens dos interiores do Panteão Nacional, Mosteiro dos Jerónimos, Convento de Mafra, Sociedade de Geografia, Biblioteca Nacional, Palácio de Belém, Biblioteca e Palácio Nacional da Ajuda, Fundação de Serralves, Casa da Música, Coliseu do Porto e Biblioteca da Universidade de Coimbra, entre outros.
Candida Höfer elegeu o espaço como tema central da sua obra, 'espaços onde, apesar de ausente, o Homem marca presença constante através dos vestígios que deixou e estruturas que criou', como se lê no catálogo do CCB.
Marcadores: fotografia, igreja, mnaa, patrimonio, portugal
01 junho 2007
PedoArte ?

Já tinha pensado levemente sobre este assunto pesado, mas só agora me questionei a sério, dadas as circunstâncias especiais.
E a especialidade deriva de duas coisas: primeira, a histeria em volta do caso Madeleine McCann. Segunda, as várias exposições que tenho visto esta semana e nas quais figuram crianças.
A pedofilia é um tema do dia e coisas que poderiam ser banais passaram a ser estranhas. Um pai que passeia de mão dada com o seu filho pode hoje ser olhado com uma desconfiança que não teria há alguns anos atrás. E as mulherzinhas chatas que fazem caretas e vozes parvas a criancinhas que passam na rua começam a ser vistas de outra forma.
O que dizer da arte? Sobretudo da moda e da fotografia?
Se no caso da moda há imensos modelos adolescentes cujo progresso profissional se baseia por vezes em práticas duvidosas ou, mesmo não sendo assim, implica a sua avaliação física e apreciação pelo público, no caso da fotografia a coisa torna-se mais dúbia.
Esta semana estive em dois eventos que me colocaram novamente a pensar sobre o assunto.
Na PhotoLondon, uma grande mostra de fotografia que junta imensas galerias de todo o mundo e muitos fotógrafos consagrados ou algo debutantes, as crianças surgem um pouco por todo o lado e o destaque vai para uma fotografia de Frank Rothe, que tenho mesmo à minha frente, pois ilustra um convite para o lançamento do seu livro 'Running Through the Wind'. O convite lá diz 'vodka and caviar will be served', a contrastar com a criança que ilustra o convite. A fotografia chama-se 'sleeping boy', é de 2oo6, e encontra-se em formato gigante na PhotoLondon. Um miúdo de uns 10 anos, lindíssimo, de cara celestial, dorme despido numa cama, vendo-se parte do seu tronco e tendo os braços cruzados deitados na almofada, numa posição que se fosse de adulto se diria 'sensual'.
Fica-se na dúvida sobre as intenções ou pelo menos o sentido estético do fotógrafo. E a palavra pedofilia, mesmo que suspirada na mente de quem vê a foto, está presente, como um fantasma.
No dia seguinte, estive em duas outras openings, a primeira, desta vez, na Sotheby's em Bloomsbury e cuja curadoria coube a um português, Sidónio Costa, coordenador do Master in Arts da Sotheby's Londres.
Ao chegar deparo-me com a casa quase fechada, com house aos berros, muita gente animada, champagne sem parar, e muitos canapés. Nos andares de cima, as enormes telas com as obras do colectivo AES+F, uns russos e russa que apresentaram o seu último projecto, intitulado Last Riot 2.
No website, bem organizado e com óptimos conteúdos de fácil acesso, podem ver-se todos os projectos do colectivo, bem como explicações sobre os mesmos. Entre eles, o Last Riot2.
Adorei este grupo, pois apesar de alguns projectos que julgo infelizes, porque desnecessários e insignificantes [e.g. a série sobre Diana de Gales e o seu acidente], a mairia tem uma inovação, qualidade gráfica e ironia extraordinárias. São mordazes e utilizam temas modernos e acessíveis com uma coragem e imaginação pouco comuns. Em especial, no Last Riot 2, a mistura da figura de São Jorge a matar o dragão [sendo fundamental a obra de Ucello], a situação conturbada de hoje na Rússia, a utilização de crianças em conflitos armados em certos países, a violência urbana [com um toque americano dado pelos bastões de basebol] e gratuita, etc..
Porém, a utilização frequente de crianças e jovens [em regra seminuas - veja-se sobretudo a série 'the king of the forest'] também deixa algumas dúvidas sobre intenções ou pelo menos resultados pedófilos soft-core.
como é evidente, estes são apenas dois casos que uso como exemplo.
O que mais me assusta nestes e outros não é a possibilidade de o artista ou o coleccionador / público ser pedófilo.
É a eterna dúvida, a suspeição, quase inquisitorial e fanática, que pulula impiedosamente nas nossas mentes.
E sobretudo, a sua 'razão' de ser.
imagem: Tondo 3, dos AES+F
Marcadores: arte, arte contemporanea, fotografia, london, londres, pedofilia
21 maio 2007
E pur si muove!

