O mundo conhece, desde há uns dias, um austríaco chamado Fritzl, que terá mantido e engravidado várias vezes a sua filha Elisabeth numa 'masmorra' [palavra utilizada pelos nossos melhores jornalistas de TV-sensação] em Ybbsstrasse 40, durante mais de 20 anos.
Provavelmente não direi mais nada sobre este caso. Apenas que esta rua, Ybbsstrasse, na calma Áustria, não é mais do que a nova Praia da Luz.
Lorenzetti clarifica que não concorda com a atitude de o Parlamento Europeu receber e promover o casal McCann, que é arguido num Estado Membro.
O Parlamento tem de respeitar os interesses das populações dos Estados Membros e não pode violar a sua soberania em matéria criminal, nem qualquer processo criminal em curso.
Não queira isto dizer que Lorenzetti concorda que o casal McCann seja arguido. É bem possível que sejam culpados. Mas sem provas não faz sentido torná-los arguidos.
Já se perdeu muito tempo e sobretudo reputação com este caso, que parece ressurgir agora só para ofuscar o caso da famosa e infame chama olímpica e o escàndalo financeiro relativo aos salários dos assistentes dos deputados no PE. As declarações do Governador do Tibete no PE só reforçam esta tese...
Mais uma vez, o 'casal McCann' demonstra o seu poder de lobbying e apesar de serem suspeitos da eventual morte da sua filha menor em Portugal, foram recebidos esta manhã no Parlamento Europeu e estão neste momento a dar uma conferência de imprensa no Parlamento Europeu, utilizando recursos parlamentares.
Não deixa de ser insólito que dois arguidos em processo crime por homicídio (infanticídio) num Estado Membro sejam recebidos no Parlamento Europeu e aí realizem conferências de imprensa.
Sobretudo sendo um português que preside à Comissão, e Portugal ter presidido há pouco tempo ao Conselho da União.
O regresso da 'famosa' Catalina Pestana não é surpresa, pelo menos tão grande como o seu próprio nome.
Com efeito, já se esperava, mais uma vez naquilo que parece ser uma tentativa típica de testemunha que não quer passar a arguida.
Todos se recordam das famosas expressões como 'os meus meninos'.
Se seus, importa perceber o que andou a fazer desde que é Provedora, uma vez que agora parece dizer que ainda há abusos sexuais na Casa Pia. Se sob a jurisdição isso não faz dela suspeita?
Como já era suspeita, creio, antes de ser Provedora. Pois quando chegou ao cargo, recorde-se, foi na sequência de longos anos como funcionária da Casa Pia. Precisamente a época dos abusos que têm sido investigados e julgados agora.
Ora se sabia deles e não os denunciou na altura, e nem sequer saiu da organização [tendo até chegado a Provedora, o que demonstra o seu percurso alegre na instituição e beneplácito dos colegas que agora acusará] isso não a torna minimamente suspeita?
Tal como seria, por exemplo, Teresa Costa Macedo, da qual nunca mais se falou.
Pois a relação de ambas com a Casa Pia era bem maior do que a de Paulo Pedroso ou de Carlos Cruz. Disso não tenhamos dúvidas.
Afinal as crianças estavam à sua guarda, e o que quer que lhes tenha acontecido é da sua responsabilidade.
É esta a infeliz pergunta que os portugueses farão uns aos ouros depois de saber que os resultados dos testes de ADN no famoso caso McCann 'dificilmente chegarão à PJ esta semana, como apurou o DN, já que, por questões diplomáticas, terão de ser enviados pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico para o congénere em Lisboa, que por sua vez os enviará para o Ministério da Justiça. Só depois serão libertadas para a PJ'.
Mas quais razões diplomáticas? Os resultados serão conhecidos pelo Governo antes da PJ ou serão transmitidos apenas, e a PJ os abrirá e lerá? A resposta a estas perguntas não foi dada juntamente com a notícia de que a PJ não os receberia directamente. E é isso que põe os portugueses a pensar se -- na onda dos famosos tiques autoritários do governo PS / Sócrates [ao qual alguns já chamam o 'regime'] a polícia foi secundarizada, como mero instrumento governamental. Ou como 'instrumento do regime'.
