05 março 2008

Restruturações


A restruturação em curso na JAE, perdão, 'Estradas de Portugal', é apenas um exemplo.

Lemos no Público que 'A reestruturação da Estradas de Portugal (EP) vai implicar a redução de 345 funcionários, o corte de 35 por cento nos custos com telecomunicações e a reorganização das estruturas regionais da empresa, afirmou hoje o seu presidente na Assembleia da República'.

Admito que o actual CEO possa ter razão. Mas nesse caso pergunto-me se as anteriores administrações estavam loucas: porquê então ter 'tantos' funcionários? e ter 'tantos' custos?

Já aqui comentámos a gestão à portuguesa: não se cria valor, não se aumentam fontes de receita: cortam-se custos, mais das vezes à custa da qualidade. E depois caem pontes.

Seria interessante perceber quão esta histeria de corte de custos faz sentido. Se fizer, seria importante responsabilizar as administrações anteriores, civil e criminalmente.

Se não faz sentido -- sobretudo por perda de qualidade dos serviços, colocando em causa a segurança dos utentes / clientes -- há que responsabilizar as actuais administrações.

Em qualquer um dos casos algo foi ou vai mal e é fundamental assegurar que passe a ir bem e restaurar as perdas num país onde a culpa não só morre solteira como parece ser invisível.

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13 março 2007

Privatizar porque?


Ja falamos aqui deste tema. privatiza-se so quando as empresas dao lucro, o que e comico. Se dao lucro, que ate pode ajudar o Estado a reduzir a carga fiscal e obter receitas de formas mais adequadas para todos, para que privatizar?

O caso da TAP e interessante. De acordo com os dados divulgados esta semana pela empresa, a 'TAP registou em 2006 um lucro líquido de 7,311 milhões de euros, evidenciando uma recuperação notável de 17,6 milhões face aos 10,3 milhões de prejuízos apurados no exercício de 2005'.
Esta companhia aerea esta, portanto, a dar lucro.

'O aumento global da actividade e a melhoria da eficiência permitiram à companhia terminar o ano passado com um resultado operacional positivo de 30,3 milhões de euros, 39,8 milhões melhor que os 9,5 milhões negativos de 2005'.
Isto apesar do aumento de custos globais de exploração, que 'em 2006 situaram-se nos 1.470 milhões de euros, mais 18,1 por cento que os 1.245 milhões registados no ano anterior, fortemente influenciados pelo efeito da alta dos preços do combustível (...) Os custos de exploração, sem o efeito do combustível, aumentaram apenas 14,4 por cento, passando de 958,3 milhões de euros em 2005 para 1.096,4 milhões no ano passado, ou seja, menos que o aumento dos proveitos, que foi de 21,7 por cento'.

E nao se diga que as receitas da TAP sao a custa do proprio contribuinte, ou que se trata de um monopolio ou posicao de dominio escandaloso: '64 por cento das receitas da TAP são obtidas fora de Portugal (60% em 2005). O crescimento do volume de vendas beneficiou igualmente do aumento das vendas em Portugal, que registaram um incremento de 9,9 por cento, tendo a companhia aumentado a sua quota no mercado nacional de 46,8 para 48,4 por cento'.

E assim acontece.

Quer mesmo o Estado dispensar uma das poucas coisas onde ganha dinheiro jogando com as regras de mercado, privilegiando lobbies duvidosos e prejudicando os contribuintes e provavelmente a propria empresa? Quando a equipa joga bem...

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