07 março 2008

Art Newspaper is out [&in]


A última edição do Art Newspaper é suculenta. Destacamos:

Tate buys Charles Saatchi's Chapman sculptures

British army to assist at cultural sites in Iraq

Hans Haacke sues city of Munich over lost work Archive

Found: paintings from the collection of Brazilian money launderer

Situation at the Baghdad Museum is bleak but looting decreases

Saddam’s statues should not be destroyed

International backing for Babylon

Fake Monet in Cologne

“One of the most important Egyptian antiquities to come to light for many years”

Museums raided in tax fraud and smuggling case

The proposed UK tax changes for foreign residents threaten public collections

Why we like art less when its price goes down

Florence’s proposed new tram divides opinion

Photo London cancelled


[Art Newspaper, Issue 189, March 2008]

Marcadores: , , , , , , , , ,

29 agosto 2007

'Museu Berardo' traz o playboy de subúrbio aos museus.


Como sempre, deixei a poeira assentar [neste caso não demasiado, porque não me admira que a poeira voe em breve] e visitei o 'Museu Berardo', que aloja obras do homem sobre o qual mais se fala em Portugal, seja pelo BCP, pelo Benfica, pelo Museu, ou simplesmente porque não pára de aparecer na imprensa, em estilo readymade.

O CCB, aka 'Centro Cultural Berardo', para alguns 'centro comercial', trouxe uma novo cenário para os museus em Portugal.

Acabou a ideia de sossego associada a um vigilante de museu: agora, o CCB está em estado de sítio -- os visitantes não ligam nenhuma às linhas que no chão indicam a distância a ter das obras, urram de um lado para o outro das galerias, ouvem-se crianças a chorar, ou a correr, ou a mexer nas obras. Ou a arrastar-se pelo chão, o que vendo bem, até pode ajudar a quem iria limpar o pó. Só faltavam pitbulls e um chuning.

Mas o público do CCB não ficou maluco. O que acontece é que a fauna que por lá se vê, para citar uma amiga minha, não é nada do que se vê normalmente num museu. Quem ia, deixou de ir. Quem vai, estava normalmente num qualquer subúrbio.

Berardo deve pois estar satisfeito: o objectivo de trazer o 'povo' ao museu fica cumprido, pelo menos até ao fim do ano, porque a entrada é grátis.

O que achei adorável é que, como disse um amigo meu, 'esta gante nem olha para os quadros, tão preocupada está em tirar uma boa foto'. Outra amiga dizia que havia pessoas a cheirar a vinho [coisa que não confirmei, embora visse narizes encarnados em velhinhos de boné não muito diferentes daqueles que vieram de Cabeceiras de Basto aplaudir António Costa no Altis, após as eleições para a CML, sem saberem bem do que -- e de quem -- se tratava].

O museu deixou de ser um local de contemplação de arte para ser um local de turismo, onde se tira uma foto para por no screensaver do PC umas semanas, ou num álbum, ou num folder perdido no computador, ou colado ao frigorífico.

A experiència não é ver arte: é tirar umas fotos. E depois olhar para elas.

Mas o que é mesmo impressionante neste Museu Berardo é, e ainda no domínio da sociologia, que as fotos não são das obras em si, mas das pessoas que visitam o museu. Fotos dos filhos desdentados a dizer adeus ao lado de umas latas de Campbell soup, ou do pai trintão e de barba por fazer ao lado de um David Hockney.

Ou até de toda a família [chamaram-me a atenção quando ouvi o bip-bip-bip do temporizador da máquina], colocando um a camera e correndo todos para o pé de um quadro qualquer a dizer adeus ou a fazer caretas, ou a fingir que seguram um quadro, ou que são eles próprios parte do quadro.

Essencialmente, os portugueses deram função ao Museu Berardo: substituir a extinta Feira Popular.

Não digo que não; pelo menos quando passar ao lado o edifício não me faz tanta impressão. Mas também eu não ia ao Campo Grande...

O que gostei? O logotipo da Fundação Berardo, embora demasiado semelhante aos símbolos da Bentley e da Breitling.

