19 setembro 2007

Getting old.


A Teresa, again [depois de corrigidos os erros ortográficos e acrescentados 'bolds' e uns vídeos...].

'Sexta-feira, Setembro 24, 2004
As Rugas, tal como as conhecemos (ou devíamos conhecer) [baï Teresa]


Acho que nos podemos deparar com um fenómeno sociológico interessante quando pensamos na faixa etária que, em geral, predomina na noite nos tempos que correm.

[...]



Sim, é verdade, é só crianças... Homenzinhos aos quais temos vontade de apertar as bochechas e de espetar um pacote de leite com chocolate na boca, ao mesmo tempo que admiramos a sua delicada pele tão branca e tão suave, ainda não corrompida pelas violências deste mundo cão.

E o que fazer quando a discoteca mais conhecida de Lisboa esta superpopulação desses seres irritantes e vivazes, que fervilham os sítios públicos como uma praga de gafanhotos com o cio? Gritar? Protestar? Insurgir-se? Não, meus amigos, não... a resposta é muito mais simples e esta, infelizmente, a frente dos nossos delicados narizes. A resposta é: Nada.

[...]

Ao longe se vão os dias em que íamos para as discotecas repletas de “mais velhos”. E que éramos umas “pitas” que mentiam sobre a própria idade para serem levadas para um canto escuro sem muitos remorsos.

Tudo era brilhante e fascinante, e nem por isso era eticamente reprovável andar a frente de toda a gente aos beijinhos com um rapazinho que tínhamos acabado de conhecer,e na noite seguinte outro, e na noite seguinte outro (não sei se alguma vez repararam: mas a adolescência foi uma autentico paraíso sexual de plurigamia e liberalismo). Those days are gone my friends.

Este é, realmente, o eterno drama feminino: o tempo passa e uma mulher começa a ver que está velha, gorda, e que já ninguém a quer. E, enquanto um homem de quarenta anos tem todas as possibilidades de ser um “Dr charmoso” (com o seu Jaguar e os seus cabelos brancos tão sexys), uma mulher a partir dessa mesma idade é uma amálgama confusa de pedaços de carne decompostos e de peles estranhíssimas por toda a parte.

Ninguém a quer, e o homem troca-a por uma rapariga de vinte anos. O homem, esse, continua a viver feliz e contente na boa vida até ao final dos seus dias.



É assim que a sociedade esta construída. Um Homem velho é um “Senhor”, uma mulher velha é uma “Velha”. Posto isto, as mulheres a partir dos seus vinte anos, têm que começar a tratar do seu lugar na sociedade que as rodeia. Há que casar o mais cedo possível , não andar ai a saltar de um para outro; pois, consciente ou inconscientemente, sabem que, quando chegarem aos 40 anos, encontrar um homem tratar-se-á de uma missão quase impossível.

Eu não... eu não consigo, eu sou o que se chama a atrasada mental que continua a remar contra a corrente, asnamente, porque ainda não percebeu que o sistema é maior do que ela. E como tal, enquanto que as minhas amigas estão em casa ,demasiado ocupadas a tratar do seu futuro conjugal (com os seus Jões) esquematicamente perfeito e da sua futura família concorrente a anúncios em pacotes de cereais Corn Flakes, eu continuo obstinadamente a frequentar os sítios que claramente já não são para a minha idade; deparando-me, a cada dia, com a realidade que finjo não ver.



Finalmente, hoje dou por mim a partilhar a minha crise existencial com a senhora que me faz a depilação (a Graça); o que, algo me diz, não pode ser bom sinal.


Acho que deviam avisar as pessoas, sinceramente... falam tanto da “crise da meia idade” da “crise da adolescência” da “menopausa” da “andropausa” e do caneco e do camandro... também deviam falar da “fase pela qual as pessoas passam quando percebem que estão a ficar adultas mas que querem ficar adolescentes para sempre”'.

imagem: Quinten MASSYS [1525-30] A Grotesque Old Woman, National Gallery, Londres.

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09 setembro 2007

Ainda a Teresa. Até porque me estou nas tintas para o tema do dia.




'Hoje vou falar um bocadinho e dizer mal, daquelas pessoas que aparecem nas revistas, e que ninguém sabe quem são.
(Há gente que anda para ai a dizer à boca cheia que os textos do Sem Wonderbra são sempre a dizer mal, e que insinua que a única coisa que eu sei fazer é criticar gratuitamente tudo e toda a gente à minha volta. Para que fique bem claro: É verdade).