Enquanto alguns noticiários ainda agonizam com o tablóide 'Madeleine', o mundo gira.
E acontecem coisas mais gritantes ou agradáveis.
Das gritantes, as endémicas, género invasões e conflitos no Iraque, Afeganistão, Guantanamo, Líbano, Palestina, Paquistão, Sudão, etc., ou as insistentes, como os adolescentes que se esfaqueiam no Reino Unido ou as jovens que engravidam para receberem apoio social.
Das agradáveis, a abertura da Photo London para a semana, a da Photographing Britain [a primeira grande exibição fotográfica na Tate Britain] e da Chelsea Flower Show hoje.
A Flower Show celebra 25 anos e pela primeira vez as rosas precisam de frio e não de mais aquecimento... E há jardins de todos os tipos, nas seguintes categorias: de exibição, de pátio, sofisticados, urbanos, suspensos. E além das 'exposições', podem-se frequentar cursos de jardinagem e arranjo floral, bem como comprar plantas e produtos associados.
E já agora as notícias inesperadas, e algo neutras: a primeira colocação em bolsa de uma sociedade de advogados, na Austrália. Sabíamos que aconteceria, mas não quando. A Slater & Gordon é agora a primeira sociedade de advogados do mundo a estar cotada em bolsa, tendo sido transaccionadas 8,226,649 acções a preço de abertura de 1.4 dólares australianos. Numa semana, 20 milhões de dólares australianos [8.26 milhões de libras] já tinham sido caçadas por investidores institucionais. Metade do valor obtido será alocado a sete accionistas que irão deter 48.8% da sociedade. A lei australiana foi alterada [em 2001, em NSW] para permitir esta operação de colocação.
Marcadores: flores, fotografia, jardinagem
01 maio 2007
Andreas Gursky

é um dos mais conhecidos fotógrafos na actualidade e tem um novo trabalho, que vi em Londres esta semana.
Desta feita a ideia não é genial. Mas Gursky deu-se ao trabalho de ir lá fotografar.
Se a série com a F1 não tem piada nenhuma [digna no entanto de banco de imagens, como diria uma amiga minha na 'indústria' de arte contemporânea], a série Pyongyang vale a pena.
Gursky não teve trabalho nenhum quanto á realidade que fotografou, ue no entanto é o resultado do trabalho de milhares de 'modelos': os norte-coreanos alinhados nas famosas manifestações de poder político local, em pleno festival.
É especialmente interessante como o alinhamento e a uniformização típicas do trabalho de Gursky e da sociedade contemporânea existem tanto na sociedade 'capitalista' como na sociedade 'norte-coreana'.
A não perder, nem que seja no site do White Cube ou em livro, se bem que ter a série de fotografias à frente [em regra com 2 por 3 metros] seja bem parte do jogo. E o resultado é impressionante. Para não dizer hipnótico.
Andreas Gursky
23 de Março a 5 de Maio no
White Cube
25-26 Mason's yard, St. James
[acesso pela Duke Street, lado esquerdo de quem desce no sentido St. James Sq. vindo de Jermyn St.]
depois dessa data:
Casa da Arte, Munique;
Museu de Arte Contemporânea de Istambul; e
Museu Sharjah, nos Emiratos
Marcadores: Andreas Gursky, arte, arte contemporanea, capitalismo, coreia, fotografia, Gursky, london, londres
17 janeiro 2006
Bob Richardson

Mais uma baixa na alta da fotografia.
Desta vez Bob Richardson. Com a particularidade de ter sido diagnosticado esquizofrénico aos 21 anos [facto que manteve em segredo durante décadas, e que 'alinhou' com drogas e álcool], Bob Richardson tornou-se um dos fotógrafos mais requisitados na área da moda, apesar de o próprio afirmar [em entrevista à PDN em 1997] que New York não lhe ligava nenhuma:
'People like Liz Tilberis and Anna Wintour should be ashamed of themselves.
Most of the stuff they put out is shit.
New York has definitely succeeded in raising mediocrity to an art form. It's ridiculous. In Europe I'm considered a genius; in New York I'm nobody'.
Fica a sua obra e, também na fotografia, o seu filho Terry Richardson.
Rest in Peace.
'That's another lie. People aren't moral. You know when I was a little boy - my father gave me a dictionary - probably the best thing I ever got for Christmas. It was a huge dictionary that was printed in England and it had a red morocco leather cover.
PS - 'That's another lie. People aren't moral. You know when I was a little boy - my father gave me a dictionary ... The first word I looked up in the dictionary was 'hypocrisy' because I knew that I was surrounded by it. I had heard the word in school and I came home and something told me to look it up and under H there it was -hypocrisy. And I was right - I was surrounded by it. There is no 'morality' in this world. But I'm a very moral person because I was trained by my parents to try to be civilized. Don't be a Neanderthal, don't be a monster. Don't hurt people, fight to defend yourself - but don't hurt people. So to me that's all a civilized person is and it wasn't to do with education or anything else - it's instinct'
Marcadores: fotografia
09 outubro 2004
Richard AVEDON

Avedon deixou-nos, tal como Cartier-Bresson.
2004 é um ano negro para a fotografia.
Avedon, o mago do preto e branco: sem cinzas, sem truques de luz, como dizia, e como aqui se vê.
Website de Richard Avedon
Marcadores: Avedon, fotografia, Richard Avedon
21 setembro 2004
:)
Henri Cartier-Bresson
Magnum
Marcadores: Cartier Bresson, Cartier-Bresson, fotografia, Henri Cartier Bresson, Henri Cartier-Bresson, Magnum, Magnum Photos
10 agosto 2004
Henri CARTIER-BRESSON

Faleceu um mago da fotografia.
'La famille d'Henri Cartier-Bresson, la Fondation Henri Cartier-Bresson, les photographes et l'équipe de Magnum Photos ont la tristesse de vous annoncer le décès d'Henri Cartier-Bresson le 3 Août à 9h30 dans sa maison du Luberon.Les obsèques ont eu lieu dans la plus grande intimité. Un hommage sera organisé à sa mémoire début septembre'.
Além do seu legado espiritual e material, deixa-nos uma quase-herança institucional:
a
MAGNUM
Imagem: Fondation Henri Cartier-Bresson
Marcadores: arte, fotografia