E 3 quadros:

Jan ARP [c.1926], sem título

Pablo PICASSO [1947]Femme au Fauteil

Raymond HAINS [1970] Seita


Assinalei outras 23 obras como de boa qualidade, mas estas 3 eram as que correspondiam ao meu gosto estético.

Na próxima semana publico as conclusões que tirei da leitura dos estatutos da Fundação, que acabam por ser 'o' documento para avaliar o 'negócio' entre Berardo e o Governo, que tanto se discutiu há uns tempos, mas creio que sem grande substância e nenhumas conclusões úteis. Abaixo seguem os devidos links.


Colecção Berardo

Berardo Collections

Museu Colecção Berardo

Decreto-Lei que constitui a Fundação Berardo

Nota Informativa da Presidência da República a propósito do decreto-lei de criação da Fundação de Arte Moderna e Contemporânea – Colecção Berardo

PS - porque é que o PIN oferecido, em forma de coração, diz 'Art for Life' e não algo em português?

Marcadores: , , , , , , , , , ,

21 junho 2007

01 junho 2007

PedoArte ?





Já tinha pensado levemente sobre este assunto pesado, mas só agora me questionei a sério, dadas as circunstâncias especiais.

E a especialidade deriva de duas coisas: primeira, a histeria em volta do caso Madeleine McCann. Segunda, as várias exposições que tenho visto esta semana e nas quais figuram crianças.

A pedofilia é um tema do dia e coisas que poderiam ser banais passaram a ser estranhas. Um pai que passeia de mão dada com o seu filho pode hoje ser olhado com uma desconfiança que não teria há alguns anos atrás. E as mulherzinhas chatas que fazem caretas e vozes parvas a criancinhas que passam na rua começam a ser vistas de outra forma.

O que dizer da arte? Sobretudo da moda e da fotografia?

Se no caso da moda há imensos modelos adolescentes cujo progresso profissional se baseia por vezes em práticas duvidosas ou, mesmo não sendo assim, implica a sua avaliação física e apreciação pelo público, no caso da fotografia a coisa torna-se mais dúbia.

Esta semana estive em dois eventos que me colocaram novamente a pensar sobre o assunto.

Na PhotoLondon, uma grande mostra de fotografia que junta imensas galerias de todo o mundo e muitos fotógrafos consagrados ou algo debutantes, as crianças surgem um pouco por todo o lado e o destaque vai para uma fotografia de Frank Rothe, que tenho mesmo à minha frente, pois ilustra um convite para o lançamento do seu livro 'Running Through the Wind'. O convite lá diz 'vodka and caviar will be served', a contrastar com a criança que ilustra o convite. A fotografia chama-se 'sleeping boy', é de 2oo6, e encontra-se em formato gigante na PhotoLondon. Um miúdo de uns 10 anos, lindíssimo, de cara celestial, dorme despido numa cama, vendo-se parte do seu tronco e tendo os braços cruzados deitados na almofada, numa posição que se fosse de adulto se diria 'sensual'.

Fica-se na dúvida sobre as intenções ou pelo menos o sentido estético do fotógrafo. E a palavra pedofilia, mesmo que suspirada na mente de quem vê a foto, está presente, como um fantasma.

No dia seguinte, estive em duas outras openings, a primeira, desta vez, na Sotheby's em Bloomsbury e cuja curadoria coube a um português, Sidónio Costa, coordenador do Master in Arts da Sotheby's Londres.

Ao chegar deparo-me com a casa quase fechada, com house aos berros, muita gente animada, champagne sem parar, e muitos canapés. Nos andares de cima, as enormes telas com as obras do colectivo AES+F, uns russos e russa que apresentaram o seu último projecto, intitulado Last Riot 2.

No website, bem organizado e com óptimos conteúdos de fácil acesso, podem ver-se todos os projectos do colectivo, bem como explicações sobre os mesmos. Entre eles, o Last Riot2.

