10 novembro 2007

Curso incompleto por 'falta de tempo'

21 setembro 2007

Os EUA no seu melhor?



Democracia à americana. Como de costume. A expressão 'autoridade moral' e a palavra 'coerência' devem ter sido riscadas do dicionário do país mais 'activo' na comunidade internacional e na 'imposição' de um modelo democrático. Fora dos EUA, claro.

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19 setembro 2007

Democracia peculiar.

09 setembro 2007

Os tótós.


.[...] Estarei eu tão obcecada com as coisas profanas deste mundo, ao ponto de difamar o próprio sistema do Estado com bagatelas e vulgaridades? Não saberei eu, porventura, distinguir uma coisa tão básica como a diferença entre assuntos sérios e conversas de café? Não meus amigos, eu sei do que estou a falar.
Eu lido com este tipo de pessoas todos os dias.
Eles eram os tónis da vossa escola. Eles são agora os melhores alunos da faculdade de direito. Eles provavelmente nunca estiveram com uma rapariga. Eles provavelmente só “o” fizeram com livros. Eles são… o futuro de Portugal.
Homens dos vinte aos setenta anos que patinam na sua própria poça de baba
sempre que uma gaja passa por eles? Um sitio onde não se pode passar pelos corredores sequer com as mangas arregaçadas sob pena de ver debruçarem-se sobre os nosso pobres triceps os olhares mais ávidos de quem provavelmente nunca mandou uma na vida? Benvindos à faculdade de direito, onde se constrói o futuro politico de Portugal. Onde o marrão da vossa turma de liceu é agora uma estrela porque tem boas notas e se dá com os professores todos. E toda a gente quer ser amiga dele.
Sim, estes senhores, que seguem o mundo tal como o vêem nos manuais e que não têm a minima noção do que se passa no mundo real, vão dirigir o nosso país. Eles são os homenzinhos de preto que puxam os cordelinhos das nossas pequeninas e insignificantes vidas.
O gajo que se sentava na primeira fila e que cheirava mal, de fato de treino bordeaux manchado de Bolicao e com óculos de fundo de garrafa (e, provavelmente, borbulhas), esse gajo é “O Estado”. [...]'

Teresa

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02 agosto 2007

Continuamos sem saber o CV de José Sócrates,

o nosso Presidente do Conselho em exercício.

Sabe-se agora que a Procuradoria arquivou o inquérito sobre a 'licenciatura' de José Sócrates, considerando, como diz o Público, 'que da análise aos elementos de prova recolhidos não se verificou a prática de crime de falsificação de documento'.

Mas isto não era novidade para ninguém.



O que era e tem de ser investigado é se o grau académico foi conferido como deve ser.

Se houve aulas, quando, como, com quem. E exames.

Porque a PGR no seu comunicado diz que 'em 13 de Março de 2007, um ilustre advogado denunciou ao procurador-geral da república um crime de falsificação de documento autêntico, envolvendo a licenciatura em Engenharia Civil na Universidade Independente de José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa'.

Ora não é esta a questão relevante. Essa -- a 'falsificaçãozinha' -- nem era, no contexto, o mais relevante.

O relevante é sabermos como funcionava a Universidade Independente.

Não é o diploma ser falsificado ou José Sócrates não ter dinheiro ou cérebro para ter tirado o curso em Oxford ou Harvard.

É sabermos como foi obtido o diploma.

Porque só sabendo isso saberemos se José Sócrates, actual Presidente do Conselho, mentiu ao país sobre a sua própria qualificação. E que mereceu, como se sabe, várias alterações ao CV publicado no website do Governo.



E que envolveu, como se sabe, suspeitas quanto à inexistência de inscrição na Ordem dos Engenheiros [que mereceu a piada do Ministro Mário Lino, esse nunca demitido]. E um suposto exame de inglês técnico levado para casa. E um suposto professor que dava todas as cadeiras. Etc., etc..

O caso de falsificação pode ter sido arquivado.

Mas a verdade do que se passou entre Sócrates e a Independente não. E continuamos sem saber qual é.

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05 junho 2007

O CV de José Sócrates Pinto de Sousa


É muito frequente abandonar-se uma notícia não porque já não haja material, mas porque apareceu outra notícia mais chamativa.

Foi o caso da 'licenciatura' de José Sócrates, actual primeiro-ministro de Portugal.

Apareceu uma notícia sobre uma criança inglesa 'desaparecida' no Algarve [ou Allgarve, como propôs o actual Governo] e desapareceu o CV do primeiro-ministro português.

O jornal Público criou em 22 de Março um 'dossier' chamado 'Licenciatura de Sócrates'.

Como refere o editorial a esse dossier, 'para o PÚBLICO, é importante verificar se referências susceptíveis de colocar em dúvida a forma como o primeiro-ministro se licenciou merecem ser investigadas. Não para saber se merece ou não o título com que se apresenta, mas para verificar se agiu sempre de forma limpa, leal e legal. Era isso que os boatos que corriam um pouco por todo o lado punham em causa - e saber se um curso superior foi obtido ou não de forma limpa, clara e legal é fácil de provar'.

Parece pois que o Público admite, portanto, que o actual primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, pode não ter agido 'sempre de forma limpa, leal e legal'. Suponho que os antónimos sejam de forma 'suja, desleal e ilegal'.

Enfim.

O que é curioso é que a actualização nesse dossier é de 23 de Abril.