E isso, verdade ou mentira, não augura nada de bom.
foto: Watson&Crick, os 'descobridores' da estrutura molecular [a dupla hélice] do ácido desoxiribonucleico, vulgo ADN.
Não nos referimos a qualquer tipo de reincarnação, mas ao facto de muitos portugueses estarem já fartos do caso Maddie, tal como Lorenzetti esteve sempre ao longo destes meses.
Porquê então falar dele?
Para recordar que há quem tenha referido que nesta discussão sobre a culpa dos pais [que mereceu um vergonhoso programa 'prós e contras' na RTP, a meu ver bem mais grave que o 'murro' de Scolari [porque planeado e envolvendo imensas pessoas e um canal público de televisão, bem como o desrespeito pelo princípio da presunção de inocência e a imitação de um tribunal popular] se esqueceu 'Maddie', a criança.
Gostava de lembrar que além de já se ter esquecido a criança a favor dos pais, esqueceram-se também outras realidades bem mais importantes: a política nacional e todas as outras crianças desaparecidas [para a qual os fundos na conta dos McCann parecem ainda não ter servido para nada, nem falando a comunicação social desses outros casos: ou fala de vários ou não nos canse com o mesmo].
A excepção confirma a regra, e a regra é não alimentar a polémica McCann que, no fundo, é apenas mais um caso de uma criança desaparecida e falar dele apenas alimenta a polémica, sendo que, meses volvidos depois do alegado desaparecimento da criança, sabemos aquilo que já sabíamos: uma criancinha desapareceu e mais nada.
Um comentador da SIC vai avançando com provocações por vezes interessantes [o que não é difícil, basta disparar para todos os lados], lembrando que o 'ursinho desapareceu' e que o casal já não dá as mãos, etc..
E agora o estatuto de arguido no caso do 'misterioso' Robert Murat e dos pais da criança.
Sendo que os pais [ou os seus assessores de imagem ou jurídicos, alguns pagos, como se sabe, pelo governo inglês, apesar do mais de milhão de euros já conseguido pelos pais em doações do público via Internet] publicaram o post copiado abaixo, no blog / site criado sobre o tema, FindMadeleine.
Não deixa de ser interessante que na mensagem se diz 'não raptámos', mas não se diz 'não matámos', ou outra coisa qualquer, e que se diz que a saída de Portugal já estava planeada [contrariamente ao esperado: só sair quando se encontrasse Madeleine].
Mas creio ser reconfortante dizer que virão a Portugal para quaisquer actos processuais para os quais sejam convocados nos termos da lei.
Não sei se mantêm a mesma posição: de acordo com a CNN há instantes [até a Bloomberg já fala do caso, para mal dos meus pecados] Gerry McCann terá contratado o mesmo advogado que bloqueou a extradição de Pinochet. O que não deixa de ser bastante significativo: basta atentar às palavras 'extradição' 'bloquear' e 'Pinochet'.
Pelo que parece, já nenhum português acredita no regresso destes pais, nem no aparecimento da criança, e muito menos que se fará justiça, mas apenas jogo político.
Latest Update - Gerry's Blog/Diary ' Day 130 - 10/09/2007
[...]
On Friday Kate and I were made ‘arguido’- official suspects in Madeleines disappearance. We cannot comment on any details of the investigation, interviews or any evidence that has been presented to us. We could never possibly have imagined being put in this unbearable situation. No specific charges have been presented at this point and there has been no restriction on our movements imposed.
[...] We have absolute confidence that, when all of the facts are presented together, we will be able to demonstrate that we played absolutely no part in Madeleines abduction. Our primary concern has always been the search for Madeleine and this aspect, that our daughter is still missing, must remain a priority for the investigation.
On Saturday we asked the Portuguese police if they had any objection to us coming back to the UK. We had assured them that we will continue to cooperate fully with the investigation and of course will return as requested and for our own emotional reasons. We decided to fly back on Sunday as we had originally planned and all of our family spent the rest of the evening helping us to pack'.