15 dezembro 2005

Health e Clubes


Hoje recebi uma carta toda simpática de um health club onde estou inscrito e onde --contrariamente aos mais de 10 mil outros inscritos -- vou com frequência.

OK, muita frequência.

É claro que dos outros 9 mil e tal, só uns quantos também são tão ou mais regulares.

Senão aquilo ficaria mais cheio do que o metro em hora de ponta.

Os 'health clubs', que em Portugal [como em qualquer país atrasado] são uma moda tardia, estão longe de ser clubes [ou clubs, como distinguia alguém].

Praticamente não há clubes em Portugal.

Alguém acredita que um 'ginásio' com mais de 10 mil membros, numa cidade que deve ter um milhão [a trabalhar] é um clube?

E que um health club sem member-cap, aberto a quem quer que se queira inscrever [sem ser preciso, sequer, recomendação de outro membro] é um clube?

Nada.

O único health club em Portugal que está perto de ser um clube é o do Ritz.

O 'quase' deve-se a dois factores: quem quiser pode inscrever-se e as instalações estão obviamente abertas aos hóspedes.

Mas aí os membros não chegam às centenas e pagam bastante bem pelo [óptimo] serviço que recebem. Ao lado do Ritz, os clubes de Lisboa que muita gente acha óptimos [leia-se, os famosos Clube VII e Holmes Place] são verdadeiras espeluncas. Não vamos é comparar o Ritz com congéneres internacionais [tipo a deliciosa piscina do Ritz de Paris, onde também se petiscam delícias] ou os clubes por essas cidades fora.

Mesmo assim, o elemento chave de um clube nunca está presente.

E faz lembrar a célebérrima frase de Groucho Marx: 'Eu não quero fazer parte de nenhum clube que me aceite como membro!'.

Ou, no contexto destas presidenciais: 'se for eleito, demito-me'.

Enfim.

Os clubes [publicamente conhecidos] em Portugal não funcionam. Num país tão pequeno [e continuando nas adaptações livres de citações do mainstream]: 'there is no club like our own homes'.

Parece que vamos ter de continuar a aturar-nos uns aos outros.