Adorei este grupo, pois apesar de alguns projectos que julgo infelizes, porque desnecessários e insignificantes [e.g. a série sobre Diana de Gales e o seu acidente], a mairia tem uma inovação, qualidade gráfica e ironia extraordinárias. São mordazes e utilizam temas modernos e acessíveis com uma coragem e imaginação pouco comuns. Em especial, no Last Riot 2, a mistura da figura de São Jorge a matar o dragão [sendo fundamental a obra de Ucello], a situação conturbada de hoje na Rússia, a utilização de crianças em conflitos armados em certos países, a violência urbana [com um toque americano dado pelos bastões de basebol] e gratuita, etc..

Porém, a utilização frequente de crianças e jovens [em regra seminuas - veja-se sobretudo a série 'the king of the forest'] também deixa algumas dúvidas sobre intenções ou pelo menos resultados pedófilos soft-core.

como é evidente, estes são apenas dois casos que uso como exemplo.

O que mais me assusta nestes e outros não é a possibilidade de o artista ou o coleccionador / público ser pedófilo.

É a eterna dúvida, a suspeição, quase inquisitorial e fanática, que pulula impiedosamente nas nossas mentes.

E sobretudo, a sua 'razão' de ser.

imagem: Tondo 3, dos AES+F

Marcadores: , , , , ,

01 maio 2007

Andreas Gursky


é um dos mais conhecidos fotógrafos na actualidade e tem um novo trabalho, que vi em Londres esta semana.

Desta feita a ideia não é genial. Mas Gursky deu-se ao trabalho de ir lá fotografar.

Se a série com a F1 não tem piada nenhuma [digna no entanto de banco de imagens, como diria uma amiga minha na 'indústria' de arte contemporânea], a série Pyongyang vale a pena.

Gursky não teve trabalho nenhum quanto á realidade que fotografou, ue no entanto é o resultado do trabalho de milhares de 'modelos': os norte-coreanos alinhados nas famosas manifestações de poder político local, em pleno festival.

É especialmente interessante como o alinhamento e a uniformização típicas do trabalho de Gursky e da sociedade contemporânea existem tanto na sociedade 'capitalista' como na sociedade 'norte-coreana'.

A não perder, nem que seja no site do White Cube ou em livro, se bem que ter a série de fotografias à frente [em regra com 2 por 3 metros] seja bem parte do jogo. E o resultado é impressionante. Para não dizer hipnótico.

Andreas Gursky
23 de Março a 5 de Maio no
White Cube
25-26 Mason's yard, St. James
[acesso pela Duke Street, lado esquerdo de quem desce no sentido St. James Sq. vindo de Jermyn St.]

depois dessa data:

Casa da Arte, Munique;
Museu de Arte Contemporânea de Istambul; e
Museu Sharjah, nos Emiratos

Marcadores: , , , , , , , ,

02 novembro 2006

Design Awards 2oo6



da Wallpaper*, já estão no ar.

Muitas das selecções foram uma desilusão para Lorenzetti, tendo em conta as ideias fantásticas que surgiram nas várias edições da Wallpaper em 2oo5.

Destaque positivo para o prémio 'melhor mesa de jantar' que, embora não seja esteticamente irrepreensível, é estupidmente inovadora: cadeiras e mesa ocupam exactamente o mesmo espaço volumétrico e podem ser adaptadas no sentido de ter uma mesa circular, linear ou outra disposição. Tudo com as mesmas peças. Bom para salas minúsculas, onde gerir o espaço de refeições é um 'conumdrum' 24-h.

'Birth' table and chair set, €3,920
Aziz SARIYER
para a Derin, Turquia

Marcadores: , , ,

24 março 2006

The Blood of Christ


de Damien HIRST, é uma instalação de comprimidos de paracetamol gigantes colocados em cima de sangue num armário de medicamentos.

Estamos na dúvida: no futuro será considerada uma obra de arte marcante [e valorizada] ou um desperdício de dinheiro para quem compra, de tempo [para quem vê] e de papel e tinta [para quem escreve sobre ela]?

O último caso é o do já aqui citado Donald Kuspit, que capeou o seu livro 'The End of Art' com uma instalação de Hirst... um cinzeiro banalíssimo cheio de cigarros banalíssimos apagados de forma banalíssima.

