12 abril 2008

Tod's


em Portugal.

A Tod's abriu uma loja na Av. da Liberdade, em Lisboa, a mostrar que há quem resista bem à crise [!].

E para além da questão orçamental percebe-se o gosto pela Tod's: os mocassins /loafers são, de facto, do mais confortável que há [ainda há quem prefira ténis, pasme-se!] e recomendam-se. Já os chapéus, cuidado com o cheiro da pele.

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12 setembro 2007

Chineses na 'Baixa' de Lisboa.


Hoje ao almoço discutiu-se, entre outras coisas, a chinesice de tirar os chineses da baixa de Lisboa.

Sinceramente não vou à baixa. Adorava, mas não vou. É um pouco como África: tenho medo e calor.

A Baixa -- não confundir com o Chiado, bem mais elegante, embora ainda pouco sofisticado [e foi daí que veio a foto] -- resume-se a lojas decadentes, ruas estreitas e sujas, com carros e sem espaço para pessoas -- e também sem espaço para parar os carros.

Estou-me nas tintas para a ideia de tirar as lojas chinesas da Baixa.
Se não fosse pelos acordos da OMC e a Constituição Portuguesa, bem como as boas relações diplomáticas com a China, era e é, sobretudo, porque as restantes não são muito piores.

Tem de agir-se na Baixa.

Mas essa acção não se resume -- nem pode incluir -- a retirada de lojas chinesas da Baixa. Sobretudo para as colocar numa duvidosa 'Chinatown', que seria ainda pior, arriscando-nos a ter um ghetto povoado ou pelo menos dominado por máfias asiáticas sinistras e perigosas, se não para quem lá fosse, para quem lá vivesse ou trabalhasse.

O que é preciso na Baixa -- como de resto no resto de Lisboa e no resto do país -- é limpeza e qualidade.

Limpar ruas e paredes, pintá-las, ter espaço para carros e pessoas, ter transportes públicos decentes, ter segurança nas ruas, e ter lojas limpas, com boa apresentação, produtos de qualidade, atendimento profissional.

Fim às lojas sujas, mal-cheirosas, mal amanhadas, com tudo amontoado, empregados antipáticos e ignorantes e que muitas vezes nem falam português e muito raramente inglês, fim aos preçários feitos à mão em papel de rascunho com canetas de feltro, colocados na rua mesmo para se tropeçar ou ser atropelado ao usar a estrada, fim às montras de mau gosto, à falta de ar condicionado, aos produtos de plástico ranhoso ou que não interessam para nada, às lojas sem multibanco ou que não aceitam cheques, ou que têm sempre tudo esgotado, ou que fecham aos fins de semana ou nas férias, ou à tarde, ou ao almoço, fim às lojas que não fazem embrulhos de presente ou os fazem mal, e aos empregados que nos atendem como se fosse uma deferência ou favor da parte deles...

Parece que só se consegue algo de jeito indo à Carolina Herrera, à Zegna ou à Vuitton na Avenida da Liberdade [e mesmo assim...].

É isto que é preciso mudar, e isto abrange tanto lojas chinesas, como portuguesas, como indianas. Todas. Em Lisboa e fora dela. E nem vamos falar de cafés, bares ou restaurantes... para não perder a sede ou o apetite.

Não pode ser.

Se conseguirmos isto, podemos considerar-nos civilizados. Para já, vou aos saldos de Londres. É que nem sai mais caro...

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13 abril 2007

A 'sensação' da 'season'



Nas últimas semanas Londres esteve num rodopio com a abertura da loja de roupa norte-americana Abercrombie & Fitch. Reparei nela ontem, ao passar em Savile Row. Era inevitável: modelos sinistros à porta e house barato aos berros às 4 da tarde.

A grande razão nem é a roupa em si: é o que não falta em Londres. A razão começou por ser um anúncio com uma foto gigante de um modelo masculino de costas, tronco nu, com uma mão no pescoço e outra bem abaixo, mostrando o rabo. Aqui está ele.

Se já era algo histérica a mania de andar com a roupa interior à mostra, as modas passam e agora o bom é mesmo mostrar o rabo [que se no caso do modelo pode ser interessante, no caso dos milhões de jovens que andam pelas ruas não é exactamente assim...].

Este anúncio esteve em quase todos [senão todos?] os autocarros double-deck da cidade. Ninguém escapa ao rabo, que ainda circula por aí.

O que deixou de circular foi o histerismo para conseguir convites para a festa de abertura da loja da Abercrombie & Fitch em Savile Row.

Exactamente: a loja do rabo abriu no centro das lojas mais clássicas de Londres. Agora, quando fizer um fato à medida, tenha cuidado com os rabos e jovens imberbes da Abercrombie, até porque muitos são underage.

Já achei piada à Abercrombie: foi a loja que vendeu a arma com a qual Hemingway se matou [atenção às cartas românticas trocadas entre este e Marlene Dietrich e publicadas recentemente!], tem um site muito bem desenhado e modelos em regra excelentes.

Mas em Londres tudo parece correr mal. Aliás os escanzelados pálidos acima e a miúda de estação de serviço comprovam-no: são 3 dos 'modelos' da nova loja em Londres.

Um jornalista do pasquim Daily Mail fez uma reportagem com o título 'Poseurs Paradise!'. Candidatou-se a lojista da Abercrombie e veja-se o resultado:

"You've got just the right look to come and work for Abercrombie & Fitch" she told me. I was taken aback, flattered, but had no idea what she meant.