Até há algum tempo, admito, o fascinante universo da “Caras” e outra sucursais afins tinha-me passado completamente ao lado. Não fazia ideia do que acontecia dentro dessas revistas. Só passei a dar vistas de olhos nelas recentemente, com a intenção de fazer textos de stand up sobre pessoas conhecidas. Não se trata aqui de nenhum pretensiosismo intelectual da minha parte; mas sim apenas uma breve introdução para dizer que acho fascinantes essas revistas. Sobretudo no que diz respeito a reportagem de paginas inteiras sobre pessoas que ninguém faz a mínima ideia de quem são ou o que poderão eventualmente estar ali a fazer. E que toda a gente aceita, como sendo uma coisa perfeitamente normal.



Ainda pensei que fosse a minha ignorância a falar mais alto, e que esses seres misteriosos fossem na verdade “o famoso Zé Mané que entrou recentemente no programa da manhã não sei de onde” (e que eu não conhecia, e que era escandaloso, e em que mundo é que eu vivia), mas não. Procurei inteirar-me do assunto: são mesmo pessoas que ninguém conhece.
Seres estranhos que por certo acharam interessante pagar a alguém para ir a casa deles fazer uma reportagem sobre a sua desinteressantíssima vida. E que não se sabe bem como, continuam a proliferar.
Ainda reportagens sobre gente famosa, vá. Há que admitir, tem o seu quê de interessante. Mas reportagens sobre gente que ninguém conhece e que ainda por cima não faz nada de relevante na vida? Porquê?
Como, pergunto eu, querem que o pais ande para a frente, se metade da população anda a ver reportagens sobre “Mituxa Sá e Castro, na sua casa em Alfornelos-a-velha, está muito contente com a chegada do seu terceiro filho” (primeiro plano: fotografia de Mituxa Sá e Castro, uma pseudo-tia de meia idade, com um marido infelicíssimo, gordíssimo, ao lado, e dois putos ranhosos sentados no chão a torturar um golden retriever) (segundo plano: uma casa). Chegamos ao fim da reportagem, e não sabemos quem é a Mituxa Sá e Castro, o que é que ela está ali a fazer, nem o quê de novo pode ela ter trazido ao mundo. Apenas que ela esta à espera do seu terceiro filho, e que isso pelos vistos vale por si como sendo uma coisa muito positiva.



Como representante do povo português, e de todos os leitores da revistas Caras, TV Guia, e Mariana mais atrevida, exijo uma renovação no sistema. Exijo a reposição da dose diária de “Benedita Pereira conhece o amor da sua vida em férias de sonho na Cova de Santo Adrião” para toda a população. Pelo menos assim quem não tem vida própria pode pacificamente voltar a receber a sua dose semanal de merda ao quilo sobre gente famosa, que é o que aliás paga para ler, honestamente, com o suor do seu salário mínimo nacional aumentado a 3 por cento este ano. Mas isto assim não. Isto assim é um ultraje, e é um escândalo'.

Teresa Lopes Vieira AKA Sem Wonderbra, Quinta-feira, Dezembro 08, 2005, '
Aquelas pessoas que aparecem nas revistas, e que ninguém sabe quem são'

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'[...] Os homens voltam sempre, tenho visto isso não só comigo mas com algumas pessoas a minha volta a quem ja tem acontecido a mesma coisa; quer seja no dia seguinte quer seja anos depois. Mas voltam sempre..na má altura. A mim, por exemplo, ja me aconteceu uma porrada de vezes, embora esta seja a mais significante. Quando são tudo para nós estão-se nas tintas, e depois voltam, talvez porque se apercebem do que perderam. Porquê? Não sei. Talvez porque os rapazes numa certa idade são guiados por aquele sentimento de liberdade colectivo que os faz estar sempre a procura de experiencias novas, de mulheres novas; e as miudas estão muito mais numa de assentar. Andam toda a vida a ouvir contos de fadas e a ver novelas e depois querem algo parecido, pelo menos axo que eu era assim.
Ás vezes penso que os sentimentos deviam ter um timing, dava-se tudo de uma vez e depois disso acabava. Mas dava-se tudo, na altura certa.
Porque é que ás vezes as coisas certas acontecem no momento errado, e porque há palavras que esperamos anos para ouvir e que depois só saiem quando já não queremos ouvi-las? Não sei, acho que temos que lidar com isso; e um dia, talvez o momento certo para nós seja também o momento certo para outra pessoa qualquer.
(vááá não gozem comigo, toda a gente tem direito aos seus momentos foleiros tá? :P'

A genial Teresa, com a qual nada resultou e hoje nada parece existir.

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