10 abril 2008

McCann re-reloaded.

Lorenzetti clarifica que não concorda com a atitude de o Parlamento Europeu receber e promover o casal McCann, que é arguido num Estado Membro.

O Parlamento tem de respeitar os interesses das populações dos Estados Membros e não pode violar a sua soberania em matéria criminal, nem qualquer processo criminal em curso.

Não queira isto dizer que Lorenzetti concorda que o casal McCann seja arguido. É bem possível que sejam culpados. Mas sem provas não faz sentido torná-los arguidos.



Já se perdeu muito tempo e sobretudo reputação com este caso, que parece ressurgir agora só para ofuscar o caso da famosa e infame chama olímpica e o escàndalo financeiro relativo aos salários dos assistentes dos deputados no PE. As declarações do Governador do Tibete no PE só reforçam esta tese...

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A caça à tocha.

Deixou de ser um problema da China ou do Tibete.

Neste momento é um jogo tipo supermário: será que alguém apanha a tocha? será que a apaga? Será que é preso?

E tem várias etapas: em cada cidade pela qual passa.

Em S. Francisco foi protegida por mais polícias do que John Kennedy em Dallas.



E para apimentar o jogo, é levada por alguém em cadeira de rodas.

Assim, o impacto de alguém que derrube a tocha é ainda maior: derruba um deficiente numa cadeira de rodas.



Toda esta situação torna-se patética e hipócrita e seria de todo conveniente ou cancelar a volta da tocha ou os próprios jogos, sob pena de consequ~encias mais graves.

Uma delas, já em estado avançado, é a banalização da tocha -- outrora símbolo intocável -- que passou a um simples objectozeco parolo, naquilo que é a 'caça à tocha'.

Aí está uma boa modalidade olímpica...

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07 abril 2008

Jogos Olímpicos.



Para se defender dos ataques dos pró-tibetanos, diz a comissão olímpica que os jogos são um evento desportivo e não político.



Se é certo que há argumentos para a comissão não se envolver na questão do Tibete, há ainda mais argumentos para afirmar que os jogos olímpicos são verdadeiramente políticos.



Os custos que acarretam e os investimentos dos Estados, o simbolismo da chama e de todos os cerimoniais de abertura e encerramento, a segurança em torno destes eventos, o protagonismo que sempre tiveram em ditaduras de esquerda e de direita, em particular na Alemanha Nazi e na Rússia Comunista, agora na China e entretanto nos EUA, são mais que evidências. E não se diga que se trata de meros aproveitamentos políticos: antes desse aproveitamento, alguém atribuiu à Alemanha ou Rússia a organização dos eventos...



A lógica do boicote pode ser contrariada de várias formas. Mas não se encha os jogos de cosmética a dizer que são puro desporto. São, sim, impura política internacional.

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