31 março 2008

O Terminal

Não o filme, mas o Terminal 5 de Heathrow.



Há 5 dias que a BA cancela voos [250] no novo terminal 5 e continuam 'perdidas' 15 mil malas.

A recomendação da GoldmanSachs é agora para vender as acções a 200p [ver a Bloomberg de hoje].



A brincadeira no Terminal 5 parece custar uns 99 milhões de dólares, diz a Collins Stewart. A BA, naturalmente, não comentou.

E pelo que diz o SkyNews, os jornalistas foram banidos do T5, para não haver imagens do caos.



Este terminal era estudado há 20 anos e custou mais de 4 biliões de libras [estando na UE, o Reino Unido recusa usar o euro, como se sabe, e a Comissão não se importa, como se vê], tendo sido inaugurado, claro, pela Rainha de Inglaterra:



Suponho que isto seja uma boa leitura para quem acha que 'só em Portugal é que acontecem coisas destas'.

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23 novembro 2007

Aeroporto para quê?

Além de beneficiar construtores e imobiliárias?



Já chamámos aqui, aqui e aqui a atenção para a existência de slots livres -- os blocos de chegadas e partidas de aviões -- na Portela e portanto para o facto de o aeroporto de Lisboa [sobretudo das constantes obras que tem tido desde que foi aberto em 1947] não estar acima da sua capacidade [e até podia ter mais, se as pistas não fossem cruzadas, caso em que as descolagens em simultâneo seriam possíveis, e se houvesse concorrência livre entre operadoras aéreas, em particular se as novas companhias aéreas não fossem discriminadas].

A Comissão Europeia veio dizer algo semelhante, e sobre quase todos os aeroportos.

Em 15.11.2oo7 a Comissão adoptou uma Comunicação sobre a aplicação do já existente Regulamento Comunitário sobre Slots. A ler. E a comparar.


ver

Communication on the application of Regulation (EC) 793/2004 on common rules for the allocation of slots at Community airports


Press release (IP/2007/1703) Airport slot allocation: for a better use of scarce airport capacity in Europe

Council Regulation (EEC) 95/93

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01 novembro 2007

Aeroporto.


Agora discute-se Alcochete. Já não há paciência. Deixem como está, porque tal investimento num momento de contenção até faz confundir determinação governamental / política com outra coisa bem menos bela... e legal. Depois de 40 anos de obras no aeroporto da Portela [e de um novo terminal este ano], seria interessante aproveitar o investimento.

A actuação do governo português [seja o PS seja o PSD] nesta matéria, como em outras, faz-nos recordar crianças que passam de um brinquedo para outro cada 5 segundos, sobretudo sem arrumar o anterior.

O problema é que Portugal não só não tem dinheiro para brinquedos [diz-nos o próprio Governo], como a altura não é de brincadeiras, o brinquedo em causa não é pedagógico e também não há ama para arrumar a confusão.

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23 outubro 2007

Greve dos pilotos.


Lorenzetti não alinha no habitual argumentário de que os pilotos ganham muito dinheiro e não devem fazer greve por migalhas.

No entanto, importa reconhecer que os passageiros [e Lorenzetti é um deles] foram deixados sem o apoio devido, depois de terem pago o seu bilhete e assumido compromissos importantes numa altura do ano que não é propriamente de férias nem Natal, nem ainda sexta ou sábado.

- a TAP pertence à StarAlliance [que faz 10 anos, segundo se ouve na interminável mensagem de atendimento da TAP na sua linha de atendimento telefónico]: poderia bem beneficiar-se dessa aliança para conseguir lugares noutras companhias para passageiros apeados devido à greve dos pilotos;

- a TAP tem muitas chamadas que entopem a sua linha de atendimento. Isso é sempre assim quando há greves. E sendo previsível, não só pela experiência passada, como pela existência de pré-avisos de greve, não se percebe que não haja maior eficiência no atendimento aos passageiros, nem que seja pelo famoso outsourcing de call centers extra: não faz sentido que a IATA não imponha padrões mínimos de qualidade de serviço a este nível, nem que a TAP não tenha a elegância e competência de, por si, os ter;