"Fantastic" I replied. Abercrombie & Fitch? The name rang a bell. Shortbread? Why would a biscuit firm want to employ me?

She explained that Abercrombie & Fitch was a clothing store and that they were hiring "models" to "just hang out" around the shop, wearing the company's clothing.

The penny dropped. I'd seen those risque; posters of a muscular man with a builder's bottom adorning London buses. I knew this homoerotic campaign has caused a stir.

[...]

This, I realised, was the American chain whose use of blatant sex to market their U.S. preppy style has attracted critics as well as custom. They promise a store full of "gorgeous kids".

[...]

She informed us that the company had a "tagline" which we would have to use when greeting customers. She explained, very seriously, that it was, "Hello, how are you?"

"How did you come up with that?" I asked. She said a company of marketing consultants had worked intensively at developing it.

[...]

One girl said she thought the store was a bit like GAP. That was the end of her. A week later the phone rang. I'd got the job. Would I come to an orientation day?

[...]

The doors are not yet open for business and I face a sea of preciselyplaced and neatly-folded merchandise. Outside the sun shines, but in here it is so dark I keep tripping over my flip-flops.

The shop presents itself as if it were the coolest clothes shop on the planet. Aimed at 20-year-olds, the store offers polo shirts, hoodies and tight jeans. David Cameron would shop here if he thought he could get away with it.

My eyes accustom to the gloom. I confront tacky paintings of teenage boys stripped to the waist in frames that aspire to the look of a grand country house.

The theme of male near-nudity is pursued throughout. It has caused trouble. One edition of the company's catalogue had to be recalled after a storm over the explicitly naked photographs of young models.

[...]

My first customer, a mother with two teenage kids, purchased more than £500 of T-shirts. But by the time I had scanned and de-tagged all the items, removed the coat hangers, totalled the cost and figured out how to charge the credit card, 25 minutes had elapsed.

[...]

The company told us it was an equal opportunity employer. Funny, because all its visible staff are young and beautiful.

The unattractive, the overweight and the disabled just don't seem to make it on to the shop floor. In fact, there is no lift and therefore no way for wheelchair users to work or shop upstairs.

As far as age goes, at 29 I was probably the oldest there. I thought that if the law permitted it, managers would have exercised quality-control over the customers, too, and I might be assigned to blow a whistle if anyone old or fat ventured in.

But employees who are not on public view are allowed to be slightly less attractive. The "impact team" is a group of workers who replenish the dwindling stock.

[...]

I don't get out of bed for less than £6.50. Fortunately this was A&F's hourly rate. They trade on the inexhaustable supply of beautiful dimwits for whom the excitement of being hired as "model" matters more than the pay scale. I got the impression that, ideally, they'd like us to pay them, rather than the other way round.

The men who stood semi-clothed at the entrance earned an extra £1 an hour. But they had the required A&F six-pack. The new way of selling clothes seems to be not wearing them.

[...]

A & F is unlike other foreign stores that arrive in the UK and try to fit in. It is brash and all-American. But they do want to be posh. Association with the quality tailoring of Savile Row, the listed building and the statues and art work, rub uneasily against the overt use of sex to sell clothes.

There's nothing tasteful in halfnaked boys hanging around the store door. Or are we just too oldfashioned for this fusion of softcore porn and high-class pose?

Os Estados Unidos no seu pior, ao tentarem ser algo de melhor.

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02 fevereiro 2006

S:D:D:::::::


'Santos Design District'...

Nunca fomos muito fãs de inspirações americanadas que, na Europa, me soam sempre a provincianismo barato.

A ideia de fundo, porém, é muito, muito boa e merece aplauso.

Ter um spot nacional para a divulgação do design é fundamental. E, claro, garantir uma boa plataforma de negócio para as casas que vendem mobiliário, 'acessórios' e 'soluções'.

Ser em Santos é ainda melhor: continua a ser uma das nossas grandes apostas seguras para investimento imobiliário de longo prazo em Lisboa.

A ideia de S:D:D: parece ser a de juntar uma rede [admitimos que os criadores prefiram a palavra network, mas enfim] de lojas [OK, preferiam 'espaços'] bem estruturados, com produtos bem desenhados, bem feitos e bem apresentados.

Acaba por ser algo de banal: esperemos que venha a ser assim, que toda a cidade ou país sejam assim. Mas não são, pelo menos ainda.

O design continua a ser visto como algo de estranho aos produtos. Como um 'plus' [gostaram, não foi?].

Observações do tipo 'não compro essa cadeira, é caríssima só porque é de design' continuam a encher-nos os ouvidos.

Porque parece claro que o design está sempre lá; pode é ser mau [porque de claro mau gosto ou por ter funcionalidade zero] ou menos apreciado.

Mas existe sempre. É incompreensível que as pessoas não percebam isto, que parece tão simples.

Espero que o 'district' se alargue a todo o país.

Enquanto tal não acontece, muitos parabéns a quem de direito pela ideia. Mesmo que seja [é?] apenas uma estratégia comercial [para que as nove lojas fundadoras desta associação vendam...] é fundamental para a divulgação de uma 'cultura do design', para a revitalização dos espaços [sejam as lojas sejam os destinos dos produtos aí adquiridos] e da própria cidade.

Boa.



Lojas aderentes:

Armani Casa
Ligne Roset
Boffi
Santos da Casa
Conceição Vasco Costa
Domo
Loja do Banho
Paris Sete
Steinwall
York House
A. da Costa Cabral

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