10 abril 2008

'Corrupção'

Não o famoso filme sobre um certo líder desportivo português, mas a investigação do SRO [Serious Fraud Office] do Reino Unido sobre as 'comissões' / 'luvas' / 'subornos' que terão sido dadas ao Príncipe Bandar da Arábia Saudita pelo Reino Unido [também houve suspeitas quanto ao Presidente dos EUA] de modo a 'facilitar' celebração de contratos de venda de armas pelo Reino Unido à Arábia Saudita.

Esta investigação foi fechada por ordem de Tony Blair, que alegava 'interesses nacionais', 6000 empregos gerados no Reino Unido e 'segredos e interesses estratégicos de defesa nacional'.



O High Court veio hoje decidir que, pois claro, esta suspensão das investigações é ilegal. Como é evidente, os fins não justificam os meios e subornos são subornos, mesmo que estejam em causa 'interesses nacionais' ou '6000 empregos' na indústria militar.

Lorenzetti suspeita que o Governo Inglês irá recorrer da decisão do High Court para a Câmara dos Lordes...

... e suspeita também que os Lords irão aceitar o recurso e dar razão ao Governo. Rule Britannia!

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15 agosto 2007

Arafat morreu e o caos continua. Next?


Já ninguém se lembra ou fala de Arafat, o líder 'histórico' palestiniano, cujo 'carisma pessoal e político' era consensual.

Falou-se esta semana dele, uma vez que a viúva foi expulsa da Tunísia, onde vivia desde a morte de Arafat em Paris.

A direita, os EUA e 'aliados', os pró-israelitas, diziam que Arafat era o culpado e que tinha de morrer ou, pelo menos, ser 'afastado' para que a paz chegasse ao médio oriente.

A esquerda e os pró-palestinianos diziam que Israel, os EUA e seus 'aliados' eram os culpados, verdadeiros colonizadores.

Hoje confirmamos que não era Arafat que bloqueava a questão do médio oriente e em particular a pancadaria, já clássica, entre Israel e a Palestina, que para o mundo se resume a um bocado de terra onde há pessoas numas barracas chamadas colonatos, com um muro que entretanto Israel construiu, e que foi comparado com o muro de Berlim, para não dizer pior.

No entanto, tendo-nos todos apercebido -- ou simplesmente confirmado -- que Arafat não era a 'chave de bloqueio', interessaria desbloquear a situação de outro modo.

Fala-se de um quarteto, e foi-se buscar Tony Blair, que se demitiu do governo inglês depois de um governo fracassado, que caía de podre, e cuja demissão lhe terá valido o encerramento da investigação 'Cash for Honours', na qual foi por diversas vezes interrogado pela polícia e alvo de buscas, algo inédito na história política inglesa.

Por este caminho, continua tudo na mesma. E a culpa não é de Arafat.

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20 julho 2007

O caso não foi em vão...



Num Reino Unido inundado de água e agora de livros do Harry Potter, soube-se hoje que a morosa e mediática investigação 'Cash for Peers', em que se apurava se o Partido Trabalhista inglês, com o apoio do Primeiro Ministro 'Tony' Blair tinha conferido peers por donativos ao 'partido', em 'nada deu'. Há 732 peers na House of Lords. Dos quais 600 são vitalícios. A maioria desses foi retirada, mas restam 92.Os outros mantêm-se Lords, mas deixaram de ter lugar no Parlamento.

É o que todos parecem queixar-se: que a investigação foi um flop. Que depois de se interrogar várias vezes o Primeiro Ministro e outras individualidades, durante 1 ano e 4 meses, e um milhão de libras ['300 mil contos'], com raids na residência do primeiro-ministro, incluindo a retirada de computadores para exame, a nada se chegou, nada se conseguiu provar.

'If any person accepts, obtains or agrees to accept or obtain from any person, for himself or for any other person, or for any purpose, any gift, money or valuable consideration as an inducement or reward for procuring or assisting or endeavouring to procure the grant of a dignity or title of honour to any person or otherwise in connection with such a grant, he shall be guilty of a misdemeanour'
s.1 do 1925 HONOURS (PREVENTION OF ABUSES) ACT.

Não é verdade.

Fez-se cair um primeiro ministro.

E agora, faz-se cair um inquérito.

Assim acontece.

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25 março 2007

A moda das desculpas.


Pedir desculpas é uma coisa que fica bem socialmente. A velha história de reconhecer erros.

Ao mesmo tempo, confirma a prática do erro. E como seria tão genial tão tê-lo cometido. Isso sim, seria importante.

Porque na prática, as desculpas não servem para nada.

Apenas para uma de duas coisas: ou para conforto psicológico [não dando porém uma ideia feliz de quem as dá e de quem as aceita levemente] ou, de modo mais sofisticado, para simplesmente tapar uma agressão. Agride-se, sabendo-se que com umas desculpas tudo fica bem. É a despachar.

Pedir desculpas pela escravatura está na moda.

Perdão... não pela escravatura em geral.

Mas pela escravatura do século anterior aos séculos XX e XXI. E sobretudo anterior ao século XXI.

Tem havido movimentos nesse sentido nos EUA [onde existem inclusive lobbies que tentam obter, imagine-se, indemnizações para os descendentes -- logisticamente complicado, e eticamente duvidoso] e no Reino Unido o PM 'Tony' Blair fê-lo esta semana, depois do 'Mayor' de Londres, no contexto de um aniversário da abolição e de vários eventos relacionados com o facto.

Todos nos recordamos de o Papa ter feito algo similar [não o actual, mas o anterior, em relação à acção da Inquisição].

E como o 'passado' é desculpa para tantas coisas.

E o sempiterno argumento do 'contexto histórico'.

No caso da escravatura é ridículo. Sobretudo deveria ser para os milhões que vêm noticiários e lêm jornais e em particular aqueles que enchem as salas de exposição da World Press Photo. e em muito particular aqueles que conhecem a fotografia deliciosamente sépia-akin de Sebastião Salgado.

E pedir desculpas pelo passado é sempre simples. Sobretudo quando a acção foi tomada por outra pessoa.

Ainda não vimos desculpas pelas invasões do Iraque, Afeganistão e afins, ou pelos raptos, detenções ilegais e tortura praticados em Guantánamo. E por todas as restantes aventuras militares e ofensas aos direitos humanos por todo o mundo, em maior ou menor escala.

A história irá julgar-nos. Esperemos que a sentença não seja apenas pedir desculpas. Porque de desculpas...

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