- a TAP anuncia, na sua interminável mensagem de atendimento telefónico, que os passageiros devem fornecer o seu telemóvel para serem avisados de atrasos ou problemas com o voo. No último ano deixei sempre o telemóvel e em 20 ou 30 voos, nunca me avisaram dos atrasos constantes, nem agora, da greve e do cancelamento do meu voo;

- ao saber do cancelamento do voo, sou posto em lista de espera para um voo no dia seguinte [que provavelmente é mera esperança vã]. Mas porque é que não me enviam noutra companhia aérea no mesmo dia?

- não se percebe que ninguém seja responsável: a TAP porque diz que o Governo é o responsável pelas pensões e idade de reforma, o Governo porque diz que os pilotos é que fizeram greve, os pilotos porque dizem que têm direito à greve. O que é certo é que em greve os trabalhadores beneficiam [e é compreensível] de um fundo de greve. E os passageiros, como verão compensadas as centenas ou milhares de euros gastos em bilhete e taxas, em transportes, em alojamento, e os negócios ou qualquer outra coisa que perdem por não realizarem a viagem? Será o balanço económico positivo?

- e serviços mínimos? suponho que o meu voo não faça parte deles, uma vez que não vou para a ilha da Madeira...



Fica o desabafo [coisa para a qual os blogs são úteis]. Até porque os tribunais nunca terão pensado em declarar ilegais certos disclaimers de transportadoras. Suponho que o INAC apenas regule o espaço aéreo e nada tenha a ver com os passageiros. Que resultados terá conseguido o INAC nessa matéria?

Numa época em que se fala de escutas, seria interessante que se escutasse os passageiros [e se desse seguimento às suas críticas] e, já agora, que se pusesse escutas nas linhas de atendimento telefónico da TAP [sobretudo a contar os tempos de silêncio, ou de música enquanto se espera], e não só...

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22 outubro 2007

Belicosos


são não só um tipo de charuto, como uma forma de estar, como se sabe: aqueles personagens que, por tudo e por nada, arranjam conflitos, confusão.

Hoje li uma Resolução da Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira que parece ser exactamente assim:

REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA
Assembleia Legislativa
Resolução da Assembleia Legislativa da Região
Autónoma da Madeira n.º 19/2007/M

Contra a política de discriminação dos passageiros das Ilhas
no Aeroporto da Portela — Novo terminal 2


Com a abertura do novo terminal 2, no Aeroporto da
Portela, perspectiva-se mais uma discriminação aos passageiros das Ilhas.


Pretende a ANA — Aeroportos de Portugal, S. A., que os passageiros dos voos domésticos das companhias nacionais que realizam voos regulares de Lisboa para as Regiões Autónomas embarquem no novo terminal 2, cujo acesso se faz pela segunda circular.

Não pode deixar-se de lamentar tão discriminadora medida, pelo facto de, apesar dos passageiros das Ilhas pagarem tarifas exorbitantes, serem obrigados a embarcar no novo terminal 2 que não reúne as comodidades a que estavam habituados os utentes destas linhas.



O novo terminal 2 não oferece as comodidades que se exigem em pleno século XXI, não tendo mangas telescópicas para acesso directo às aeronaves, não existindo um parque de estacionamento, bem como, obrigando as pessoas que se destinam a esses voos, em horas de ponta, a circular numa das vias de Lisboa com tráfego mais intenso.

E mais discriminadora e caricata se torna tal medida, quando a ANA — Aeroportos de Portugal, S. A., pretende que os passageiros que utilizem as companhias low cost
utilizem o terminal 1, apesar de pagarem tarifas de baixo custo.

