18 outubro 2007

Monárquico e antifascista.


Estas expressões, verdadeiras tags / etiquetas, são contraditórias para muitos.

João Camossa, falecido hoje, era além de advogado, monárquico [fundador do PPM, em ruptura com a Causa Monárquica] e antifascista, tendo mesmo sido preso e torturado durante o regime de extrema-direita que marcou Portugal entre 1926 e 1974.

O Público refere uma verdadeira peculiaridade: 'João Camossa foi um dos raros advogados portugueses que, durante o exercício da profissão e em plena barra de tribunal, passou, em circunstâncias insólitas, de advogado a réu, num julgamento presidido por Almeida Moura'.

O seu legado permanece, em particular a compatibilidade teórica [pois não se conhece realidade semelhante] que propôs entre respeito pelos direitos humanos e democracia de esquerda e um regime político monárquico.

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26 julho 2007

Panic! At the country.

O Presidente do Conselho de Ministros em exercício, Eng.º [?] José Sócrates Pinto de Sousa, concedeu uma entrevista à SIC. Em amor à camisola, o jornalista Ricardo Costa interrompeu as suas férias e o seu dia de aniversário para, juntamente com outro jornalista, entrevistar o Presidente do Conselho.

O Presidente do Conselho parecia bem disposto e estava bem apresentado...

... mas passemos ao que interessa.

O Presidente do Conselho nada disse [e não foi questionado nesse sentido] sobre a sua formação académica. Continuamos sem saber o desfecho do caso 'Independente'.

Ficámos a saber que há mais X portugueses com 'médico de família', como se isso quisesse dizer alguma coisa de relevante sobre o sistema nacional de saúde. Interessa sim taxas moderadoras 'moderadas' e qualidade de serviço ímpar. Com ou sem marketing de 'médicos de família', a fazer lembrar uma série televisiva.

Impostos, não se sabe o que vai acontecer.

Aeroporto
, o discurso do costume, em novidades.

TGV, nada.

Vaias, alguma coisa. E foi adorável a referência aos meninos a receber 30 Euros em casting para assistir a uma conferencia do PM... sem vaiar.

Défice
, o discurso habitual, com referência ao não aproveitamento de uma excepção como França, que irá beneficiar de mais tempo para corrigir o seu défice com calma.

Entendemos a posição do Presidente do Conselho: tem a perfeita noção de que, quando se justifica tudo a todos com o argumento das finanças públicas -- a fazer lembrar alguns seus antecessores, também eles do campo, como frisou Ricardo Costa -- nada resta.

E por isso, para justificar o que se desfaz e o que não se faz, Portugal continua com a sua meta de défice, não aproveitando a abertura que teria, e cujo precedente foi aberto por França.

Se Sarkozy já era mau...

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16 março 2007

Em política, o que parece é.


No DN de hoje, refere-se a primeira aula dada pelo ex-presidente Jorge Sampaio na UNL.

refere que o ex-presidente entende que 'A dissolução do Parlamento é um "poder exercido em dueto" entre o Presidente da República (PR) e o eleitorado'.

Quer isto dizer, desde logo, que Jorge Sampaio quis, ou pelo menos abordou, o tema mais polémico dos seus mandatos.

E refere ainda o jornal que 'E se, em vez de estarem em sintonia, a votação confirmar a mesma maioria política de deputados na Assembleia da República (AR), então o Chefe do Estado' -- e citam Jorge Sampaio, ex-presidente da República Portuguesa durante dois mandatos e conhecido por alguma formalidade -- 'fica com cara de parvo, com vontade de se meter debaixo da mesa'.

A frase recordou-me, desde logo, outra de um outro político português [Oliveira Salazar]: 'em política, o que parece é'.

E a linguagem que se usa, os termos que se usam, as expressões que se afirma, exigem todo o cuidado, sobretudo perante uma audiência e sobretudo quando as expectativas da audiência -- pelo perfil do orador -- são elevadas e pré-definidas.

Digamos que neste caso o orador se expôs.

E o DN não deixou a coisa por menos: entitulou o artigo de 'Sampaio arriscou ficar com "cara de parvo"'.

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