Ainda assim, esta apela-nos esteticamente. Na sua onda minimal, dá-nos fome. Provoca várias sensações. Lorenzetti não pagaria os 3 milhões de dólares pagos pelas duas obras acima [o caso Jorge Vergara, CEO da empresa de vitaminas Omnilife] e que praticamente pagaram a casa gótica que Hirst comprou em Gloucestershire, mas certamente não a descartaria de todo [coisa que faria com o cinzeiro...].

Marcadores: , ,

11 março 2006

Ser Especial.


Ela é muito gira.

E sabe disso e representa isso naquilo que faz, que é, pelo que julgo saber e em grande parte, fotografia.

É simpática e acessível.

Mas isso não a faz nada de especial.

Faz coisas simples, que são geniais porque à mão de semear, mas não colhidas até ela chegar lá.

Mas:

Ela tem 16 anos.

Não vive propriamente numa cidade como Tóquio ou New York.

Não é filha de Andy Warhol nem de Magritte.

Fazendo o que faz, onde, quando e como está, só pode ser Especial.

E Eu. Eu, por aqui, sinto-me Especial por tê-la conhecido através daquilo que ela faz. E que eu vejo. E que a torna muito, muito Especial.

Ainda que me magoe, quando diz 'é estranho quando dou por mim num mundo bizarro e mais ainda quando o lado mais bizarro do mundo sou eu'.

Marcadores: , , , , ,

18 fevereiro 2006

No Art Newspaper



umas notas sobre a saga da Colecção Berardo:


Portugal (almost) wins the race to show billionaire’s collection

José Berardo is on the verge of signing an agreement to show his art in Lisbon

Posted 09 February 2006


By Gareth Harris


Mr Berardo’s collection includes Alexander Calder’s Untitled, 1968


LONDON. The Portuguese billionaire José Berardo is set to sign an agreement with the Portuguese government this month to loan art from his collection of some 4,000 Modern and contemporary works on a long-term basis to the Belém Cultural Centre (CCB) in Lisbon.

Mr Berardo, frustrated at excessive red tape which caused lengthy delays to the project, had threatened to send the works to France instead (The Art Newspaper, December 2005, p.1). This seems to have galvanised the Portuguese government into speeding up negotiations with Mr Berardo.

Lawyers for Mr Berardo, who is chairman of the holding company Metalgest, are currently drafting the terms of the agreement which has to be finalised by 15 February. However, if this deal falls through, Mr Berardo told The Art Newspaper that he “is still prepared to work with the French government”.

Mr Berardo met French State officials last November. They proposed possible sites in France for a museum to house his collection. These include a new museum site in Toulouse and the Ile Seguin in Paris, where the French billionaire François Pinault had planned to build a museum to house his contemporary art. Mr Pinault abandoned this project and is to display his collection at the Palazzo Grassi in Venice instead which he purchased last year.

If all goes to plan, the Portuguese agreement entails transferring a portion of Mr Berardo’s works to the CCB with an exhibition drawn from the collection scheduled for late 2006. Future shows under discussion include a retrospective devoted to Frida Kahlo. The other artists represented in his collection include Francis Bacon, Dan Flavin, and the Chapman brothers.

Mr Berardo told The Art Newspaper that the Portuguese government eventually plans to build a new museum in front of the CCB to house his collection, scheduled to open in 2010. He has, however, warned that he will not sell or donate any art to Portugal as he has a “large family”. A spokesperson for the Portuguese Ministry of Culture declined to comment.

The CCB has previously shown three exhibitions of works on loan from the billionaire.

Art Newspaper

Colecção Berardo

Imagem: Giulio PAOLINI [1965] A J.L.B., Colecção Berardo

Marcadores: , , , ,

06 fevereiro 2006

Giacomelli


Para os fãs de Helena Almeida, cuja exposição na Bienal de Veneza [fizémos um post sobre essa, segue abaixo] está agora em Lisboa, apresentamos...

Mario Giacomelli.

Para os mesmo interessados, a Phaidon tem um livrito sobre o personagem 81925-2ooo] e obra [fotografia].

Marcadores: , , ,