Assim, a Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira, nos termos da Lei n.º 130/99, de 21 de Agosto, resolve aprovar a presente resolução:

Solicitando ao Governo da República, enquanto entidade de tutela, e à ANA — Aeroportos de Portugal, S. A., na qualidade de concessionária, a alteração dos critérios que presidem à utilização do terminal 1 e do novo terminal 2 do Aeroporto da Portela, tendo por escopo a não discriminação dos passageiros que realizem voos regulares de Lisboa para as Regiões Autónomas.

Da presente resolução deverá ser dado conhecimento ao Presidente da República.
Aprovada em sessão plenária da Assembleia Legislativa da Região Antónoma da Madeira em 2 de Outubro de 2007.

O Presidente da Assembleia Legislativa, José Miguel Jardim d’Olival Mendonça'.

Às vezes a realidade é tão boa que nem merece comentário.

E assim será.

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11 outubro 2007

Aeroporto de Lisboa em pausa.


Sempre que passo pelo aeroporto de Lisboa, lá apanho com o cartaz horroroso a dizer 'La Pausa', um café qualquer daquele aeroporto.

Já bastava ter a feira da Andaluzia no parque Eduardo VII, em cima do Marquês de Pombal, centro da capital e Portugal, a fazer propaganda turística a Espanha e, basicamente, a mandar portugueses e turistas para Espanha. Percebe-se do ponto de vista espanhol, país com o qual tenho óptima relação [tendo até feito parte de programas de cooperação entre os dois países]. Mas do ponto de vista português, não só dada a história mas sobretudo a concorrência turística portuguesa com Espanha e a ideia, que muitas vezes passa em muitos países, que Portugal é parte de Espanha, ou algo do género, fazer publicidade à 'Andalucía' no Marquês de Pombal [e não sequer a Espanha no seu todo] parece ridículo. E nem iremos falar do facto de a residência do embaixador de Espanha em Lisboa ser um antigo palácio real [ainda que dos 'ilegítimos'].

Voltemos ao 'La Pausa': simplesmente isto -- nome bem estúpido [não vejo outra configuração menos deselegante, pois a ideia e o café nada de elegante têm] para um café em Portugal, de um aeroporto português e não espanhol, argentino, mexicano, peruano, guatemalteco ou outra coisa do género. Não há problema nenhum em haver cafés espanhóis. Mas há problema quando se dá um nome espanhol a um café português de um aeroporto português, que deve ser, à sua medida, um estabelecimento que mereça alguma atenção do ponto de vista da imagem / diplomacia. A imagem do país está em jogo. E, no limite, a sua independência. Ou a queremos, ou não. É por desprezo a estes detalhes que continua tudo na mesma desde os descobrimentos. Perdão: está pior.

imagem: metro de lisboa [os governos insistem em TGV, estádios e até aeroportos, mas não souberam em décadas ter uma estação de metro no aeroporto. Serão todos filhos de taxistas?]

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06 outubro 2007

Aeroporto.



Um filme delicioso. E o trailer, do tempo em que não havia limites de tempo! [quase spoiler...]

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22 setembro 2007

Algumas das razões da crise.



CCB, hoje Museu Berardo.





'Estádios demasiado grandes para a necessidade do país; câmaras municipais excessivamente endividadas para os próximos 20 anos; derrapagem de 13,3% nas acessibilidades; e mais de mil milhões de euros de investimento público total. As conclusões críticas são extraídas da segunda fase de auditoria ao Euro 2004 e levam o Tribunal de Contas (TC) a questionar "se o elevado montante de apoios públicos" ao campeonato organizado por Portugal no Verão de 2004 não poderia ter tido "uma utilização mais eficiente noutras áreas de relevante interesse e carência pública".

"Os novos estádios do Euro 2004 estão sobredimensionados, o que pode ser constatado pelas baixas taxas de ocupação, da ordem dos 20 a 35%", refere o relatório da auditoria divulgado ontem pelo Tribunal de Contas, adiantando que "em alguns dos estádios, nem durante o Euro 2004 se atingiu a lotação máxima".

Os apoios directos atribuídos pela Administração Central aos promotores privados (Benfica, Sporting, Boavista e FC Porto) para a construção dos estádios e estacionamentos totalizaram 66,1 milhões de euros [...]