E diz o seguinte:

'Dossier de Sócrates na Independente pode ficar nas mãos do Governo'.

Pelos vistos, ficou.

Chapeau.

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04 junho 2007

Reggie


É curioso como o ego move as pessoas, e por consequência o mundo, embora mais das vezes no sentido errado.

O caso de Reggie é um exemplo disso.

Reggie é desde 1923 a mascote do King's College, o principal college da Universidade de Londres e, portanto... de Londres. E provavelmente a terceira universidade mais conhecida da Europa, depois de Oxford e Cambridge, de onde vieram vários dos professores do King's, aberto em 1829.

A mascote é uma escultura em forma de leão. Sendo o college chamado 'King's', e o leão o rei da selva, e Regis rei em latim, língua académica por excelência, suponho que as conclusões são óbvias.

A Universidade de Londres tem outros colleges, como o Queen Mary, o University College [UCL] ou a London School of Economics [LSE].

Em 1927, Reggie foi 'raptado' por dois estudantes do UCL, tendo cerca de 1000 estudantes protagonizado uma certa batalha da qual dois estudantes da UCL foram presos [curiosamente ambos eram filhos de membros do clero].

Em 195o, o Reggie foi enviado para um hotel em Inverness, na Escócia, por uns alunos do Queen Mary. Alguns estudantes do king's reuniram-se e foram de comboio para a Escócia salvar Reggie.

Dez anos depois, o Reggie foi colocado num comboio na estação de King's Cross por estudantes do UCL. Foi encontrado na sala de perdidos e achados da estação de Newcastle.

Em 1967 foi novamente roubado, mas desta vez abandonado perto de Guildford.

Em 1981 casaram-no com uma 'leoa', que desapareceu e nunca foi encontrada.

Em 1993 Reggie desaparece e é encontrado apenas em 2oo3 no campo de tiro.

Hoje, 2oo7, encontra-se na associação de estudantes, depois de uma vida que se espera mais calma e sem mais necessidades extremas de restauro...

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26 abril 2007

Of Studies


'Studies serve for delight, for ornament, and for ability.

Their chief use for delight, is in privateness and retiring; for ornament, is in discourse; and for ability, is in the judgment, and disposition of business.

[...]

To spend too much time in studies is sloth; to use them too much for ornament, is affectation; to make judgment wholly by their rules, is the humor of a scholar.

They perfect nature, and are perfected by experience: for natural abilities are like natural plants, that need pruning, by study; and studies themselves, do give forth directions too much at large, except they be bounded in by experience.

Crafty men contemn studies, simple men admire them, and wise men use them; for they teach not their own use; but that is a wisdom without them, and above them, won by observation.

Read not to contradict and confute; nor to believe and take for granted; nor to find talk and discourse; but to weigh and consider.

Some books are to be tasted, others to be swallowed, and some few to be chewed and digested; that is, some books are to be read only in parts; others to be read, but not curiously; and some few to be read wholly, and with diligence and attention.

Some books also may be read by deputy, and extracts made of them by others; but that would be only in the less important arguments, and the meaner sort of books, else distilled books are like common distilled waters, flashy things.

Reading maketh a full man; conference a ready man; and writing an exact man.

And therefore, if a man write little, he had need have a great memory; if he confer little, he had need have a present wit: and if he read little, he had need have much cunning, to seem to know, that he doth not.

Histories make men wise; poets witty; the mathematics subtle; natural philosophy deep; moral grave; logic and rhetoric able to contend. Abeunt studia in mores; [Studies make themselves manifest in the manners.]

[...]

So if a man's wit be wandering, let him study the mathematics; for in demonstrations, if his wit be called away never so little, he must begin again. If his wit be not apt to distinguish or find differences, let him study the Schoolmen; for they are cymini sectores [hair splitters]. If he be not apt to beat over matters, and to call up one thing to prove and illustrate another, let him study the lawyers' cases; so every defect of the mind, may have a special receipt'.

in Francis Bacon, Essays

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15 fevereiro 2006

Expresso da Praxe, Praxe no Expresso


Já falámos aqui do delicioso julgamento de algumas pessoas que julgam que a praxe é uma coisa maravilhosa, que não humilha ninguém, é inteligente e divertida, e na qual todos gostam de participar. Uma espécie de mocidade Portuguesa onde, desta vez, todos se podem sujar e fazer ordinarices.

Desta vez -- e bem, até porque o assunto parece ter morrido -- é o jornal Expresso, na sua revista, a abordar o tema.

Conta a história da famosa estudante que 'foi barrada com bosta de porco, mergulhada de cabeça e com os pés amarrados num balde de excrementos de vaca até sufocar e desmaiar. Durante uma semana esteve às ordens de uns veteranos [...] Andou sempre com um penico carregado de bosta de vaca na mão - o seu cartão de identidade obrigatório como caloira da Escola Agrária de Santarém' [Única, Expresso, 4.2.2006, p.21].

Ficámos a saber da existência de um website que divulgamos: Antípodas, de uma associação anti-praxe. Desde logo pelas fotografias publicadas, da qual esta é particularmente expressiva...

Preferíamos ter aqui uma das nossas habituais imagens de um quadro de Vermeer ou até uma foto de Cindy Sherman, ou ainda um belo exemplar da arquitectura contemporânea.

Desta vez é uma foto do nosso país contemporâneo. Não podemos esquecê-lo, até porque vivemos nele. Resta-nos mudá-lo...

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