O valor total da comparticipação financeira do Estado atribuída em conjunto aos promotores públicos e privados foi de 109,1 milhões de euros [...] os quatro promotores privados beneficiaram, para lá da comparticipação directa do Estado através dos contratos- -programa assinados, de um considerável apoio indirecto por parte das respectivas autarquias, principalmente através da compra e doação de imóveis e equipamentos, "considerados avultados, que se traduziram em desequilíbrio a favor dos clubes", refere o TC.

Até Julho de 2005, a Câmara Municipal de Lisboa doou ao Benfica 49,5 milhões de euros e ao Sporting cerca de 10 milhões. No Porto, os montantes são ainda mais consideráveis a autarquia local apoiou o FC Porto, através do Plano Pormenor das Antas (PPA), em mais de 88 milhões de euros.

Em relação ao custo dos estádios projectados por autarquias, houve um desvio médio de 230% no preço final. A obra arquitectónica de Souto Moura em Braga é o pior exemplo os 29,9 milhões de euros de custo de referência cresceram até aos 108 milhões, numa derrapagem de 360%. O Estádio do Algarve foi o que se desviou menos do preço previsto (154%)[...]'.

DN, 21.12.2oo5



Próximas asneiras governamentais [excepto na parte do financiamento europeu]: TGV e Aeroporto.



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31 agosto 2007

O que é o Nada? É a oposição em Portugal. Diria mesmo que é a prova da existência do Nada


foi a frase de Luís Campos e Cunha no Publico de hoje.

Curiosamente, encontrei-o ontem, bem perto, num voo da ainda nossa TAP.

O Professor Campos e Cunha foi ministro de Estado e das financas em 2oo5 [uns 4 meses], interrompendo uma bela carreira academica na UNL. E entre 1996 e 2oo2, governador do Banco de Portugal.

O Professor foi corajoso: saiu no momento em que o Governo do qual fazia parte estabeleceu os investimentos prioritarios, entre eles a 'OTA' e o TGV.

E hoje continua do lado da razao: Socrates e o PS so estao no Governo porque nao ha oposicao do PSD, e porque os partidos minoritarios nunca foram para os portugueses uma opcao de voto. Depois queixem-se.


imagem: Sean SCULLY [2oo4] Raphael

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15 agosto 2007

Afinal nao e preciso aeroporto nenhum.


Esta e a conclusao que se tira do documento que anda a circular por e.mail e que desenvolve as tabelas de slots vagos apresentadas pelo candidato do MPT a Camara de Lisboa no debate na SIC Noticias, que juntou todos os candidatos.

De acordo com os mapas de slots, o aeroporto de Lisboa parece ter imenso espaco para aterragens e partidas.

Nao deixa de ser um dado muito interessante [para nao dizer aliviante] num momento em que a politica nacional se baseia na logica do corte financeiro e do sacrificio e em que os proprios autores da 'teoria da crise' sao os que mais gastam, e mal, seja em aeroportos seja em estadios ou em TGVs que param nas aldeias todas.

Esta semana discute-se em Londres uma terceira pista para Heathrow e um quinto terminal. Em Lisboa acaba de inaugurar-se um...

Links >

O que diz o e.mail

O que diz o MPT

O que diz a imprensa


O que diz o Engenheiro Socrates

As perolas que ficaram para a historia:

'Um aeroporto na margem sul tem um defeito: precisa de pontes. Suponham que uma ponte é dinamitada? Quem quiser criar um grande problema em Portugal, em termos de aviação internacional, desliga o norte do sul do país'.

Almeida Santos, dirigente do PS e ex-Presidente da AR, citado pelo Publico... e visto em todos os telejornais.

'Na margem sul não há cidades, não há gente, não há hospitais, nem hotéis nem comércio...seria necessário deslocar milhões de pessoas...seria o mesmo que construir Brasília no Alto Alentejo'.

Mario Lino, citado pelo Publico e... visto em todos os telejornais.

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